Paciente (geralmente idoso) chega confuso/agitado. Como diferencio delirium de outras causas e qual a conduta segura, priorizando medidas não farmacológicas?
Red flags — sinais de gravidade
Delirium hipoativo subdiagnosticado
Hipoxemia, hipoglicemia, sepse, abstinência alcoólica como causa não identificada
Agitação com risco iminente de autolesão, queda ou agressão à equipe
Sinais neurológicos focais associados
Erro que mata: sedar/conter o paciente sem investigar e tratar a causa de base
Erro que mata: usar benzodiazepínico como primeira linha em delirium não relacionado a abstinência
Erro que mata: não rastrear delirium hipoativo por ausência de agitação
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Confirmar delirium com ferramenta de rastreio padronizada
Diferenciar de demência de base, depressão e quadro psiquiátrico primário
Procurar ativamente a causa de base
Priorizar medidas não farmacológicas antes de sedativo/antipsicótico
Evitar benzodiazepínico como primeira linha em delirium (exceto abstinência)
Reservar contenção física/farmacológica para risco iminente de dano
Conduta inicial
1Confirmar delirium com ferramenta de rastreio padronizada — atenção ao subtipo hipoativo.
2Avaliar ABC e sinais vitais; excluir emergências imediatas antes de qualquer abordagem específica.
3Investigar e tratar a causa de base de forma ativa e sistemática.
4Priorizar medidas não farmacológicas: reorientação, presença de acompanhante, ambiente calmo, correção de déficits sensoriais, mobilização precoce.
5Revisar e suspender/ajustar medicações deliriogênicas.
6Se agitação com risco iminente e medidas não farmacológicas insuficientes: antipsicótico em dose baixa como primeira linha farmacológica, reservando benzodiazepínico para abstinência ou contraindicação a antipsicótico.
7Reavaliar a causa de base e a necessidade de manter qualquer medicação sedativa diariamente.
8Orientar família/acompanhante sobre a natureza flutuante do delirium.
Urina tipo I e cultura, radiografia de tórax conforme suspeita de foco infeccioso
Gasometria/oximetria se suspeita de hipoxemia
Exame de imagem cerebral se sinais focais, trauma recente ou ausência de causa clara
Revisão completa da lista de medicações em uso
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Medicamentos
Tratamento dirigido à causa de base identificada
Antipsicótico em dose baixa como primeira linha farmacológica para agitação com risco iminente, se medidas não farmacológicas insuficientes
Benzodiazepínico reservado para abstinência alcoólica/benzodiazepínica ou contraindicação a antipsicótico
Suspensão/ajuste de medicações deliriogênicas em uso
Analgesia adequada se dor não controlada for fator contribuinte
Recomendações
Reorientação frequente, presença de acompanhante, ambiente calmo e iluminado
Correção de déficits sensoriais
Mobilização precoce e regularização do ciclo sono-vigília
Contenção física apenas como último recurso, pelo menor tempo possível
Reavaliação diária da necessidade de manter qualquer sedativo prescrito
Exames
Exames de controle conforme causa de base identificada
Referências
[1]Clinical Practice Guidelines for the Prevention and Management of Pain, Agitation/Sedation, Delirium, Immobility, and Sleep Disruption in Adult Patients in the ICU (PADIS), Society of Critical Care Medicine (SCCM), 2018
[2]American Geriatrics Society (AGS) — guideline de prevenção e manejo de delirium
[3]National Institute for Health and Care Excellence (NICE) — guideline de delirium, 2023
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.