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Tempestade tireotóxica e coma mixedematoso

Paciente com hipertireoidismo ou hipotireoidismo conhecido descompensa gravemente. Como diferencio tempestade tireotóxica de coma mixedematoso e inicio o tratamento certo?

Red flags — sinais de gravidade

  • Tempestade tireotóxica com arritmia (fibrilação atrial de alta resposta) e insuficiência cardíaca: risco de colapso hemodinâmico
  • Hipertermia extrema na tempestade tireotóxica: resfriamento ativo necessário, evitar AAS (desloca hormônio tireoidiano da proteína carreadora)
  • Coma mixedematoso com hipotermia grave e rebaixamento importante: risco de parada cardiorrespiratória, reaquecimento deve ser gradual
  • Coma mixedematoso sem cobertura de corticoide antes da levotiroxina: risco de precipitar crise adrenal (insuficiência adrenal relativa mascarada)
  • Hipoglicemia e hiponatremia associadas ao coma mixedematoso, comumente subdiagnosticadas
  • Erro que mata: tratar tempestade tireotóxica sem bloquear a síntese e liberação hormonal de forma combinada (só betabloqueador não é suficiente)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Tempestade tireotóxica: usar critérios clínicos (escala de Burch-Wartofsky) — febre alta, taquicardia desproporcional, alteração de consciência, disfunção gastrointestinal/hepática em paciente hipertireóideo
  • Coma mixedematoso: hipotermia, rebaixamento de consciência, bradicardia, hiporreflexia em paciente hipotireóideo — extremo oposto
  • Buscar fator precipitante em ambos: infecção, cirurgia, trauma, suspensão de medicação, IAM, parto
  • Diagnóstico é clínico — não esperar TSH/T4 livre para iniciar tratamento em quadro grave
  • Avaliar função cardiovascular: ambas as condições podem cursar com insuficiência cardíaca/arritmia
  • No coma mixedematoso, sempre considerar insuficiência adrenal concomitante (pode coexistir) — cobrir com hidrocortisona antes ou junto da reposição de hormônio tireoidiano
  • Rever medicações em uso (amiodarona pode causar disfunção tireoidiana em ambas as direções)

Conduta inicial

  1. 1Tempestade tireotóxica: iniciar tratamento combinado — betabloqueador (controle de frequência e efeito periférico), tionamida (bloqueia síntese), iodo (bloqueia liberação, administrado pelo menos 1h após a tionamida) e corticoide (bloqueia conversão periférica e cobre insuficiência adrenal relativa).
  2. 2Tempestade tireotóxica: resfriamento ativo se hipertermia, evitar AAS como antitérmico.
  3. 3Coma mixedematoso: hidrocortisona EV antes ou concomitante à levotiroxina EV — nunca tratar hormônio tireoidiano isolado sem cobertura adrenal.
  4. 4Coma mixedematoso: reaquecimento passivo e gradual, suporte ventilatório se hipoventilação por rebaixamento.
  5. 5Ambos: identificar e tratar fator precipitante concomitantemente (infecção é a causa mais comum).
  6. 6Ambos: monitorização cardíaca contínua e suporte hemodinâmico conforme necessidade.
  7. 7Não aguardar resultado de TSH/T4 livre para iniciar tratamento em quadro clinicamente grave — diagnóstico é clínico, tratamento empírico.

Exames

  • TSH, T4 livre, T3 (confirmação, não deve atrasar tratamento em quadro grave)
  • Eletrólitos, glicemia, função renal e hepática
  • ECG e monitorização cardíaca contínua
  • Cortisol basal antes da hidrocortisona, se possível, sem atrasar tratamento
  • Investigação de foco infeccioso precipitante (hemograma, radiografia de tórax, urina)

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum se rebaixamento de consciência; dieta oral conforme tolerância após estabilização

Soro

  • Cristaloide conforme volemia; glicose EV se hipoglicemia no coma mixedematoso

Medicamentos

  • Tempestade tireotóxica — betabloqueador (ex: propranolol) + tionamida (ex: propiltiouracila/metimazol) + iodo (após tionamida) + corticoide, conforme protocolo local
  • Coma mixedematoso — hidrocortisona EV seguida de levotiroxina EV, conforme protocolo local
  • Tratar fator precipitante identificado (ex: antibiótico se infecção)
  • Evitar AAS na tempestade tireotóxica

Recomendações

  • Monitorização cardíaca contínua
  • Controle de temperatura (resfriamento ativo na tempestade, reaquecimento gradual no coma mixedematoso)
  • Reavaliação clínica seriada da resposta ao tratamento

Exames

  • TSH/T4 livre de acompanhamento
  • Eletrólitos e glicemia seriados no coma mixedematoso

Referências

  1. [1]2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis (thyroid storm), American Thyroid Association, 2016
  2. [2]Popoveniuc G et al. - A Diagnostic Scoring System for Myxedema Coma, Endocrine Practice, 2014

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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