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Náusea e vômito pós-operatório (PONV) — profilaxia e tratamento

Como estimo o risco de náusea e vômito pós-operatório antes da cirurgia e escolho a profilaxia antiemética de forma proporcional a esse risco?

Red flags — sinais de gravidade

  • Usar antiemético de resgate da mesma classe já usada na profilaxia — ineficaz, escolher classe farmacológica diferente
  • Não estratificar risco antes de escolher o esquema — paciente de alto risco (Apfel 3-4) subtratado com só 1 antiemético tem recorrência evitável
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Estimar risco pelo escore de Apfel simplificado: sexo feminino, não fumante, história de PONV/cinetose, uso previsto de opioide pós-operatório — cada fator presente soma risco
  • Quanto maior o risco estimado, maior o número de classes farmacológicas diferentes a associar na profilaxia — não usar sempre o mesmo esquema fixo independente do risco
  • Perguntar sobre náusea/vômito em anestesia prévia — histórico pessoal é forte preditor
  • Reservar tratamento de resgate para classe farmacológica diferente da usada na profilaxia

Conduta inicial

  1. 1Estratificar risco com o escore de Apfel simplificado (0-4 fatores: sexo feminino, não fumante, história de PONV/cinetose, opioide pós-operatório previsto).
  2. 2Risco baixo (0-1 fator): considerar profilaxia com 1 agente ou estratégia expectante conforme preferência/protocolo institucional.
  3. 3Risco moderado a alto (≥2 fatores): profilaxia multimodal combinando ≥2 classes farmacológicas diferentes (tipicamente antagonista 5-HT3 + dexametasona, associando antagonista dopaminérgico, escopolamina ou antagonista NK-1 conforme risco e disponibilidade).
  4. 4Reduzir fatores de risco anestésicos modificáveis quando possível: preferir anestesia regional/total intravenosa com propofol a anestésico volátil, minimizar opioide perioperatório, evitar óxido nitroso em paciente de alto risco.
  5. 5Tratamento de resgate: usar antiemético de classe farmacológica diferente da já utilizada na profilaxia.

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar — escolha do esquema depende do risco estimado e de contraindicações individuais. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Ondansetrona IV, dose única, próximo ao final da cirurgia ___
  • Dexametasona IV, dose única, na indução ___
  • Associar antagonista dopaminérgico ou escopolamina transdérmica se risco alto (Apfel 3-4) ___
  • Resgate com antiemético de classe diferente da profilaxia, se náusea/vômito no pós-operatório ___

Recomendações

  • Estratificar risco com escore de Apfel antes de escolher o esquema
  • Minimizar opioide perioperatório e preferir anestesia total intravenosa em paciente de alto risco

Referências

  1. [1]Fifth Consensus Guidelines for the Management of Postoperative Nausea and Vomiting, 2025
  2. [2]Fourth Consensus Guidelines for the Management of Postoperative Nausea and Vomiting, Anesthesia & Analgesia, 2020

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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