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Fasciíte necrosante / infecção necrosante de partes moles

Paciente com dor desproporcional, toxemia e lesão de pele que evolui rápido. Como diferenciar de celulite e o que não pode atrasar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor desproporcional ao exame ou anestesia cutânea sobre a lesão
  • Progressão do eritema/edema em horas, bolhas hemorrágicas, crepitação ou necrose
  • Instabilidade hemodinâmica / sepse associada
  • Imunossuprimido, diabético ou envolvimento perineal (Fournier) — alta letalidade
  • Aguardar imagem ou resposta a antibiótico antes de explorar cirurgicamente — o atraso do desbridamento é o principal determinante de mortalidade
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Suspeitar sempre que a dor for desproporcional ao achado visível de pele
  • Procurar sinais de alarme: edema além da área de eritema, bolhas/flictenas hemorrágicas, crepitação, anestesia cutânea, necrose, secreção acinzentada ('água de lavado')
  • Avaliar toxemia sistêmica: taquicardia, hipotensão, febre ou hipotermia, confusão — sinais de sepse
  • Calcular escore LRINEC como apoio (não exclui o diagnóstico se baixo — a clínica manda)
  • Marcar a borda do eritema com caneta para acompanhar progressão em horas
  • Acionar cirurgia imediatamente — diagnóstico é cirúrgico, imagem não pode atrasar exploração

Conduta inicial

  1. 1Reconhecer que o diagnóstico é clínico-cirúrgico: a exploração e o desbridamento precoce não devem ser adiados por exames.
  2. 2Ressuscitação como sepse/choque em paralelo: cristaloide guiado por resposta, vasopressor se hipotensão refratária (ver 09-sepse.md e verbete de choque).
  3. 3Antibiótico de amplo espectro empírico o mais precoce possível, cobrindo Gram-positivos (incluindo MRSA), Gram-negativos e anaeróbios — ex.: piperacilina-tazobactam + vancomicina; associar clindamicina pelo efeito antitoxina em infecção estreptocócica/clostridial. Ajustar depois por cultura e protocolo da CCIH.
  4. 4Coletar culturas (sangue e tecido do intraoperatório) sem atrasar antibiótico nem cirurgia.
  5. 5Desbridamento cirúrgico amplo e precoce de todo tecido desvitalizado; reexploração programada em 24–48h é a regra, pois a extensão real costuma ser maior que a aparente.
  6. 6TC/RM só quando não atrasam a cirurgia e há dúvida sobre extensão profunda — nunca como pré-requisito para operar o paciente instável ou com sinais francos.
  7. 7Suporte em UTI e discussão de imunoglobulina/terapias adjuvantes com infectologia em casos selecionados (ex.: choque tóxico estreptocócico).

Exames

  • Hemograma, PCR, função renal, sódio, glicemia, CPK, lactato (compõem o LRINEC e avaliam gravidade)
  • Gasometria e coagulograma
  • Culturas de sangue e de tecido do intraoperatório
  • Imagem (TC/RM) apenas se não atrasar a exploração cirúrgica

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever. Antibiótico e cirurgia são urgências simultâneas — nenhum substitui o outro.

Dieta

  • Jejum (paciente cirúrgico)

Soro

  • Cristaloide para ressuscitação, guiado por resposta clínica

Medicamentos

  • Piperacilina-tazobactam EV (ajuste por função renal) — cobertura ampla empírica
  • Vancomicina EV para cobertura de MRSA
  • Clindamicina EV pelo efeito antitoxina (infecção estreptocócica/clostridial)
  • Analgesia e noradrenalina em BIC se choque (ver verbetes de sepse/choque)

Recomendações

  • Acionar cirurgia imediatamente para desbridamento
  • Programar reexploração em 24–48h
  • Discutir vaga de UTI precocemente

Referências

  1. [1]Sartelli M et al. 2018 WSES/SIS-E consensus conference: recommendations for the management of skin and soft-tissue infections. World Journal of Emergency Surgery (WSES), 2018
  2. [2]Stevens DL et al. Practice Guidelines for the Diagnosis and Management of Skin and Soft Tissue Infections (IDSA), Clinical Infectious Diseases, 2014

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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