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Complicações pós-operatórias — reconhecimento e classificação

Como reconhecer e classificar as complicações pós-operatórias mais comuns (deiscência, infecção de sítio cirúrgico, complicação de estomia)?

Red flags — sinais de gravidade

  • Febre pós-operatória com taquicardia e dor desproporcional → investigar deiscência de anastomose/coleção, não atribuir a causa benigna sem investigar
  • Estomia com coloração escura/isquêmica → suspeita de isquemia, avaliação urgente
  • Deiscência de ferida operatória com evisceração → emergência cirúrgica
  • Secreção purulenta com sinais sistêmicos → infecção de sítio cirúrgico profunda, investigar coleção
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Febre pós-operatória: definir tempo de início (precoce vs. tardia) e investigar causa sistematicamente
  • Ferida operatória: sinais de infecção (eritema, calor, secreção, deiscência)
  • Estomia: coloração, perfusão, retração, prolapso, débito
  • Classificar gravidade da complicação pela escala de Clavien-Dindo
  • Definir se há indicação de reabordagem (clínica, percutânea ou cirúrgica)

Conduta inicial

  1. 1Febre pós-operatória: investigar pelos "5 W" classicamente ensinados (Wind = atelectasia/pneumonia, Water = infecção urinária, Wound = ferida operatória, Walking = TEV, Wonder drugs = febre por droga) — adaptar à cronologia (precoce nas primeiras 48h geralmente respiratória; após 72h pensar em sítio cirúrgico, urinário, TEV).
  2. 2Infecção de sítio cirúrgico: abrir a ferida para drenagem se coleção superficial; antibiótico se celulite associada ou sinais sistêmicos; investigar coleção profunda com imagem se suspeita.
  3. 3Deiscência de ferida: avaliar profundidade (só pele/subcutâneo vs. aponeurose); deiscência de aponeurose com evisceração é emergência cirúrgica.
  4. 4Complicação de estomia: isquemia/necrose exige avaliação cirúrgica urgente; retração ou prolapso sem sofrimento podem ser acompanhados, mas precisam de avaliação especializada.
  5. 5Classificar a complicação pela escala de Clavien-Dindo para registro e comunicação padronizada (I: sem necessidade de tratamento além do habitual; II: tratamento farmacológico; III: necessidade de reintervenção; IV: disfunção orgânica/UTI; V: óbito).

Exames

  • Hemograma, PCR
  • TC de abdome se suspeita de coleção/deiscência de anastomose
  • Cultura de secreção de ferida se infecção
  • USG de parede/Doppler se suspeita de TEV

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Medicamentos

  • Antibioticoterapia conforme foco suspeito (ver 10-antibiotico-cirurgia.md)
  • Analgesia

Recomendações

  • Curativo conforme tipo de ferida

Referências

  1. [1]Dindo D, Demartines N, Clavien PA — Classification of Surgical Complications: A New Proposal, Annals of Surgery, 2004
  2. [2]ACS NSQIP — Operations Manual, definições padronizadas de complicação cirúrgica, American College of Surgeons, 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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