Avaliação pré-anestésica — classificação ASA e jejum pré-operatório
Como estruturo a avaliação pré-anestésica de rotina, classifico o risco pelo ASA e oriento o jejum pré-operatório sem impor restrição maior que o necessário?
Red flags — sinais de gravidade
Erro que mata/incapacita: jejum prolongado desnecessário além do recomendado — não reduz risco de aspiração de forma proporcional e piora conforto/hidratação do paciente sem benefício adicional
Não identificar via aérea difícil previsível na avaliação pré-operatória (ver anest-002) — a hora de planejar é antes da indução, não durante uma intubação inesperadamente difícil
Suspender anticoagulante/antiagregante sem plano estruturado de ponte ou sem avaliar risco trombótico vs. hemorrágico
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Classificar o estado físico pelo ASA (I a VI), incluindo o sufixo 'E' se procedimento de emergência — é a base da comunicação de risco entre equipes
Revisar comorbidades cardiovasculares, respiratórias e via aérea previsível (ver anest-002)
Revisar medicações em uso, especialmente anticoagulantes/antiagregantes e hipoglicemiantes — decidir manejo perioperatório com antecedência
Orientar jejum conforme o tipo de ingesta, não um horário único fixo para tudo
Conduta inicial
1Classificar ASA I-VI (acrescentando 'E' se emergência) com base em comorbidades e limitação funcional — não é score calculado, é julgamento clínico estruturado.
2Orientar jejum pré-operatório escalonado por tipo de ingesta: líquidos claros até 2h antes (incluindo líquido com carboidrato em paciente saudável, até 400 mL), leite materno até 4h, leite não humano/refeição leve até 6h, refeição com gordura/carne até 8h antes do procedimento eletivo.
3Revisar e planejar manejo perioperatório de anticoagulantes/antiagregantes com antecedência (quando suspender, se há necessidade de ponte, quando reiniciar), conforme risco trombótico e hemorrágico do procedimento.
4Avaliar via aérea previsível (ver anest-002) e documentar antes do dia do procedimento, sempre que possível.
5Rastrear apneia obstrutiva do sono (STOP-BANG, ver otorrinoamb-008) e comorbidades cardiovasculares/respiratórias relevantes para o plano anestésico.
Exames
Exames complementares dirigidos por comorbidade e porte cirúrgico — não é indicado painel laboratorial de rotina para todo paciente saudável de baixo risco
ECG e avaliação cardiológica dirigida conforme fator de risco cardiovascular e porte do procedimento
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar — manejo perioperatório de medicações crônicas depende do risco individual e do procedimento. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Líquidos claros até 2h antes do procedimento; jejum de sólidos/gordura conforme escalonamento por tipo de refeição ___
Medicamentos
Plano de manejo de anticoagulante/antiagregante em uso, conforme risco trombótico vs. hemorrágico do procedimento ___
Recomendações
Classificação ASA documentada na avaliação pré-anestésica
Rastreio de via aérea difícil e de apneia obstrutiva do sono antes do procedimento
Exames
Exames pré-operatórios dirigidos por comorbidade e porte cirúrgico, não por rotina fixa
Referências
[1]2023 American Society of Anesthesiologists Practice Guidelines for Preoperative Fasting, Anesthesiology, 2023
[2]ASA Physical Status Classification System, American Society of Anesthesiologists (ASA)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.