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FASTHUG-BID — checklist diário de UTI letra por letra, com modelo de prescrição

Como revisar de forma sistemática (e duas vezes ao dia) todos os cuidados básicos de um paciente crítico, usando o mnemônico FASTHUG-BID?

Red flags — sinais de gravidade

  • Pular a revisão em paciente "estável" — é justamente nesses pacientes que itens como sonda vesical ou antibiótico esquecido se acumulam
  • Manter cateter/sonda/dreno sem reavaliar necessidade diária (principal fator de infecção associada a dispositivo)
  • Manter antibiótico de amplo espectro sem reavaliar cultura e foco (favorece resistência)
  • Sedação mais profunda que o necessário (RASS muito negativo) sem indicação clara
  • Hiperglicemia ou hipoglicemia não corrigidas
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • F — Feeding (nutrição)
  • A — Analgesia
  • S — Sedação
  • T — Tromboprofilaxia
  • H — Head of bed elevation (cabeceira elevada)
  • U — Úlcera de estresse (profilaxia)
  • G — Glicemia (controle glicêmico)
  • S — Spontaneous breathing trial (teste de respiração espontânea / elegibilidade para extubação)
  • B — Bowel regimen (regime intestinal)
  • I — Indwelling catheters (necessidade de cateteres/sondas/drenos)
  • D — De-escalation of antibiotics (descalonamento de antibiótico)
  • BID — repetir essa revisão duas vezes ao dia (manhã e fim de tarde/noite), não só uma vez

Conduta inicial

  1. 1F — Feeding: iniciar dieta enteral precocemente (24–48h) se hemodinamicamente estável e sem contraindicação; via oral/enteral preferida sobre parenteral sempre que possível.
  2. 2A — Analgesia: avaliar dor com escala numérica (paciente comunicativo) ou comportamental (paciente sedado). "Analgesia antes de sedação."
  3. 3S — Sedação: meta de RASS definida e atingida? Reavaliar necessidade de manter ou reduzir.
  4. 4T — Tromboprofilaxia: profilaxia de TEV (mecânica e/ou farmacológica) compatível com o risco e sem contraindicação ativa (sangramento)?
  5. 5H — Head of bed elevation: cabeceira elevada (30–45°) em ventilação mecânica ou risco de aspiração, salvo contraindicação.
  6. 6U — Úlcera de estresse: paciente tem fator de risco (VM >48h, coagulopatia, choque) que justifique profilaxia farmacológica?
  7. 7G — Glicemia: dentro de meta? Evitar hiperglicemia sustentada e hipoglicemia.
  8. 8S — Spontaneous breathing trial: paciente em VM preenche critérios para teste de respiração espontânea hoje?
  9. 9B — Bowel regimen: houve eliminação intestinal nas últimas 48–72h?
  10. 10I — Indwelling catheters: cada cateter/sonda/dreno ainda tem indicação ativa? Remover o que não for mais necessário.
  11. 11D — De-escalation of antibiotics: há cultura disponível para guiar descalonamento? Antibiótico em uso tem data de término definida?

Exames

  • Glicemia capilar seriada
  • Hemograma, função renal, eletrólitos (rotina de paciente crítico)
  • Resultado de culturas pendentes (para descalonamento de antibiótico)
  • Avaliação diária de RASS e de critérios de teste de respiração espontânea

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia, risco de sangramento e protocolo local antes de prescrever. As doses abaixo são faixas usuais de referência da literatura de terapia intensiva, não prescrição fechada para um paciente específico.

Dieta

  • F — Nutrição enteral: iniciar em 24–48h se estável; meta calórica ~20–25 kcal/kg/dia; proteína ~1,2–2,0 g/kg/dia

Medicamentos

  • A — Analgesia: fentanil em infusão contínua (titulado por escala de dor/RASS); associar analgésico simples (dipirona/paracetamol) de horário quando possível
  • S — Sedação: propofol ou dexmedetomidina como primeira escolha para sedação leve; evitar midazolam em infusão prolongada (maior risco de delirium)
  • T — Tromboprofilaxia: enoxaparina 40 mg SC 1x/dia (ajustar na disfunção renal) ou heparina não fracionada 5.000 UI SC 8/8h–12/12h, associada a profilaxia mecânica; suspender se sangramento ativo ou plaquetopenia importante
  • U — Úlcera de estresse: omeprazol ou pantoprazol 40 mg IV 1x/dia se fator de risco presente; suspender quando o fator de risco resolver
  • G — Controle glicêmico: meta geral ~140–180 mg/dL no paciente crítico; insulina regular por protocolo de correção (sliding scale) ou infusão contínua se instabilidade importante
  • B — Regime intestinal: considerar laxante (ex.: lactulose) se ausência de eliminação por >72h sem outra explicação
  • D — Antibiótico: revisar esquema vigente, descalonar para o espectro mais estreito guiado por cultura, definir e registrar data prevista de término

Recomendações

  • H — Cabeceira elevada: 30–45°, rotina de enfermagem, sem prescrição medicamentosa
  • S — Teste de respiração espontânea: checklist diário de elegibilidade, não é prescrição medicamentosa
  • I — Cateteres/sondas/drenos: decisão diária de manter ou remover cada dispositivo, não é prescrição medicamentosa

Referências

  1. [1]Vincent JL. Give your patient a fast hug (at least) once a day. Crit Care Med. 2005.
  2. [2]Vincent JL, Hatton KW. Critically ill patients need "FAST HUGS BID" (an updated mnemonic). Crit Care Med. 2009.
  3. [3]LITFL — "FAST HUGS IN BED Please!"
  4. [4]Deranged Physiology — Elements of routine care in the ICU: FASTHUG
  5. [5]SCCM Clinical Practice Guidelines for Pain, Agitation, and Delirium (PADIS)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável. As faixas de dose são referência geral de literatura — confirmar sempre com bula vigente, função renal/hepática do paciente e protocolo de antimicrobianos/farmácia do serviço antes de prescrever.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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