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Neutropenia febril — condução na primeira hora

Paciente oncológico em quimioterapia chega com febre. Como confirmo neutropenia febril e por que o antibiótico não pode esperar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Hipotensão, taquicardia importante ou sinais de sepse: tratar como sepse grave, ressuscitação volêmica concomitante ao antibiótico
  • Neutropenia profunda (<100/mm³) e prolongada (>7 dias esperados): maior risco de infecção fúngica invasiva, considerar antifúngico se febre persistente
  • Sinais de infecção de cateter (hiperemia, secreção, calafrio à infusão): considerar retirada/troca conforme gravidade
  • Mucosite grave com risco de translocação bacteriana
  • Diarreia com dor abdominal em neutropenia grave: considerar enterocolite neutropênica (tiflite), potencialmente grave
  • Erro que mata: atrasar antibiótico empírico esperando resultado de exames ou definição completa de foco
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Definir neutropenia: contagem absoluta de neutrófilos <500/mm³ (ou <1000 com queda esperada para <500 em 48h)
  • Definir febre: temperatura única ≥38,3°C ou ≥38°C sustentada por 1h
  • Meta de tempo porta-antibiótico: primeira dose em até 1 hora da admissão — é indicador de qualidade, não meta arbitrária
  • Buscar foco clínico (pele, cateter, região perianal, pulmão, trato urinário) sem atrasar antibiótico para investigação completa
  • Avaliar critérios de risco (escala MASCC ou equivalente) para definir se pode ser manejado ambulatorialmente ou precisa internação
  • Evitar exame retal e manipulação de mucosas na neutropenia grave (risco de bacteremia por manipulação)
  • Rever tipo de quimioterapia recente e comorbidades para estimar duração esperada da neutropenia

Conduta inicial

  1. 1Antibiótico empírico de amplo espectro com cobertura antipseudomonas em até 1 hora da chegada — não esperar confirmação laboratorial da neutropenia se quadro clínico compatível.
  2. 2Colher hemoculturas (periférica e de cateter, se presente) antes do antibiótico, sem atrasar a primeira dose além do tempo razoável para coleta.
  3. 3Exame físico completo buscando foco (pele, sítios de acesso venoso, região perianal — sem toque retal/manipulação agressiva), evitando atrasar o antibiótico.
  4. 4Estratificar risco (MASCC ou critério institucional) para decidir via de administração e necessidade de internação.
  5. 5Reavaliar em 48-72h: se febre persistente sem foco identificado, considerar escalonar cobertura e investigar fungo.
  6. 6Suporte com hidratação e controle de sintomas; fator estimulante de colônia (G-CSF) conforme indicação e protocolo, não de rotina em todo caso.
  7. 7Isolamento protetor/precauções conforme protocolo institucional para paciente neutropênico.

Exames

  • Hemograma completo com diferencial
  • Hemoculturas (periférica e de cateter central, se presente) antes do antibiótico
  • Função renal, eletrólitos, função hepática
  • Urina tipo I e urocultura
  • Radiografia de tórax; culturas de outros sítios conforme foco suspeito

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta conforme tolerância; evitar alimentos crus/não pasteurizados (dieta neutropênica conforme protocolo local)

Soro

  • Cristaloide conforme volemia e sinais de sepse

Medicamentos

  • Antibiótico empírico de amplo espectro com cobertura antipseudomonas (ex: cefepima ou piperacilina-tazobactam) conforme protocolo local, iniciado em até 1h
  • Escalonar cobertura (vancomicina, antifúngico) conforme critério de gravidade, foco ou não resposta em 48-72h
  • Analgesia e antitérmico conforme necessidade (evitar AINE por risco de sangramento se plaquetopenia associada)
  • G-CSF conforme indicação e protocolo, não de rotina

Recomendações

  • Reavaliação clínica seriada, atenção a sinais de sepse
  • Precauções/isolamento protetor conforme protocolo institucional
  • Evitar procedimentos invasivos desnecessários (toque retal, sondagem) na neutropenia grave

Exames

  • Hemograma seriado para acompanhar recuperação de neutrófilos
  • Novas hemoculturas se febre persistente após 48-72h

Referências

  1. [1]Clinical Practice Guideline for the Use of Antimicrobial Agents in Neutropenic Patients with Cancer: 2010 Update, Infectious Diseases Society of America (IDSA), 2010
  2. [2]ASCO/IDSA Clinical Practice Guideline Update for Outpatient Management of Fever and Neutropenia in Adults Treated for Malignancy, ASCO/IDSA, 2018

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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