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Síncope — diferencial e estratificação de risco

Paciente chega após episódio de perda transitória de consciência. Como diferencio síncope benigna (reflexa/ortostática) de causa cardíaca grave e decido quem precisa investigação hospitalar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Síncope durante esforço físico: suspeitar de causa cardíaca estrutural obstrutiva (estenose aórtica, cardiomiopatia hipertrófica) até prova em contrário
  • Síncope sem pródromo, súbita, especialmente com palpitação precedente: suspeitar de causa arrítmica
  • ECG com alteração significativa (QT longo, Brugada, bloqueio de ramo novo, pré-excitação, sinais de isquemia): risco cardíaco aumentado
  • Síncope com dor torácica ou dispneia associada: investigar SCA, TEP ou dissecção como causa
  • História familiar de morte súbita em jovem: suspeitar de canalopatia hereditária
  • Erro que mata: liberar paciente com síncope de esforço ou ECG alterado sem investigação cardíaca antes da alta
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar que é síncope verdadeira (perda transitória de consciência com recuperação espontânea completa) e não outro evento (convulsão, hipoglicemia, AVC, queda mecânica)
  • Anamnese detalhada do episódio: posição, pródromo, gatilho, duração, recuperação, testemunhas, movimentos associados
  • Diferenciar padrão reflexo/vasovagal (gatilho emocional/dor/ortostatismo prolongado, pródromo típico) de cardíaco (súbito, sem pródromo, durante esforço, palpitação prévia)
  • ECG de 12 derivações em todo paciente com síncope — é o exame mais custo-efetivo e obrigatório
  • Aplicar escore de risco validado (ex: San Francisco Syncope Rule, Canadian Syncope Risk Score) para apoiar decisão de internação
  • Investigar história familiar de morte súbita precoce — sugere canalopatia/cardiomiopatia hereditária
  • Medir pressão arterial deitado e em pé (3 minutos) para rastrear hipotensão ortostática

Conduta inicial

  1. 1ECG de 12 derivações em todo paciente, interpretado ativamente buscando canalopatias e sinais estruturais, não só arritmia óbvia.
  2. 2Estratificar risco combinando história, exame físico, ECG e escore validado — não decidir por impressão isolada.
  3. 3Síncope de baixo risco com padrão reflexo/ortostático claro: orientação, hidratação, medidas posturais, alta com seguimento ambulatorial, sem necessidade de internação de rotina.
  4. 4Síncope de alto risco (esforço, cardiopatia estrutural conhecida, ECG alterado, história familiar de morte súbita, síncope recorrente inexplicada): internação para monitorização cardíaca contínua e investigação.
  5. 5Investigar e corrigir causa de hipotensão ortostática se identificada (desidratação, medicação, disautonomia).
  6. 6Considerar ecocardiograma se suspeita de causa estrutural; Holter/monitor de eventos se suspeita arrítmica intermitente.
  7. 7Reavaliar lista de medicações em uso (anti-hipertensivos, antiarrítmicos, fármacos que prolongam QT) como possível contribuinte.

Exames

  • ECG de 12 derivações em todo paciente
  • Glicemia capilar e eletrólitos para excluir diferencial metabólico
  • Hemograma se suspeita de anemia/sangramento como contribuinte
  • Ecocardiograma se suspeita de causa estrutural
  • Monitorização cardíaca contínua (telemetria/Holter) se risco intermediário/alto ou suspeita arrítmica

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta oral conforme tolerância; orientar hidratação adequada se componente ortostático

Soro

  • Cristaloide se hipovolemia contribuindo para hipotensão ortostática

Medicamentos

  • Sem tratamento farmacológico específico de rotina — tratar causa de base identificada
  • Rever e ajustar medicações contribuintes (anti-hipertensivos, fármacos que prolongam QT) conforme avaliação

Recomendações

  • Orientar sobre pródromos e manobras de contrapressão em síncope reflexa recorrente
  • Monitorização cardíaca contínua durante internação se risco intermediário/alto
  • Seguimento ambulatorial com cardiologia se investigação adicional necessária

Exames

  • Holter ou monitor de eventos ambulatorial se suspeita arrítmica não esclarecida na internação

Referências

  1. [1]2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope, European Society of Cardiology, European Heart Journal, 2018
  2. [2]2017 ACC/AHA/HRS Guideline for the Evaluation and Management of Patients With Syncope, ACC/AHA/HRS, Circulation, 2017

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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