hipertermia malignadantrolenorigidez de masseterhipercapnia inexplicadaemergencia anestesicasuccinilcolinaanestesico volatilestudarprescrever

Hipertermia maligna — reconhecimento e conduta de emergência

Durante a anestesia, o paciente desenvolve hipercapnia inexplicada, taquicardia e rigidez muscular — como reconheço hipertermia maligna e conduzo a emergência sem perder tempo?

Red flags — sinais de gravidade

  • Erro que mata: atrasar a administração de dantroleno esperando confirmação diagnóstica adicional — hipertermia maligna não tratada evolui rapidamente para acidose grave, arritmia e óbito
  • Continuar anestésico volátil/succinilcolina após suspeita razoável de hipertermia maligna — suspender é a primeira ação, antes mesmo do dantroleno estar pronto
  • Hipercalemia grave com arritmia associada — tratar agressivamente em paralelo ao dantroleno, risco de parada cardíaca
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Sinais precoces (surgem antes da febre, que é tardia): hipercapnia inexplicada (EtCO2 >55 mmHg) refratária a ajuste de ventilação, taquicardia, rigidez de masseter após succinilcolina
  • Suspender IMEDIATAMENTE o agente desencadeante (anestésico volátil e/ou succinilcolina) assim que houver suspeita — não esperar confirmação laboratorial
  • Chamar ajuda e acionar o protocolo de hipertermia maligna da instituição imediatamente — é evento que exige múltiplas mãos
  • Ter localização do dantroleno e do carrinho de hipertermia maligna conhecida por toda a equipe antes de qualquer cirurgia com agente desencadeante

Conduta inicial

  1. 1Suspender imediatamente todo agente anestésico desencadeante (anestésico volátil, succinilcolina) assim que houver suspeita clínica razoável — não aguardar confirmação laboratorial.
  2. 2Chamar ajuda e acionar o protocolo institucional de hipertermia maligna de imediato — trocar o circuito/absorvedor de CO2 e hiperventilar com oxigênio a 100% em alto fluxo.
  3. 3Administrar dantroleno IV em bolus (dose inicial 2,5 mg/kg), repetindo conforme resposta clínica até controle da hipermetabolismo — não há dose máxima fixa quando a resposta ainda é insuficiente.
  4. 4Resfriamento ativo (compressas geladas, soro gelado IV, lavagem de cavidades se disponível) com meta de temperatura central ≤38°C, evitando hipotermia iatrogênica por resfriamento excessivo.
  5. 5Tratar hipercalemia, acidose e arritmias associadas de forma agressiva e em paralelo ao dantroleno — monitorização contínua de ECG, gasometria seriada, potássio, CPK e mioglobina urinária.
  6. 6Cancelar ou suspender o procedimento cirúrgico assim que possível com segurança, e transferir para UTI para monitorização prolongada (risco de recrudescência nas primeiras 24-36h).

Exames

  • Gasometria arterial seriada, eletrólitos (potássio), CPK, mioglobina urinária
  • ECG contínuo (arritmia por hipercalemia)
  • Coagulograma (risco de CIVD em casos graves)

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar conforme protocolo institucional de hipertermia maligna. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Soro

  • Soro gelado IV como parte do resfriamento ativo, evitando hipotermia excessiva ___

Medicamentos

  • Dantroleno IV 2,5 mg/kg em bolus, repetindo conforme resposta clínica até controle do hipermetabolismo ___
  • Tratamento de hipercalemia/acidose associadas (ex. gluconato de cálcio, insulina + glicose, bicarbonato) conforme gasometria e potássio ___

Recomendações

  • Suspender imediatamente agente desencadeante e acionar protocolo institucional de hipertermia maligna
  • Resfriamento ativo com meta ≤38°C, monitorização contínua e transferência para UTI

Exames

  • Gasometria, potássio, CPK e mioglobina seriados

Referências

  1. [1]MHAUS (Malignant Hyperthermia Association of the United States) — recomendações de manejo e dose de dantroleno (2,5 mg/kg bolus inicial, sem teto rígido)
  2. [2]JSA guideline for management of malignant hyperthermia in 2025, Japanese Society of Anesthesiologists, Journal of Anesthesia, 2025 (recomenda dose inicial de 1-2 mg/kg — menor que o padrão MHAUS/internacional de 2,5 mg/kg citado acima; seguir o protocolo institucional vigente)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

Criar conta

Quer receber os próximos verbetes por e-mail? Sem spam, cancela quando quiser.

Ver todos os verbetes