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Prescrição pós-operatória — analgesia, profilaxia e cuidados gerais

Como estruturar a prescrição pós-operatória padrão de um paciente cirúrgico?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor desproporcional ao esperado para o procedimento → investigar complicação, não apenas aumentar analgesia
  • Débito urinário baixo ou hidratação inadequada
  • Sinais de sangramento ativo (taquicardia, queda de Hb, dreno com débito hemático crescente)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Dieta (zero, líquida, branda, livre) conforme procedimento e tolerância
  • Hidratação venosa
  • Analgesia escalonada
  • Antiemético
  • Profilaxia de TEV (mecânica e/ou farmacológica)
  • Profilaxia de úlcera de estresse se indicado
  • Cuidados de enfermagem (curativo, dreno, sonda, mobilização precoce)
  • Reavaliação de antibiótico (manter, suspender ou ajustar)

Conduta inicial

  1. 1Definir dieta conforme procedimento — protocolos de recuperação acelerada (ERAS) favorecem reintrodução precoce de dieta na maioria das cirurgias abdominais.
  2. 2Hidratação venosa de manutenção até aceitação via oral adequada.
  3. 3Analgesia escalonada (multimodal): analgésico simples + anti-inflamatório (se sem contraindicação) + opioide de resgate para dor moderada/forte.
  4. 4Antiemético de horário ou se necessário nas primeiras 24–48h.
  5. 5Profilaxia de TEV: mecânica (meias/compressão pneumática) sempre que possível; farmacológica (heparina de baixo peso) conforme risco — calcular escore de Caprini para decidir.
  6. 6Mobilização precoce e reintrodução de dieta — pilares de recuperação pós-operatória.
  7. 7Reavaliar necessidade de antibiótico: profilaxia cirúrgica não deve ser prolongada além de 24h (ver 10-antibiotico-cirurgia.md).

Exames

  • Hemograma de controle se sangramento suspeito ou cirurgia de maior porte
  • Função renal e eletrólitos se hidratação prolongada
  • Exames dirigidos a sinais de complicação (ver 14-complicacoes-pos-operatorias.md)

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta conforme tolerância e procedimento

Soro

  • Hidratação venosa de manutenção

Medicamentos

  • Analgesia: dipirona/paracetamol de horário + anti-inflamatório (se sem contraindicação) + opioide de resgate (tramadol ou morfina conforme intensidade)
  • Antiemético: ondansetrona se náusea/vômito
  • Profilaxia de TEV: enoxaparina conforme escore de Caprini (ajustar dose na insuficiência renal) + meia/compressão mecânica
  • Profilaxia de úlcera de estresse (IBP EV) se fator de risco presente (paciente crítico, coagulopatia, ventilação mecânica prolongada)

Referências

  1. [1]Gustafsson UO et al. — Guidelines for Perioperative Care in Elective Colorectal Surgery: ERAS Society Recommendations 2018, World Journal of Surgery, 2019
  2. [2]Caprini JA — Thrombosis risk assessment as a guide to quality patient care, Disease-a-Month, 2005 (escore de Caprini)
  3. [3]American Pain Society/ASA/ASRA — Management of Postoperative Pain: Clinical Practice Guideline, Journal of Pain, 2016

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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