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HIV no plantão — quando suspeitar, teste rápido, infecção aguda e encaminhamento para início de TARV

Quadro viral arrastado, emagrecimento ou uma oportunista suspeita — quando peço teste de HIV no plantão e o que faço se der reagente?

Red flags — sinais de gravidade

  • Erro que atrasa TARV: teste rápido negativo na fase aguda usado para 'descartar' HIV numa síndrome retroviral típica — está na janela; investigar com carga viral/antígeno.
  • Dispneia progressiva + hipoxemia + Rx com infiltrado difuso no imunossuprimido: pensar em pneumocistose (PCP) — emergência, não mandar para casa.
  • Cefaleia/rebaixamento/déficit focal/convulsão em suspeita de HIV avançado: neurotoxoplasmose, criptococose, meningite — emergência neurológica.
  • Febre + queda do estado geral no HIV avançado: baixar limiar para investigar oportunista e internar.
  • Exposição de risco há <72h abordada só como investigação, perdendo a janela da PEP (profilaxia pós-exposição).
  • Gestante com suspeita/diagnóstico de HIV sem encaminhamento imediato — janela para prevenir transmissão vertical.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Cenário que pede teste: síndrome retroviral aguda (febre, faringite, adenomegalia, rash, mialgia 2–4 semanas após exposição de risco), IST atual, emagrecimento/diarreia crônica, candidíase oral, pneumonia arrastada.
  • Exposição de risco recente — se <72h, pensar em PEP em vez de só investigar infecção estabelecida.
  • Sinais de imunossupressão avançada: candidíase oral, febre prolongada, dispneia progressiva, sintomas neurológicos, perda ponderal.
  • Teste rápido de HIV disponível no plantão dá resultado em minutos — oferecer com aconselhamento e consentimento.
  • Na infecção aguda o teste de anticorpo/rápido pode ser negativo (janela) — se alta suspeita, não descartar só pelo rápido negativo; considerar carga viral/antígeno p24.
  • Rastrear coinfecções: sífilis, hepatites B e C, tuberculose.
  • Estado gestacional em mulher — muda urgência do encaminhamento (transmissão vertical).
  • Rede de referência (SAE/infectologia) para confirmar diagnóstico e iniciar TARV — hoje a recomendação é iniciar o quanto antes.

Conduta inicial

  1. 1Suspeita clínica: oferecer teste rápido de HIV com aconselhamento e consentimento no próprio plantão.
  2. 2Teste reagente: comunicar com cuidado, confirmar pelo fluxograma diagnóstico (segundo teste) e encaminhar ao serviço de infectologia/SAE — a recomendação atual é iniciar TARV o mais precocemente possível.
  3. 3Alta suspeita de infecção aguda com rápido negativo: solicitar carga viral (RNA)/antígeno p24 — não descartar pela janela.
  4. 4Iniciar TARV é decisão do serviço de referência; o papel do plantão é diagnosticar, estabilizar, rastrear oportunistas e encaminhar sem perder o paciente.
  5. 5Sinais de oportunista (PCP, neurotoxoplasmose, criptococose, TB): investigar e tratar a emergência, internar conforme gravidade.
  6. 6Exposição de risco <72h: avaliar PEP (profilaxia pós-exposição) em vez de só investigar.
  7. 7Rastrear sífilis, hepatites B/C e tuberculose; atualizar vacinas conforme protocolo do serviço.
  8. 8Reforçar preservativo, testagem de parceiros e vínculo com o serviço; notificação conforme regras vigentes.

Exames

  • Teste rápido de HIV (dois testes/fluxograma para confirmação) — resultado no plantão.
  • Carga viral (RNA-HIV)/antígeno p24 quando suspeita de infecção aguda com sorologia na janela.
  • Contagem de CD4 e carga viral para estadiar (geralmente no seguimento, não urgência do plantão).
  • Rastreio de coinfecções: VDRL, HBsAg/anti-HBc, anti-HCV, investigação de TB; e exames dirigidos à oportunista suspeita.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta conforme aceitação e estado clínico ___

Soro

  • Hidratação venosa se desidratação/instabilidade: soro fisiológico 0,9% ___ mL, gotejamento ___

Medicamentos

  • TARV: início e escolha do esquema pelo serviço de referência conforme PCDT/MS — não iniciar isoladamente no plantão sem articulação ___
  • Exposição de risco <72h: avaliar PEP conforme protocolo (esquema e duração) ___
  • Tratamento dirigido da oportunista suspeita (ex.: sulfametoxazol-trimetoprima para PCP) — confirmar diagnóstico e dose ___
  • Sintomáticos conforme quadro (antitérmico/analgésico) ___

Recomendações

  • Encaminhamento formal e vinculado ao serviço de infectologia/SAE — garantir que o paciente não se perca
  • Aconselhamento, testagem de parceiros e uso de preservativo
  • Retornar/procurar emergência se dispneia, febre alta, cefaleia intensa, déficit neurológico
  • Rastrear e tratar coinfecções (sífilis, hepatites, TB)

Exames

  • Teste rápido de HIV com confirmação por fluxograma ___
  • Carga viral/antígeno p24 se suspeita de fase aguda ___
  • CD4 + carga viral e rastreio de coinfecções no seguimento ___

Referências

  1. [1]Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos, Ministério da Saúde, 2024 (Módulo 1: Tratamento)
  2. [2]PCDT para Profilaxia Pós-Exposição (PEP) de Risco à Infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais, Ministério da Saúde, 2021
  3. [3]HIV Infection and AIDS, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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