Hidratação sem hiper-hidratar (risco de STA/edema); oxigênio se saturação < 95% ou queda em relação ao basal
Evitar transfusão simples reflexa na crise dolorosa não complicada — indicação é dirigida (STA, sequestro, AVC, aplasia sintomática)
Conduta inicial
1Analgesia rápida (dentro de 1h): opioide parenteral titulado para dor moderada/intensa, reavaliando a cada 30–60 min; associar anti-inflamatório e não opioides conforme protocolo e contraindicações.
2Oxigênio suplementar se hipoxemia (saturação < 95% ou abaixo do basal); monitorização de saturação e frequência respiratória.
3Hidratação alvo (evitar hiper-hidratação); tratar febre e investigar/cobrir infecção quando presente.
4Rastrear STA com radiografia de tórax e gasometria/oximetria se sintomas respiratórios, febre ou dor torácica.
5Na STA: oxigenar, analgesia, antibiótico empírico cobrindo germe atípico e pneumococo, e transfusão (simples ou de troca conforme gravidade) — acionar hematologia e considerar UTI.
6Profilaxia de tromboembolismo e espirometria de incentivo para reduzir atelectasia/STA em internados, conforme protocolo.
7Transfusão dirigida por indicação (STA, sequestro, AVC, aplasia), não pela dor isolada; discutir com hematologia.
Exames
Hemograma com reticulócitos (comparar com hemoglobina/basal do paciente)
Saturação de O2 e gasometria se sintoma respiratório
Radiografia de tórax se febre, dor torácica ou hipoxemia (rastreio de STA)
Função renal, hepática, DHL, bilirrubinas (hemólise) e tipagem/prova cruzada se transfusão provável
Hemocultura e rastreio infeccioso se febre; PCR/marcadores conforme suspeita
Neuroimagem se déficit neurológico
Prescrição-modelo
Ajustar analgesia à dose habitual e tolerância do paciente falciforme (muitos usam opioide crônico), à função renal e às contraindicações do anti-inflamatório; confirmar indicação e tipo de transfusão com a hematologia.
Dieta
Dieta conforme tolerância; jejum se instabilidade ou previsão de procedimento
Soro
Hidratação com cristaloide em taxa de manutenção/alvo — evitar hiper-hidratação pelo risco de STA/congestão
Medicamentos
Opioide parenteral titulado para dor moderada/intensa, com reavaliação a cada 30–60 min
Analgésico não opioide/anti-inflamatório associado conforme protocolo e função renal
Antibiótico empírico (cobertura de pneumococo + atípico) na síndrome torácica aguda
Oxigênio suplementar se hipoxemia; espirometria de incentivo no internado
Tromboprofilaxia conforme protocolo; antitérmico se febre
Recomendações
Iniciar analgesia dentro de 1h e reavaliar dor de forma seriada
Rastrear STA ativamente e acionar hematologia; considerar transfusão de troca na STA grave
Transfusão dirigida por indicação (STA/sequestro/AVC/aplasia), não pela dor isolada
Exames
Hemograma com reticulócitos
Radiografia de tórax e gasometria se sintoma respiratório
Tipagem e prova cruzada se transfusão provável
Referências
[1]American Society of Hematology (ASH) 2020 Guidelines for Sickle Cell Disease: Management of Acute and Chronic Pain, Blood Advances, 2020
[2]American Society of Hematology (ASH) 2020 Guidelines for Sickle Cell Disease: Transfusion Support, Blood Advances, 2020
[3]Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença Falciforme, Ministério da Saúde
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.