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Reação transfusional e critérios de hemocomponentes

Paciente em transfusão apresenta febre, calafrio ou dispneia. Como diferencio os tipos de reação transfusional e conduzo a interrupção e investigação?

Red flags — sinais de gravidade

  • Febre alta + calafrio + dor lombar/no flanco + hipotensão durante a transfusão: suspeitar de reação hemolítica aguda, emergência
  • Dispneia súbita com hipoxemia e infiltrado bilateral novo: suspeitar de TRALI, tratar como lesão pulmonar aguda
  • Dispneia com sinais de sobrecarga (turgência jugular, estertores, hipertensão): suspeitar de TACO, diurético e suporte respiratório
  • Hipotensão, broncoespasmo, angioedema: suspeitar de reação anafilática, tratar como emergência alérgica
  • Sangramento difuso e sinais de CIVD durante reação hemolítica: gravidade aumentada
  • Erro que mata: continuar a transfusão após sintomas sugestivos de reação hemolítica aguda ou anafilaxia
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Interromper a transfusão imediatamente diante de qualquer sintoma novo, manter acesso venoso com soro fisiológico
  • Reconferir dados do paciente e da bolsa (identificação, tipagem) — erro de identificação é a causa mais comum de reação hemolítica grave
  • Diferenciar reação febril não hemolítica (mais comum, benigna) de hemolítica aguda (grave, potencialmente fatal)
  • Avaliar sinais de sobrecarga volêmica (TACO) vs lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI) em paciente com dispneia
  • Investigar reação alérgica/anafilática: urticária, broncoespasmo, hipotensão
  • Comunicar ao serviço de hemoterapia/banco de sangue imediatamente — investigação é obrigatória
  • Reenviar bolsa remanescente e amostra do paciente para investigação laboratorial conforme protocolo

Conduta inicial

  1. 1Interromper a transfusão imediatamente ao primeiro sinal de reação, manter via com soro fisiológico isolado.
  2. 2Reconferir identificação do paciente e da bolsa à beira-leito — checar erro de troca antes de qualquer outra investigação.
  3. 3Reação febril não hemolítica leve: antitérmico e observação, pode-se considerar reiniciar transfusão mais lentamente conforme avaliação médica.
  4. 4Suspeita de reação hemolítica aguda: suporte hemodinâmico, hidratação para proteger função renal, monitorar coagulação e sinais de CIVD.
  5. 5TRALI: suporte respiratório (oxigênio, ventilação se necessário), tratar como lesão pulmonar aguda, não é hipervolemia — não usar diurético como primeira medida.
  6. 6TACO: diurético e suporte ventilatório, é sobrecarga de volume verdadeira.
  7. 7Reação anafilática: adrenalina IM, anti-histamínico, corticoide e suporte de via aérea conforme protocolo de anafilaxia.

Exames

  • Reconferência de tipagem sanguínea do paciente e da bolsa
  • Coombs direto, haptoglobina, LDH, bilirrubina indireta se suspeita hemolítica
  • Hemograma, coagulograma se sangramento ou suspeita de CIVD
  • Gasometria e radiografia de tórax se dispneia (diferencial TRALI vs TACO)
  • Devolução da bolsa remanescente e amostra do paciente ao banco de sangue para investigação formal

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Sem restrição específica relacionada à reação, salvo indicação clínica associada

Soro

  • Soro fisiológico isolado após interrupção da transfusão; hidratação adicional se suspeita hemolítica para proteção renal

Medicamentos

  • Antitérmico se reação febril não hemolítica
  • Adrenalina IM + anti-histamínico + corticoide se reação anafilática, conforme protocolo de anafilaxia
  • Diurético se TACO confirmado; suporte ventilatório sem diurético se TRALI
  • Suporte conforme sinais de CIVD/coagulopatia se reação hemolítica grave

Recomendações

  • Notificação obrigatória ao serviço de hemoterapia/banco de sangue
  • Monitorização hemodinâmica e respiratória contínua durante e após o evento
  • Registrar reação no prontuário para orientar transfusões futuras

Exames

  • Investigação laboratorial completa conforme protocolo institucional de reação transfusional

Referências

  1. [1]AABB Technical Manual, 20a edicao, capitulo de reacoes transfusionais, AABB, 2020
  2. [2]Guia para o uso de Hemocomponentes, 2a edicao, Ministerio da Saude do Brasil, 2015

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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