Red flags — sinais de gravidade
- Hipotensão, taquicardia, choque hipovolêmico
- Hematêmese volumosa ou em grande quantidade, sangue vivo
- Melena associada a instabilidade ou queda de hemoglobina importante
- Rebaixamento de consciência (risco de aspiração, hipoperfusão)
- Estigmas de hepatopatia crônica/hipertensão portal (suspeita de varizes esofágicas — maior mortalidade)
- Coagulopatia ou uso de anticoagulante
- Erro que mata: postergar a reposição volêmica para "esperar a endoscopia"
- Erro que mata: não suspeitar de varizes em hepatopata e não cobrir com droga vasoativa/antibiótico antes da EDA
- Erro que mata: extubação tardia ou ausência de proteção de via aérea em paciente com hematêmese maciça e rebaixamento de consciência
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você. Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
- Confirmar hemorragia digestiva alta (hematêmese, melena, ou enterorragia volumosa com instabilidade sugerindo trânsito rápido)
- Avaliar estabilidade hemodinâmica primeiro — reposição volêmica precede a investigação etiológica
- Estratificar risco (Glasgow-Blatchford pré-endoscopia; Forrest na endoscopia para risco de ressangramento)
- Investigar uso de anticoagulante/antiagregante e doença hepática/varizes prévias
- Iniciar inibidor de bomba de protons (IBP) IV empiricamente antes da endoscopia
- Considerar terlipressina/octreotide e antibiótico profilático se suspeita de varizes (hepatopata)
- Definir tempo da endoscopia digestiva alta (EDA) conforme risco e estabilidade
Conduta inicial
- 1Avaliar ABC: vias aéreas (proteção se hematêmese volumosa e rebaixamento de consciência), dois acessos venosos calibrosos.
- 2Reposição volêmica com cristaloide guiada por resposta hemodinâmica; transfusão conforme estabilidade e comorbidade (gatilho individualizado).
- 3Corrigir coagulopatia/trombocitopenia significativa conforme contexto; suspender/reverter anticoagulante conforme risco-benefício.
- 4Iniciar IBP intravenoso empiricamente antes da endoscopia.
- 5Se suspeita de etiologia varicosa: iniciar droga vasoativa (terlipressina ou octreotide) e antibiótico profilático precocemente, antes da endoscopia.
- 6Estratificar risco com escore clínico (ex.: Glasgow-Blatchford) para definir internação e tempo da EDA.
- 7Solicitar EDA dentro da janela recomendada conforme estabilidade.
- 8Manter jejum até definição endoscópica.
Exames
- Hemograma completo, tipagem sanguínea e prova cruzada
- Coagulograma (TP, TTPA, plaquetas)
- Função renal e eletrólitos (ureia elevada desproporcional à creatinina sugere origem digestiva alta)
- Função hepática se suspeita de hepatopatia
- ECG se idoso/cardiopata
- Endoscopia digestiva alta — diagnóstica e terapêutica, define classificação de Forrest
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
- Jejum até avaliação endoscópica
Soro
- Cristaloide IV em bólus conforme resposta hemodinâmica, reavaliação frequente
Medicamentos
- Inibidor de bomba de protons IV em dose de ataque seguida de infusão ou doses intermitentes, iniciado antes da EDA
- Terlipressina ou octreotide IV se suspeita de varizes esofágicas/hipertensão portal
- Antibiótico profilático se suspeita de etiologia varicosa
- Concentrado de hemácias se gatilho transfusional atingido
- Reversão de anticoagulante conforme classe e gravidade do sangramento
Recomendações
- Dois acessos venosos calibrosos, monitorização contínua
- Reavaliação seriada de sinais vitais e nível de consciência
- Proteção de via aérea se rebaixamento de consciência com hematêmese ativa
Exames
- Hemograma seriado para acompanhar resposta à reposição
- Endoscopia digestiva alta dentro da janela definida pela equipe
Referências
- [1]ACG Clinical Guideline: Upper Gastrointestinal and Ulcer Bleeding, American College of Gastroenterology, 2021
- [2]Baveno VII — Renewing consensus in portal hypertension, 2022
- [3]Classificação de Forrest para estigmas de sangramento em úlcera péptica, 1974
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.