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Analgesia pós-operatória multimodal
Como monto um plano de analgesia pós-operatória multimodal que controle bem a dor sem depender só de opioide?
Red flags — sinais de gravidade
Prescrever opioide como única estratégia analgésica de um plano pós-operatório — associado a mais efeito colateral, maior risco de dependência e pior controle global da dor do que abordagem multimodal
Não ajustar AINE por função renal/risco de sangramento em paciente de risco (idoso, nefropata, uso de anticoagulante)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Planejar a analgesia antes do fim da cirurgia, não só na reação do paciente à dor na recuperação
Combinar classes farmacológicas com mecanismos diferentes: analgésico simples/AINE + adjuvante + técnica locorregional quando aplicável
Reservar opioide para dor de resgate/breakthrough, não como estratégia primária isolada
Considerar bloqueio de nervo periférico/infiltração de ferida conforme o tipo de cirurgia — reduz consumo de opioide sistêmico
Conduta inicial
1Incorporar analgesia multimodal com não-opioide e técnica locorregional em praticamente todo procedimento cirúrgico, independente do porte — não é exceção reservada a grandes cirurgias.
2Base: analgésico simples (paracetamol/dipirona) + AINE (se sem contraindicação) em horário fixo, não apenas se necessário, nas primeiras 24-48h.
3Gabapentinoide perioperatório de rotina não é mais recomendado — meta-análise de 281 ensaios (Verret et al., Anesthesiology 2020) mostrou efeito analgésico abaixo do clinicamente relevante e mais tontura/distúrbio visual, sem redução de dor crônica; considerar apenas em casos individualizados de alto risco de dor neuropática, ponderando sedação — e evitar em quem já tem risco de depressão respiratória (ex. apneia do sono, ver anest-009). Dexametasona já usada para PONV também contribui para analgesia, sem essa ressalva.
4Bloqueio de nervo periférico ou infiltração de ferida com anestésico local, quando aplicável ao tipo de cirurgia, reduz consumo de opioide e melhora escore de dor nas primeiras horas.
5Reservar opioide para resgate de dor breakthrough, com a menor dose eficaz e reavaliação de necessidade contínua a cada prescrição — não perpetuar prescrição de opioide além do necessário na alta.
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar — doses ajustadas por função renal, risco de sangramento e perfil individual do paciente. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Paracetamol ou dipirona em horário fixo nas primeiras 24-48h ___
AINE em horário fixo se sem contraindicação renal/hemorrágica ___
Opioide de resgate em menor dose eficaz, para dor breakthrough, reavaliando necessidade a cada prescrição ___
Bloqueio de nervo periférico/infiltração de ferida com anestésico local, conforme tipo de cirurgia ___
Recomendações
Planejar a analgesia multimodal antes do fim da cirurgia, não reativamente
Reavaliar necessidade de opioide a cada prescrição, evitar perpetuação na alta
Referências
[1]Peri-operative pain management in adults: a multidisciplinary consensus statement, Association of Anaesthetists and the British Pain Society, Anaesthesia, 2024
[2]PROSPECT (Procedure Specific Postoperative Pain Management) — recomendações específicas por procedimento
[3]Verret M et al. — Perioperative Use of Gabapentinoids for the Management of Postoperative Acute Pain: A Systematic Review and Meta-analysis, Anesthesiology, 2020;133(2):265-279
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.