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Endocardite infecciosa — suspeita e conduta inicial

Paciente com febre persistente e sopro novo, especialmente com fator de risco (válvula protética, uso de drogas injetáveis, cardiopatia estrutural). Como investigo endocardite infecciosa e inicio o manejo?

Red flags — sinais de gravidade

  • Instabilidade hemodinâmica por insuficiência valvar aguda: emergência cirúrgica potencial, avaliar cirurgia cardíaca precoce
  • Êmbolo séptico para SNC (déficit focal novo) ou outro território maior: gravidade aumentada, muda momento e via de intervenção
  • Abscesso perivalvular ou bloqueio de condução novo: sinal de extensão da infecção, geralmente indica necessidade cirúrgica
  • Endocardite em válvula protética ou por S. aureus: maior gravidade e taxa de complicação, manejo mais agressivo
  • Início de antibiótico antes de colher hemoculturas em paciente estável: compromete rendimento diagnóstico e escolha do esquema definitivo
  • Erro que mata: atrasar antibiótico empírico esperando hemoculturas em paciente instável — colher o que for possível rapidamente e tratar
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Suspeitar em febre persistente/recorrente sem foco claro associada a fator de risco (valvopatia, prótese valvar, uso de drogas injetáveis, cardiopatia congênita, endocardite prévia, dispositivo cardíaco implantável)
  • Buscar sopro novo ou mudança de sopro preexistente ao exame — pode estar ausente inicialmente
  • Rastrear estigmas periféricos: petéquias, hemorragias em lasca subungueais, nódulos de Osler, lesões de Janeway, manchas de Roth
  • Colher hemoculturas seriadas (pelo menos 3 conjuntos, de sítios diferentes) antes de iniciar antibiótico, sempre que a estabilidade clínica permitir
  • Aplicar critérios de Duke (modificados) para estruturar a probabilidade diagnóstica, sem substituir julgamento clínico
  • Ecocardiograma (transtorácico e, se necessário, transesofágico) para buscar vegetação, abscesso ou disfunção valvar nova
  • Investigar êmbolos sépticos em outros territórios (AVC, embolia pulmonar séptica, infarto esplênico/renal) conforme sintomas

Conduta inicial

  1. 1Colher pelo menos 3 conjuntos de hemoculturas de sítios de punção diferentes antes do antibiótico, se a estabilidade clínica permitir aguardar a coleta.
  2. 2Paciente instável: iniciar antibiótico empírico de amplo espectro sem esperar todas as coletas, cobrindo os patógenos mais prováveis conforme válvula nativa vs protética e fator de risco (ex: uso de drogas injetáveis).
  3. 3Solicitar ecocardiograma transtorácico precocemente; se negativo e suspeita persiste (ou válvula protética), complementar com transesofágico.
  4. 4Ajustar antibiótico para esquema dirigido assim que resultado de cultura e antibiograma disponíveis, mantendo curso prolongado conforme protocolo.
  5. 5Avaliação precoce de cirurgia cardíaca em: insuficiência cardíaca por disfunção valvar, infecção não controlada (abscesso, bacteremia persistente), êmbolos recorrentes apesar de antibiótico adequado.
  6. 6Investigar e tratar porta de entrada (ex: foco dentário, cateter, uso de drogas injetáveis) e orientar cessação de fator de risco modificável.
  7. 7Monitorar sinais de complicação embólica e de condução (ECG seriado) durante toda a internação.

Exames

  • Hemoculturas seriadas (mínimo 3 conjuntos, sítios diferentes) antes do antibiótico
  • Ecocardiograma transtorácico e, se necessário, transesofágico
  • Hemograma, PCR/VHS, função renal
  • ECG seriado (rastrear bloqueio de condução novo, sinal de extensão perivalvular)
  • Exames de imagem dirigidos se suspeita de êmbolo séptico (TC de crânio, USG abdominal, conforme sintoma)

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta oral conforme tolerância

Soro

  • Cristaloide conforme volemia e estabilidade hemodinâmica

Medicamentos

  • Antibiótico empírico de amplo espectro conforme válvula nativa/protética e fator de risco, após coleta de hemoculturas, conforme protocolo local
  • Ajuste para esquema dirigido conforme cultura e antibiograma, curso prolongado (semanas) conforme protocolo
  • Analgesia e antitérmico conforme necessidade

Recomendações

  • Monitorização cardíaca (ECG seriado) durante toda a internação
  • Reavaliação clínica diária de sinais de insuficiência cardíaca e embolia
  • Avaliação odontológica e controle de outros focos infecciosos

Exames

  • Hemoculturas de controle conforme resposta ao tratamento
  • Ecocardiograma de controle conforme evolução clínica

Referências

  1. [1]Baddour LM et al. - Infective Endocarditis in Adults: Diagnosis, Antimicrobial Therapy, and Management of Complications, AHA Scientific Statement, Circulation, 2015
  2. [2]2023 ESC Guidelines for the management of endocarditis, European Society of Cardiology, European Heart Journal, 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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