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Reversão de anticoagulação — varfarina, DOAC e heparina

Paciente anticoagulado sangra ou precisa de procedimento urgente. Como reverto cada classe de anticoagulante com segurança?

Red flags — sinais de gravidade

  • Sangramento com risco de vida (SNC, retroperitoneal, hemorragia digestiva maciça) em uso de anticoagulante: reversão imediata, não aguardar confirmação laboratorial completa se a suspeita clínica é forte
  • Reversão de varfarina só com vitamina K em sangramento grave: ação lenta (horas), associar complexo protrombínico para efeito imediato
  • DOAC com função renal desconhecida: assumir acúmulo e tratar como sangramento grave até prova em contrário
  • Reverter anticoagulação sem necessidade real (sangramento menor, procedimento que tolera atraso): expõe a risco trombótico desnecessário
  • Não ter o antídoto específico disponível (idarucizumabe para dabigatrana, andexanet alfa para anti-Xa) — usar complexo protrombínico como alternativa quando antídoto específico não disponível
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Identificar exatamente qual anticoagulante, dose e horário da última tomada — a conduta muda completamente entre varfarina, DOAC e heparina
  • Classificar a gravidade do sangramento (menor vs. grave/risco de vida) — só sangramento grave ou procedimento de emergência justifica reversão completa
  • Varfarina: checar INR antes de decidir dose de vitamina K e necessidade de complexo protrombínico
  • DOAC: checar função renal (todos têm eliminação renal parcial) e horário da última dose — efeito diminui rapidamente com meia-vida curta
  • Sangramento menor/procedimento eletivo: geralmente basta suspender o anticoagulante e aguardar, sem reversão farmacológica
  • Sempre reavaliar risco trombótico antes de reverter — reversão expõe a risco de trombose/AVC em paciente com indicação forte de anticoagulação

Conduta inicial

  1. 1Varfarina + sangramento grave/risco de vida: suspender, vitamina K 10mg EV lento + complexo protrombínico (4 fatores) para reversão imediata do INR.
  2. 2Varfarina + sangramento menor ou INR alto assintomático: suspender a dose, vitamina K VO/EV em dose menor conforme INR, sem necessidade de complexo protrombínico na maioria dos casos.
  3. 3DOAC (dabigatrana) + sangramento grave: idarucizumabe se disponível; alternativa, complexo protrombínico.
  4. 4DOAC (anti-Xa: rivaroxabana/apixabana) + sangramento grave: andexanet alfa se disponível; alternativa, complexo protrombínico.
  5. 5Heparina não fracionada + sangramento grave: protamina EV (dose conforme heparina administrada nas últimas horas).
  6. 6Heparina de baixo peso molecular + sangramento grave: protamina parcialmente eficaz (reversão incompleta), dose conforme tempo desde a última aplicação.
  7. 7Sangramento menor ou procedimento que tolera atraso: suspender o anticoagulante e aguardar clareamento (considerar meia-vida e função renal), sem reversão farmacológica ativa.
  8. 8Medidas locais/gerais sempre em paralelo: compressão, correção hemodinâmica, hemocomponentes conforme necessidade clínica.

Exames

  • INR/TP para varfarina
  • Função renal para todo DOAC — define acúmulo e tempo de clareamento esperado
  • TTPa para heparina não fracionada
  • Hemograma seriado, tipagem e provas cruzadas se sangramento ativo
  • Nível específico do DOAC (anti-Xa calibrado) se disponível no serviço, para casos de dúvida

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever. Doses de antídotos variam por protocolo institucional — confirmar disponibilidade e apresentação local.

Medicamentos

  • Varfarina grave — vitamina K 10mg EV lento + complexo protrombínico 4 fatores
  • Dabigatrana grave — idarucizumabe (ou complexo protrombínico se indisponível)
  • Anti-Xa (rivaroxabana/apixabana) grave — andexanet alfa (ou complexo protrombínico se indisponível)
  • Heparina não fracionada grave — protamina EV conforme dose recente administrada

Recomendações

  • Reavaliar risco trombótico antes e depois da reversão
  • Documentar horário da última dose e função renal na decisão
  • Definir com a equipe quando retomar a anticoagulação após controle do sangramento

Exames

  • Hemograma e coagulograma de controle após reversão
  • Função renal de controle

Referências

  1. [1]2020 ACC Expert Consensus Decision Pathway on Management of Bleeding in Patients on Oral Anticoagulants, American College of Cardiology, 2020
  2. [2]American Society of Hematology 2020 Guidelines for Management of Venous Thromboembolism: Treatment of Deep Vein Thrombosis and Pulmonary Embolism, ASH, 2020

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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