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Síndrome compartimental abdominal

Paciente grave com abdome distendido, piora respiratória e oligúria. Como avalio hipertensão intra-abdominal e síndrome compartimental?

Red flags — sinais de gravidade

  • PIA >20mmHg associada a nova disfunção de órgão (síndrome compartimental estabelecida)
  • Oligúria/anúria refratária a volume em paciente com abdome tenso
  • Piora respiratória aguda com aumento de pico de pressão em via aérea
  • Redução de débito cardíaco por compressão de veia cava
  • Abdome tenso, distendido, sem melhora com medidas clínicas
  • Acidose metabólica progressiva sem outra explicação
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Identificar fatores de risco: grande ressuscitação volêmica, trauma, pancreatite grave, ascite volumosa, pós-operatório abdominal extenso
  • Medir pressão intra-abdominal (PIA) por via vesical — padrão-ouro à beira-leito
  • Correlacionar PIA com disfunção orgânica: respiratória (pico de pressão de via aérea), renal (oligúria), hemodinâmica (redução de débito cardíaco)
  • Classificar grau de hipertensão intra-abdominal (I a IV, conforme valor de PIA)
  • Distinguir hipertensão intra-abdominal (PIA elevada) de síndrome compartimental (PIA >20mmHg + nova disfunção orgânica)
  • Reavaliar balanço hídrico acumulado — ressuscitação excessiva é fator de risco maior
  • Excluir outras causas de piora respiratória/renal antes de atribuir à PIA isoladamente
  • Medir PIA seriada em pacientes de risco, não apenas quando já há disfunção estabelecida

Conduta inicial

  1. 1Medidas clínicas iniciais para hipertensão intra-abdominal: sedação/analgesia adequada, descompressão gástrica (SNG) e retal, otimizar posição (evitar cabeceira muito elevada), balanço hídrico neutro ou negativo.
  2. 2Revisar necessidade de manter ressuscitação volêmica agressiva — reduzir se possível.
  3. 3Paracentese de alívio se ascite volumosa contribuindo para PIA elevada.
  4. 4Monitorização seriada de PIA a cada 4-6h em paciente de risco.
  5. 5Suporte de órgãos conforme disfunção (ventilatório, hemodinâmico, renal).
  6. 6Síndrome compartimental estabelecida (PIA >20mmHg + nova disfunção orgânica) refratária a medidas clínicas: indicação de descompressão cirúrgica (laparostomia).
  7. 7Avaliação cirúrgica precoce, antes da instalação de falência orgânica múltipla.

Exames

  • PIA por via vesical: método padrão à beira-leito, medir em decúbito dorsal, final da expiração
  • Gasometria arterial: acompanhar acidose e oxigenação
  • Função renal seriada: acompanhar débito urinário e creatinina
  • TC de abdome se dúvida diagnóstica sobre causa da distensão

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta zero

Soro

  • Reavaliar necessidade de volume, buscar balanço hídrico neutro ou negativo

Medicamentos

  • Sedação e analgesia adequadas para reduzir tônus de parede abdominal
  • Diurético se sobrecarga volêmica e estabilidade hemodinâmica permitirem

Recomendações

  • Sondagem nasogástrica e retal para descompressão
  • Medida seriada de PIA a cada 4-6h

Exames

  • PIA seriada
  • Gasometria arterial seriada

Referências

  1. [1]Intra-abdominal hypertension and the abdominal compartment syndrome: updated consensus definitions and clinical practice guidelines from the World Society of the Abdominal Compartment Syndrome (WSACS), Intensive Care Med, 2013
  2. [2]Sabiston Textbook of Surgery, Townsend CM et al., capítulo de síndrome compartimental abdominal

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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