Sepse/instabilidade hemodinâmica acompanhando a artrite — quadro grave, iniciar ressuscitação e antibiótico sem demora
Comprometimento de quadril/ombro em criança ou dificuldade de aspirar — pode exigir imagem e drenagem guiada
Erro que mata: dar antibiótico antes da artrocentese e perder a cultura, ou rotular como 'crise de gota' sem aspirar
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Toda monoartrite aguda quente é artrite séptica até prova em contrário — a chave diagnóstica é a artrocentese antes do antibiótico
Aspirar o líquido sinovial e enviar para celularidade/contagem diferencial, Gram, cultura e pesquisa de cristais
Colher hemoculturas (positivas em parte dos casos) e marcadores inflamatórios antes de iniciar antibiótico
Identificar fatores de risco: artrite reumatoide/artropatia prévia, prótese articular, imunossupressão, diabetes, uso de drogas injetáveis, idade avançada
Não excluir infecção só porque há cristais — gota e artrite séptica podem coexistir
Iniciar antibiótico empírico logo após colher culturas, cobrindo S. aureus (e Gram-negativos/gonococo conforme contexto)
Acionar ortopedia precocemente — drenagem/lavagem articular é parte do tratamento, não opcional
Conduta inicial
1Artrocentese diagnóstica antes do antibiótico sempre que possível: enviar líquido para contagem de células, Gram, cultura e cristais.
2Colher hemoculturas e exames inflamatórios (hemograma, PCR, VHS) antes da primeira dose de antibiótico.
3Iniciar antibiótico empírico EV logo após as culturas, cobrindo S. aureus (incluindo MRSA conforme epidemiologia); ajustar por Gram, contexto e perfil do paciente.
4Acionar ortopedia para drenagem articular (por punções repetidas, artroscopia ou artrotomia) — descompressão/lavagem é essencial ao controle da infecção.
5Analgesia, imobilização relativa para conforto e suporte clínico; tratar sepse se presente.
6Descalonar o antibiótico conforme cultura e antibiograma; definir duração com apoio de infectologia.
7Na suspeita de artrite gonocócica, cobrir Neisseria gonorrhoeae e investigar/tratar coinfecções e parceria conforme protocolo.
Exames
Análise do líquido sinovial: contagem e diferencial de leucócitos, Gram, cultura, pesquisa de cristais
Hemoculturas (2 amostras) antes do antibiótico
Hemograma, PCR e VHS
Função renal/hepática para ajuste de antibiótico; glicemia (rastreio de diabetes)
Radiografia da articulação (baseline); considerar ultrassom para guiar aspiração ou RM se suspeita de osteomielite/coleção
Rastreio de gonococo (swabs/PCR) e ISTs se suspeita de artrite gonocócica
Prescrição-modelo
Escolha e dose do antibiótico dependem da epidemiologia local de MRSA, do Gram, do peso e da função renal — ajustar com apoio da infectologia; não iniciar antes de colher líquido sinovial e hemoculturas quando viável.
Dieta
Dieta conforme tolerância; jejum se previsão de abordagem cirúrgica
Soro
Cristaloide para hidratação/ressuscitação conforme estado hemodinâmico
Medicamentos
Antibiótico empírico EV cobrindo S. aureus (considerar cobertura de MRSA conforme epidemiologia)
Associar cobertura para Gram-negativos em idosos/imunossuprimidos ou conforme Gram
Cobrir Neisseria gonorrhoeae (ex.: ceftriaxona) na suspeita de artrite gonocócica
Analgesia conforme intensidade da dor e função renal
Recomendações
Artrocentese e hemoculturas antes da primeira dose de antibiótico
Acionar ortopedia para drenagem/lavagem articular precoce
Descalonar por cultura/antibiograma e definir duração com infectologia
Exames
Líquido sinovial (células/Gram/cultura/cristais)
Hemoculturas
PCR e VHS seriados
Imagem conforme suspeita de osteomielite
Referências
[1]Management of septic arthritis in adults with a hot swollen joint, British Society for Rheumatology (BSR) — guideline/scope, 2025
[2]Guideline for the management of the hot swollen joint in adults with a particular focus on septic arthritis, BSR / Journal of Antimicrobial Chemotherapy
[3]Artrite infecciosa aguda, Manuais MSD para Profissionais, edição 2024
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.