Pneumonia adquirida na comunidade grave (CURB-65/PSI)
Paciente com pneumonia adquirida na comunidade. Como estratifico gravidade para decidir entre tratamento ambulatorial, internação ou UTI, e qual antibiótico empírico escolher?
Red flags — sinais de gravidade
Insuficiência respiratória (necessidade de ventilação mecânica)
Choque séptico com necessidade de vasopressor
Confusão mental nova, hipotensão, FR elevada, hipoxemia importante
1Confirmar o diagnóstico com clínica compatível e infiltrado novo em imagem.
2Estratificar gravidade com escore validado para orientar local de tratamento.
3Avaliar critérios maiores e menores de gravidade — presença indica UTI, independente do escore.
4Colher hemocultura e considerar antígenos urinários em casos graves.
5Iniciar antibiótico empírico precocemente conforme local de tratamento, comorbidades e fatores de risco.
6Garantir suporte de oxigênio, hidratação e tratamento de comorbidades descompensadas.
7Reavaliar resposta em 48-72h — investigar complicação se ausência de melhora.
Exames
Radiografia de tórax (ou tomografia, se dúvida diagnóstica)
Hemograma, função renal, eletrólitos, PCR
Gasometria arterial se hipoxemia importante
Hemocultura em casos graves/internados
Antígenos urinários conforme gravidade
Escarro/PCR para vírus respiratórios conforme contexto
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Soro
Cristaloide IV se desidratação ou sinais de sepse associados
Medicamentos
CAP grave (internação/UTI), sem fator de risco para Pseudomonas/MRSA: beta-lactâmico (ex.: ceftriaxona ou ampicilina-sulbactam) + macrolídeo (ex.: azitromicina); alternativa em monoterapia: fluoroquinolona respiratória (ex.: levofloxacino ou moxifloxacino)
Fator de risco para Pseudomonas (bronquiectasia, uso recente de antibiótico de amplo espectro, internação/instrumentação recente): substituir o beta-lactâmico por agente anti-Pseudomonas (ex.: piperacilina-tazobactam, cefepima ou meropenem), mantendo o macrolídeo ou a fluoroquinolona respiratória
Fator de risco para MRSA (colonização prévia, infecção de pele/influenza recente, uso de drogas injetáveis): associar cobertura anti-MRSA (ex.: vancomicina ou linezolida) ao esquema acima
Antitérmico/analgésico conforme necessidade
Oxigenoterapia conforme saturação, com meta individualizada
Recomendações
Definição do local de tratamento conforme escore de gravidade
Mobilização precoce e fisioterapia respiratória quando aplicável
Reavaliação clínica em 48-72h
Vacinação orientada na alta
Exames
Radiografia de controle se evolução desfavorável
Hemograma e PCR de controle
Referências
[1]Diagnosis and Treatment of Adults with Community-acquired Pneumonia, Official Clinical Practice Guideline of the American Thoracic Society and Infectious Diseases Society of America (ATS/IDSA), 2019
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.