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Crise falciforme e síndrome torácica aguda

Paciente com doença falciforme chega com crise álgica. Como conduzo a analgesia rápida e reconheço a síndrome torácica aguda antes que descompense?

Red flags — sinais de gravidade

  • Novo infiltrado pulmonar com hipoxemia, dor torácica e febre — síndrome torácica aguda, emergência com risco de insuficiência respiratória rápida
  • Queda de saturação ou aumento do trabalho respiratório — STA pode evoluir para necessidade de transfusão de troca e UTI
  • Palidez súbita com aumento do baço e queda de hemoglobina — sequestro esplênico, risco de choque hipovolêmico
  • Déficit neurológico focal — AVC (isquêmico ou hemorrágico) exige neuroimagem e transfusão de troca urgente
  • Priapismo > 4h — urgência urológica, risco de disfunção erétil permanente
  • Erro que mata: tratar STA como 'pneumonia comum' e subvalorizar a hipoxemia, ou atrasar analgesia adequada por medo do opioide
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Crise vaso-oclusiva é diagnóstico clínico de dor — tratar dor rapidamente é a prioridade, não postergar por exames
  • Meta de tempo: avaliar e iniciar analgesia dentro de 1 hora da chegada, com reavaliação a cada 30–60 minutos
  • Usar opioide parenteral para dor moderada a intensa, titulado; associar anti-inflamatório e medidas não farmacológicas conforme protocolo
  • Rastrear ativamente síndrome torácica aguda (STA): febre, dor torácica, hipoxemia, taquipneia, tosse e novo infiltrado pulmonar
  • Buscar precipitantes/complicações: infecção, desidratação, febre, sequestro esplênico, priapismo, AVC, crise aplástica (parvovírus)
  • Hidratação sem hiper-hidratar (risco de STA/edema); oxigênio se saturação < 95% ou queda em relação ao basal
  • Evitar transfusão simples reflexa na crise dolorosa não complicada — indicação é dirigida (STA, sequestro, AVC, aplasia sintomática)

Conduta inicial

  1. 1Analgesia rápida (dentro de 1h): opioide parenteral titulado para dor moderada/intensa, reavaliando a cada 30–60 min; associar anti-inflamatório e não opioides conforme protocolo e contraindicações.
  2. 2Oxigênio suplementar se hipoxemia (saturação < 95% ou abaixo do basal); monitorização de saturação e frequência respiratória.
  3. 3Hidratação alvo (evitar hiper-hidratação); tratar febre e investigar/cobrir infecção quando presente.
  4. 4Rastrear STA com radiografia de tórax e gasometria/oximetria se sintomas respiratórios, febre ou dor torácica.
  5. 5Na STA: oxigenar, analgesia, antibiótico empírico cobrindo germe atípico e pneumococo, e transfusão (simples ou de troca conforme gravidade) — acionar hematologia e considerar UTI.
  6. 6Profilaxia de tromboembolismo e espirometria de incentivo para reduzir atelectasia/STA em internados, conforme protocolo.
  7. 7Transfusão dirigida por indicação (STA, sequestro, AVC, aplasia), não pela dor isolada; discutir com hematologia.

Exames

  • Hemograma com reticulócitos (comparar com hemoglobina/basal do paciente)
  • Saturação de O2 e gasometria se sintoma respiratório
  • Radiografia de tórax se febre, dor torácica ou hipoxemia (rastreio de STA)
  • Função renal, hepática, DHL, bilirrubinas (hemólise) e tipagem/prova cruzada se transfusão provável
  • Hemocultura e rastreio infeccioso se febre; PCR/marcadores conforme suspeita
  • Neuroimagem se déficit neurológico

Prescrição-modelo

Ajustar analgesia à dose habitual e tolerância do paciente falciforme (muitos usam opioide crônico), à função renal e às contraindicações do anti-inflamatório; confirmar indicação e tipo de transfusão com a hematologia.

Dieta

  • Dieta conforme tolerância; jejum se instabilidade ou previsão de procedimento

Soro

  • Hidratação com cristaloide em taxa de manutenção/alvo — evitar hiper-hidratação pelo risco de STA/congestão

Medicamentos

  • Opioide parenteral titulado para dor moderada/intensa, com reavaliação a cada 30–60 min
  • Analgésico não opioide/anti-inflamatório associado conforme protocolo e função renal
  • Antibiótico empírico (cobertura de pneumococo + atípico) na síndrome torácica aguda
  • Oxigênio suplementar se hipoxemia; espirometria de incentivo no internado
  • Tromboprofilaxia conforme protocolo; antitérmico se febre

Recomendações

  • Iniciar analgesia dentro de 1h e reavaliar dor de forma seriada
  • Rastrear STA ativamente e acionar hematologia; considerar transfusão de troca na STA grave
  • Transfusão dirigida por indicação (STA/sequestro/AVC/aplasia), não pela dor isolada

Exames

  • Hemograma com reticulócitos
  • Radiografia de tórax e gasometria se sintoma respiratório
  • Tipagem e prova cruzada se transfusão provável

Referências

  1. [1]American Society of Hematology (ASH) 2020 Guidelines for Sickle Cell Disease: Management of Acute and Chronic Pain, Blood Advances, 2020
  2. [2]American Society of Hematology (ASH) 2020 Guidelines for Sickle Cell Disease: Transfusion Support, Blood Advances, 2020
  3. [3]Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Doença Falciforme, Ministério da Saúde

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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