Colecistite, colangite e pancreatite — diferenciação
Paciente com dor em hipocôndrio direito. Como diferenciar colecistite, colangite e pancreatite biliar?
Red flags — sinais de gravidade
Tríade/pêntade de Charcot-Reynolds (colangite + confusão + hipotensão) → colangite grave, indicação de drenagem urgente
Sinais de sepse associados a quadro biliar
Vesícula em abdome agudo com piora progressiva (suspeita de perfuração/gangrena)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Tríade de Charcot (dor + febre + icterícia) → pensar em colangite
Sinal de Murphy positivo → pensar em colecistite
Amilase/lipase elevadas → pensar em pancreatite
Bilirrubina, fosfatase alcalina, GGT, TGO/TGP
USG de abdome (primeira linha) — parede vesicular, coleção, dilatação de via biliar
Hemograma e PCR (resposta inflamatória)
Conduta inicial
1Colecistite aguda: (1) confirmar com USG (espessamento de parede, líquido pericolecístico, Murphy ultrassonográfico); (2) antibioticoterapia + analgesia + jejum; (3) colecistectomia videolaparoscópica precoce (dentro de 7–10 dias do início dos sintomas, conforme Tokyo Guidelines/TG18 e WSES atuais) é o padrão em pacientes operáveis; não há corte rígido de 72h além do qual a cirurgia precoce esteja contraindicada.
2Colangite aguda: (1) confirmar dilatação de via biliar / coleção + quadro clínico compatível; (2) antibioticoterapia imediata; (3) drenagem biliar urgente (CPRE ou drenagem percutânea) se moderada/grave — não atrasar por estabilização prolongada.
3Pancreatite biliar: ver verbete específico 04-pancreatite.md.
Exames
USG de abdome: primeira linha para via biliar
TC de abdome: se dúvida diagnóstica ou suspeita de complicação
Colangio-RM ou CPRE: se suspeita de coledocolitíase
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Dieta zero
Medicamentos
Antibioticoterapia cobrindo gram-negativos entéricos e anaeróbios (ver 10-antibiotico-cirurgia.md)
Analgesia e antiemético
Referências
[1]Tokyo Guidelines 2018 (TG18): flowchart for the management of acute cholecystitis (J Hepatobiliary Pancreat Sci, 2018)
[2]Tokyo Guidelines 2018 (TG18): antimicrobial therapy for acute cholangitis and cholecystitis (J Hepatobiliary Pancreat Sci, 2018)
[3]WSES Guidelines for acute calculous cholecystitis (World Journal of Emergency Surgery, 2020)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.