Antibioticoterapia em cirurgia — escolha e profilaxia
Como escolher antibiótico para infecção intra-abdominal e como fazer antibioticoprofilaxia cirúrgica?
Red flags — sinais de gravidade
Alergia grave a betalactâmico (anafilaxia) muda completamente o esquema
Disfunção renal exige ajuste de dose, não suspensão do tratamento
Sepse grave: não atrasar a primeira dose por dúvida de esquema — iniciar amplo espectro e reavaliar
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Definir se é profilaxia (cirurgia limpa/limpa-contaminada) ou tratamento (infecção estabelecida)
Identificar foco e flora esperada (gram-negativos entéricos, anaeróbios em foco intra-abdominal)
Checar alergias (especialmente betalactâmicos)
Checar função renal para ajuste de dose
Verificar protocolo local de resistência (CCIH do serviço)
Conduta inicial
1Antibioticoprofilaxia cirúrgica (cirurgia limpa/limpa-contaminada): (1) dose única, administrada 30–60 minutos antes da incisão; (2) cefazolina é a escolha padrão na maioria dos procedimentos limpos; (3) procedimentos colorretais/intra-abdominais: cobertura adicional para anaeróbios (associar metronidazol, ou usar cefoxitina/ampicilina-sulbactam conforme protocolo local); (4) redosar se cirurgia prolongada (> 2 meias-vidas do antibiótico) ou perda sanguínea significativa; (5) não prolongar profilaxia além de 24h — profilaxia prolongada não reduz infecção e aumenta resistência.
2Tratamento de infecção intra-abdominal estabelecida: comunitária/baixo risco — ceftriaxona + metronidazol, ou ampicilina-sulbactam; risco moderado/alto ou associada a cuidados de saúde — piperacilina-tazobactam; suspeita de multirresistência (uso prévio de antibiótico, internação prolongada) — meropenem; colonização conhecida por MRSA ou contexto de dispositivo intravascular concomitante — associar vancomicina (não é rotina de toda infecção intra-abdominal grave sem esses fatores); suspeita de fungo (paciente grave, cirurgia abdominal recidivada, uso prolongado de antibiótico) — considerar fluconazol; alérgico a betalactâmico — alternativas variam por gravidade da alergia, discutir com staff/infectologia.
Exames
Função renal (ajuste de dose)
Culturas antes da primeira dose, quando possível, sem atrasar o antibiótico
Hemograma e PCR para acompanhar resposta
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever. Doses devem seguir a bula vigente e o protocolo de antimicrobianos do serviço (CCIH).
Medicamentos
Profilaxia: cefazolina dose única pré-incisão (associar metronidazol se cirurgia colorretal)
Infecção grave/nosocomial: piperacilina-tazobactam ou meropenem conforme risco
Referências
[1]ASHP/IDSA/SIS/SHEA Clinical Practice Guidelines for Antimicrobial Prophylaxis in Surgery (American Journal of Health-System Pharmacy, 2013)
[2]2024 IDSA Clinical Practice Guideline Update on Complicated Intra-abdominal Infections (Clinical Infectious Diseases, 2024)
[3]WHO Global Guidelines for the Prevention of Surgical Site Infection, 2ª edição (2018)
[4]Protocolo local de antimicrobianos (CCIH)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável. Doses e esquemas devem ser confirmados com bula vigente e protocolo de antimicrobianos do serviço.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.