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Crise addisoniana — insuficiência adrenal aguda

Paciente com hipotensão refratária, náusea e fraqueza não responde à volume como esperado. Como penso em crise addisoniana e por que o hidrocortisona não pode esperar confirmação laboratorial?

Red flags — sinais de gravidade

  • Choque refratário a volume e vasopressor sem outra causa evidente: suspeitar de crise addisoniana, tratar empiricamente
  • Hipercalemia + hiponatremia + hipoglicemia associadas a hipotensão: tríade sugestiva de insuficiência adrenal aguda
  • Suspensão abrupta de corticoide crônico em uso prolongado: gatilho clássico, sempre perguntar
  • Febre/infecção em paciente com insuficiência adrenal conhecida sem ajuste de dose de estresse: risco de crise
  • Rebaixamento de consciência associado a hipoglicemia refratária: reforça suspeita
  • Erro que mata: aguardar dosagem de cortisol para iniciar hidrocortisona em paciente instável — tratar primeiro, confirmar depois
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Suspeitar em hipotensão refratária a volume, especialmente com hiponatremia, hipercalemia e hipoglicemia associadas
  • Investigar fator precipitante: infecção, cirurgia, trauma, suspensão abrupta de corticoide crônico
  • Perguntar sobre uso crônico de corticoide (oral, inalatório em alta dose, injetável) — supressão do eixo é causa comum
  • Pesquisar hiperpigmentação cutânea/mucosa (sugere insuficiência adrenal primária crônica descompensando)
  • Colher cortisol basal antes de tratar, se não atrasar o tratamento — mas nunca esperar o resultado para iniciar hidrocortisona
  • Considerar causa primária (doença de Addison, hemorragia adrenal) vs secundária (supressão por corticoide exógeno, doença hipofisária)
  • Rever medicações que podem precipitar (opioides crônicos, alguns antifúngicos que interferem na síntese de cortisol)

Conduta inicial

  1. 1Hidrocortisona EV em dose de estresse imediatamente, assim que a suspeita é razoável — não esperar confirmação laboratorial em paciente instável.
  2. 2Reposição volêmica agressiva com cristaloide (soro fisiológico) para corrigir hipotensão e hiponatremia.
  3. 3Corrigir hipoglicemia com glicose EV se presente.
  4. 4Colher cortisol sérico (e ACTH, se possível) antes da dose de hidrocortisona, sem atrasar o tratamento para isso — dexametasona pode ser alternativa inicial se teste de estímulo com ACTH for planejado logo em seguida.
  5. 5Identificar e tratar o fator precipitante (infecção, etc.) concomitantemente.
  6. 6Monitorar potássio, sódio e glicemia seriados durante a ressuscitação.
  7. 7Ajustar para dose de manutenção de corticoide (e mineralocorticoide, se insuficiência primária) após estabilização, com desmame gradual conforme evolução.

Exames

  • Eletrólitos (sódio, potássio), glicemia
  • Cortisol sérico basal (idealmente antes da primeira dose de hidrocortisona, sem atrasar tratamento)
  • ACTH, se disponível, para diferenciar causa primária de secundária
  • Função renal, hemograma
  • Investigação de foco infeccioso precipitante conforme quadro clínico

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta oral conforme tolerância após estabilização

Soro

  • Soro fisiológico 0,9% em bolus/infusão conforme gravidade da hipotensão e hiponatremia; glicose EV se hipoglicemia

Medicamentos

  • Hidrocortisona EV em dose de estresse imediata conforme protocolo local
  • Manter dose de estresse com desmame gradual para dose de manutenção após estabilização
  • Fludrocortisona se insuficiência adrenal primária confirmada e paciente estável para via oral
  • Tratar fator precipitante identificado (ex: antibiótico se infecção)

Recomendações

  • Monitorização hemodinâmica e de eletrólitos seriada
  • Orientar cartão/pulseira de identificação de insuficiência adrenal e dose de estresse em situações futuras
  • Educar sobre não suspender corticoide crônico abruptamente

Exames

  • Eletrólitos seriados até estabilização
  • Cortisol/ACTH de confirmação, se ainda não colhido

Referências

  1. [1]Diagnosis and Treatment of Primary Adrenal Insufficiency: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline, Endocrine Society, 2016
  2. [2]Bornstein SR et al. — Diagnosis and Treatment of Primary Adrenal Insufficiency, Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2016

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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