via aerea dificilmallampatidistancia tireomentonianaintubacao dificilalgoritmo de via aerea dificilventilacao dificilestudar
Via aérea difícil — preditores e planejamento pré-operatório
Como avalio sistematicamente o risco de via aérea difícil antes de um procedimento eletivo, e o que fazer quando identifico um preditor importante?
Red flags — sinais de gravidade
Erro que mata: não ter um plano B (e C) definido antes da indução em paciente com preditor de via aérea difícil — improvisar durante uma via aérea inesperadamente difícil é o cenário de maior risco de hipóxia catastrófica
Histórico de intubação difícil prévia não investigado ativamente — é o preditor mais confiável e frequentemente esquecido na anamnese de rotina
Combinação de preditores de ventilação difícil COM intubação difícil (a situação 'não intuba, não ventila') — planejamento antecipado de via aérea cirúrgica de resgate é obrigatório
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Aplicar avaliação combinada, não isolada: Mallampati, distância tireomentoniana, abertura de boca (distância interincisivos), mobilidade cervical, histórico de intubação difícil prévia
Lembrar que Mallampati isolado tem valor preditivo moderado — não decidir só por ele
Rastrear preditores de ventilação difícil com máscara facial (mnemônico MOANS: vedação de máscara comprometida, Obesidade/Obstrução, idade >55 (Aged), ausência de dentes (No teeth), Snoring/ronco/apneia do sono)
Perguntar ativamente sobre intubação difícil documentada em anestesia prévia — é o preditor isolado mais confiável
Conduta inicial
1Avaliar via aérea de forma combinada (Mallampati, distância tireomentoniana, abertura de boca, mobilidade cervical) e não isoladamente por um único escore.
2Perguntar ativamente sobre história de intubação difícil em anestesia prévia — documentar e considerar isso o preditor mais confiável disponível.
3Rastrear preditores de ventilação difícil com máscara (MOANS) em paralelo aos preditores de laringoscopia difícil — são fatores de risco distintos que se somam.
4Diante de preditor(es) relevante(s), planejar estratégia com plano A, B e C definidos antes da indução, seguindo o algoritmo de via aérea difícil da ASA — incluindo indução em sequência com paciente acordado (fibra óptica) quando indicado, e via aérea cirúrgica de resgate disponível se combinação de difícil ventilação e difícil intubação.
5Garantir disponibilidade de dispositivos de resgate (máscara laríngea, videolaringoscópio, kit de cricotireoidostomia) antes de iniciar quando houver preditor identificado.
Exames
Avaliação clínica estruturada da via aérea — não há exame de imagem de rotina para predição de via aérea difícil em avaliação pré-operatória padrão
Prescrição-modelo
Recomendações
Documentar plano A, B e C de via aérea antes da indução em todo paciente com preditor identificado
Garantir disponibilidade de dispositivo de resgate (videolaringoscópio, máscara laríngea, kit de via aérea cirúrgica) antecipadamente
Considerar indução com paciente acordado (fibra óptica) em preditor de via aérea muito difícil combinado
Referências
[1]Clinical Relevance of Mallampati Grading in Predicting Difficult Intubation in the Era of Various New Clinical Predictors, 2021
[2]2022 American Society of Anesthesiologists Practice Guidelines for Management of the Difficult Airway, Anesthesiology, 2022;136(1):31-81 (nomenclatura 'plano A/B/C' é do algoritmo da Difficult Airway Society britânica, não da ASA — conceito equivalente, atribuição de fonte diferente)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.