Paciente DPOC chega com piora de dispneia, tosse e escarro. Como conduzo a exacerbação no PS e decido entre alta, enfermaria ou UTI?
Red flags — sinais de gravidade
- Uso importante de musculatura acessória, respiração paradoxal ou fadiga muscular: risco iminente de falência respiratória
- Rebaixamento do nível de consciência ou confusão: pode ser narcose por CO2, sinal de gravidade
- Acidose respiratória com pH baixo na gasometria: indicação de VNI, não postergar
- Instabilidade hemodinâmica associada: investigar TEP ou pneumotórax como causa da piora
- Falha de VNI após tentativa adequada (piora do pH, rebaixamento, intolerância): via aérea definitiva sem demora
- Erro que mata: hiperoxigenar retentor crônico de CO2 sem monitorar gasometria — pode precipitar narcose hipercápnica
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você. Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
- Confirmar critério de exacerbação: piora aguda de dispneia, aumento de volume/purulência do escarro além da variação habitual
- Avaliar gravidade: frequência respiratória, uso de musculatura acessória, saturação, nível de consciência, capacidade de falar frases completas
- Gasometria arterial se sinais de gravidade ou saturação baixa — checar hipercapnia e acidose respiratória
- Investigar fator precipitante: infecção respiratória, TEP, pneumotórax, falha terapêutica, não adesão
- Radiografia de tórax para afastar pneumonia, pneumotórax e descartar diagnóstico diferencial
- Rever histórico de exacerbações prévias, uso domiciliar de O2 e VNI, internações em UTI
- Definir alvo de saturação (88-92% se retentor crônico de CO2 conhecido ou suspeito) antes de titular O2
Conduta inicial
- 1Oxigenoterapia titulada para saturação-alvo (88-92% se risco de retenção de CO2), nunca oxigênio livre sem alvo definido.
- 2Broncodilatador de curta ação (beta-2 agonista + anticolinérgico) inalatório em doses repetidas nas primeiras horas.
- 3Corticoide sistêmico (via oral se tolerado, EV se gravidade) por curso curto — reduz tempo de exacerbação e recidiva.
- 4Antibiótico se critérios de infecção bacteriana (aumento de purulência do escarro associado a dispneia ou volume, ou necessidade de ventilação).
- 5VNI precoce se acidose respiratória (pH baixo) ou trabalho respiratório importante — reduz necessidade de intubação.
- 6Reavaliar resposta clínica e gasométrica em 1-2h após início do tratamento; escalonar se não houver melhora.
- 7Investigar e tratar fator precipitante (pneumonia, TEP, descompensação cardíaca associada).
Exames
- Gasometria arterial se sinais de gravidade ou hipoxemia
- Radiografia de tórax
- Hemograma, PCR, eletrólitos
- ECG (descartar arritmia/isquemia associada, comum em exacerbação)
- Considerar D-dímero/angio-TC se suspeita de TEP como precipitante
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
- Dieta oral conforme tolerância; manter jejum se risco de intubação iminente
Soro
- Hidratação de manutenção conforme volemia, evitar sobrecarga em cardiopata associado
Medicamentos
- Beta-2 agonista de curta ação inalatório (ex: salbutamol) em doses repetidas
- Anticolinérgico de curta ação inalatório (ex: ipratrópio) associado
- Corticoide sistêmico (ex: prednisona VO ou equivalente EV) por curso curto conforme protocolo local
- Antibiótico se critério de infecção bacteriana, conforme protocolo local e perfil de resistência
- VNI precoce se acidose respiratória ou trabalho respiratório importante
Recomendações
- Oxigenoterapia titulada com alvo de saturação definido, não livre
- Fisioterapia respiratória conforme disponibilidade
- Reavaliação clínica e gasométrica seriada nas primeiras horas
Exames
- Gasometria de controle após intervenção inicial
- Radiografia de tórax se piora ou dúvida diagnóstica
Referências
- [1]Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of COPD, Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD), 2026 Report
- [2]BTS/ICS Guideline for the ventilatory management of acute hypercapnic respiratory failure in adults, British Thoracic Society, 2016
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.