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Insuficiência respiratória aguda e ventilação não invasiva (VNI)

Paciente em insuficiência respiratória aguda. Como decido entre oxigênio, VNI e intubação — e quando a VNI está indicada versus contraindicada?

Red flags — sinais de gravidade

  • Rebaixamento do nível de consciência, incapacidade de proteger via aérea ou secreção abundante — contraindica VNI, indica intubação
  • Parada respiratória iminente, instabilidade hemodinâmica grave ou arritmia maligna — via aérea avançada, não VNI
  • Falha da VNI (sem melhora ou piora de pH/PaCO2/trabalho respiratório em 1–2h) — não insistir, escalonar para intubação
  • Trauma/cirurgia/deformidade facial, vômitos ou alto risco de aspiração — contraindicação relativa/absoluta à VNI
  • Silêncio auscultatório, bradicardia e hipercapnia crescente na asma/DPOC — exaustão, falência iminente
  • Erro que mata: manter VNI em quem já falhou e adiar a intubação, ou intubar sem indicação quem responderia à VNI
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Classificar: hipoxêmica (tipo 1, PaO2 baixa) x hipercápnica (tipo 2, PaCO2 alta com acidose) — muda a estratégia
  • Gasometria arterial define acidose respiratória (pH, PaCO2) e orienta a decisão de VNI
  • VNI tem melhor evidência na exacerbação de DPOC com acidose hipercápnica e no edema agudo de pulmão cardiogênico
  • Selecionar candidato: paciente colaborativo, protege via aérea, estável hemodinamicamente, sem contraindicação
  • Definir metas e prazo: reavaliar resposta em 1–2h (pH, PaCO2, frequência respiratória, conforto) — piora é sinal de que precisa intubar
  • Não usar VNI para 'ganhar tempo' em quem tem indicação clara de via aérea avançada — retardo aumenta mortalidade
  • Ajustar alvo de oxigenação: evitar hiperóxia, sobretudo no retentor crônico de CO2 (alvo de saturação mais baixo)

Conduta inicial

  1. 1Avaliar ABC, ofertar oxigênio com alvo de saturação adequado (evitar hiperóxia; alvo mais baixo no retentor crônico) e colher gasometria arterial.
  2. 2Tratar a causa de base em paralelo: broncodilatador/corticoide na DPOC/asma, diurético/vasodilatador no edema agudo pulmonar, antibiótico na pneumonia.
  3. 3Indicar VNI nos cenários de melhor evidência: exacerbação de DPOC com acidose hipercápnica (pH < 7,35) e edema agudo de pulmão cardiogênico, no paciente elegível.
  4. 4Titular VNI (pressões e FiO2) monitorizando conforto, sincronia, vazamento e saturação; considerar cânula nasal de alto fluxo em hipoxêmica selecionada.
  5. 5Reavaliar objetivamente em 1–2h (pH, PaCO2, frequência respiratória, esforço, consciência) — melhora mantém, piora indica intubação.
  6. 6Preparar via aérea avançada precocemente quando houver contraindicação à VNI, falha ou indicação direta de intubação — não retardar.

Exames

  • Gasometria arterial (pH, PaCO2, PaO2, HCO3, lactato) — inicial e de controle após início da VNI
  • Oximetria contínua e monitorização de frequência respiratória/cardíaca
  • Radiografia de tórax para causa (pneumonia, congestão, pneumotórax, derrame)
  • ECG e marcadores conforme suspeita cardíaca (edema agudo, isquemia)
  • Hemograma, função renal, eletrólitos; BNP/troponina se dúvida cardíaca

Prescrição-modelo

Parâmetros de VNI, alvo de saturação e escolha de fármacos dependem da causa, do paciente e do protocolo do serviço; reavaliar de forma seriada e escalonar para intubação sem demora se falha ou contraindicação.

Dieta

  • Jejum durante VNI/instabilidade (risco de aspiração) até definição

Soro

  • Hidratação/ajuste volêmico conforme causa (cautela na congestão pulmonar)

Medicamentos

  • Oxigênio titulado por alvo de saturação (mais baixo no retentor crônico de CO2)
  • Broncodilatador + corticoide sistêmico na exacerbação de DPOC/asma
  • Diurético e vasodilatador (ex.: nitrato) no edema agudo de pulmão cardiogênico
  • Antibiótico se pneumonia/infecção como causa
  • VNI (BiPAP/CPAP) com pressões tituladas no paciente elegível; preparar sequência de intubação se falha

Recomendações

  • Reavaliar resposta à VNI em 1–2h com gasometria e clínica
  • Não insistir na VNI diante de falha ou contraindicação — escalonar para via aérea avançada
  • Tratar a causa de base em paralelo ao suporte ventilatório

Exames

  • Gasometria inicial e de controle
  • Radiografia de tórax
  • ECG e marcadores cardíacos se suspeita

Referências

  1. [1]Official ERS/ATS Clinical Practice Guidelines: Noninvasive Ventilation for Acute Respiratory Failure, European Respiratory Journal, 2017
  2. [2]Insuficiência respiratória aguda e ventilação não invasiva, Manuais MSD para Profissionais, edição 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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