UTI básica para o cirurgião — ventilação, sedação e analgesia
Paciente cirúrgico em UTI. Como conduzir os pontos básicos de ventilação mecânica, sedação e analgesia?
Red flags — sinais de gravidade
Assincronia ventilatória importante ou pressões de via aérea elevadas → reavaliar parâmetros e causas (pneumotórax, obstrução de tubo, broncoespasmo)
RASS muito negativo sem indicação (sedação excessiva) prolonga tempo de ventilação
Delirium não reconhecido — fator de risco para pior desfecho
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Parâmetros ventilatórios iniciais e meta de proteção pulmonar
Escala de sedação (RASS) com meta definida diariamente
Avaliar dor mesmo em paciente sedado (escalas comportamentais)
Triagem diária para delirium
Critérios de elegibilidade para extubação revisados diariamente
Profilaxia de TEV e de úlcera de estresse
Conduta inicial
1Ventilação mecânica inicial: volume corrente baixo (cerca de 6 mL/kg de peso predito), PEEP inicial moderada (titular conforme oxigenação e mecânica respiratória), FiO2 no menor valor que mantenha SatO2 adequada — estratégia de proteção pulmonar como padrão, mesmo fora de SDRA.
2Ajuste de PEEP/FiO2: titular pela tabela PEEP/FiO2 ou por resposta de oxigenação, evitando tanto hipoxemia quanto hiperdistensão.
3Sedação: meta de RASS definida e reavaliada diariamente (geralmente sedação leve, RASS 0 a -2, salvo indicação específica para sedação profunda); preferir agentes com despertar mais previsível (propofol, dexmedetomidina) quando possível; midazolam associado a maior risco de delirium em uso prolongado.
4Analgesia: tratar a dor antes/junto da sedação ("analgesia-first"); opioides (fentanil) são a base, com escalas comportamentais de dor em paciente não comunicativo.
6Extubação: revisar diariamente critérios (resolução da causa da ventilação, estabilidade hemodinâmica, nível de consciência adequado, teste de respiração espontânea bem-sucedido).
Exames
Gasometria arterial seriada
Radiografia de tórax para posicionamento de tubo e avaliação pulmonar
Avaliação diária de sedação (RASS) e delirium (CAM-ICU)
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Medicamentos
Sedoanalgesia: fentanil (analgesia de base) + propofol ou dexmedetomidina (sedação leve), titulados por meta de RASS
Profilaxia de TEV e de úlcera de estresse conforme protocolo de paciente crítico
Recomendações
Evitar benzodiazepínico (midazolam) como primeira escolha em sedação prolongada, salvo indicação específica
Referências
[1]The Acute Respiratory Distress Syndrome Network — Ventilation with Lower Tidal Volumes as Compared with Traditional Tidal Volumes (ARDSNet/ARMA), New England Journal of Medicine, 2000
[2]Devlin JW, Skrobik Y, Gélinas C et al. — Clinical Practice Guidelines for Pain, Agitation/Sedation, Delirium, Immobility, and Sleep Disruption (PADIS), SCCM, Critical Care Medicine, 2018
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.