Erro que mata: tratar hipercalemia sem primeiro estabilizar a membrana cardíaca com gluconato de cálcio quando há alteração de ECG
Erro que mata: repor potássio IV em bólus rápido não diluído
Erro que mata: não monitorizar glicemia após insulina usada para redistribuir potássio
Erro que mata: administrar gluconato de cálcio e bicarbonato de sódio na mesma via/solução — risco de precipitação por incompatibilidade físico-química; usar acessos separados
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Confirmar se não é pseudo-hiperpotassemia (hemólise na coleta, garroteamento prolongado, amostra antiga)
Correlacionar com ECG sempre — alteração eletrocardiográfica define urgência do tratamento
Na hipercalemia: estabilizar membrana cardíaca, redistribuir potássio para o intracelular, depois eliminar do organismo
Na hipocalemia: avaliar magnésio associado e repor com cautela em cardiopata/uso de digoxina
Investigar causa de base sempre, não só corrigir o número
Reavaliar potássio sérico após cada intervenção
Conduta inicial
1Confirmar o valor e obter ECG imediatamente em toda hipercalemia significativa ou hipocalemia grave.
2Hipercalemia com alteração eletrocardiográfica ou grave: gluconato de cálcio IV para estabilização de membrana.
3Redistribuir potássio para o intracelular: insulina regular IV com glicose (monitorizar glicemia), beta-agonista inalatório como adjuvante.
4Remover potássio do organismo: diurético de alça se função renal permitir, resina de troca (sulfonato de poliestireno sódico) ou quelantes mais novos (patiromer, ciclossilicato de sódio e zircônio/SZC) conforme disponibilidade, hemodiálise de urgência em casos refratários/IRA com oligúria.
5Investigar e tratar a causa de base.
6Hipocalemia: corrigir magnésio sérico associado antes ou junto da reposição de potássio.
7Repor potássio por via oral se leve/assintomático; IV diluída e em infusão lenta, monitorizada, se moderada/grave — nunca em bólus.
8Reavaliar potássio sérico (e ECG, se indicado) após cada intervenção.
Exames
ECG imediato
Potássio sérico seriado
Função renal, gasometria/ácido-base, magnésio e cálcio
Investigação da causa de base (CK se rabdomiólise, função tireoidiana, exame de urina)
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Soro
Glicose associada à insulina para prevenir hipoglicemia na redistribuição de potássio
Reposição de potássio IV diluída em infusão lenta e monitorizada, nunca em bólus, se hipocalemia moderada/grave
Medicamentos
Gluconato de cálcio IV para estabilização de membrana se hipercalemia com alteração de ECG
Insulina regular IV associada a glicose para redistribuição intracelular do potássio
Beta-agonista inalatório como adjuvante na redistribuição
Diurético de alça se sobrecarga e função renal permitir
Quelante de potássio conforme disponibilidade: resina de troca (sulfonato de poliestireno sódico) ou alternativas mais novas (patiromer, ciclossilicato de sódio e zircônio/SZC)
Reposição de magnésio se hipomagnesemia associada à hipocalemia
Potássio oral ou IV conforme gravidade da hipocalemia
Recomendações
Monitorização cardíaca contínua durante a correção
Monitorização de glicemia capilar após uso de insulina
Acionar diálise precocemente se hipercalemia refratária ou injúria renal grave associada
Nunca administrar gluconato de cálcio e bicarbonato de sódio pela mesma via/solução (risco de precipitação) — usar acessos separados
Exames
ECG e potássio sérico seriados para guiar a conduta
Referências
[1]Acute hyperkalemia in the emergency department: a summary from a KDIGO conference, 2020
[2]Potassium homeostasis and management of dyskalemia in kidney disease — KDIGO Controversies Conference, 2020
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.