Hepatites virais agudas — icterícia com transaminases altas, sorologias e sinais de hepatite fulminante
Chegou ictérico com TGO/TGP nas alturas — que sorologias peço, o que é viral e como não perder uma hepatite fulminante?
Red flags — sinais de gravidade
Insuficiência hepática aguda (hepatite fulminante): encefalopatia + coagulopatia (INR ≥1,5) em paciente sem cirrose prévia — emergência, contatar centro de transplante.
INR alargado/queda de fatores de coagulação ou hipoglicemia: falência de síntese — não liberar, internar.
Sonolência, confusão, asterixis, inversão do sono: encefalopatia hepática — investigar e tratar precipitantes.
Suspeita de intoxicação por paracetamol: janela para N-acetilcisteína — não esperar a sorologia viral para agir.
Icterícia com dor em hipocôndrio direito + febre + calafrio (padrão colestático): pensar em colangite, que é emergência cirúrgica/endoscópica, não hepatite viral.
Vômitos incoercíveis/desidratação ou incapacidade de manter via oral: internar para suporte.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Padrão hepatocelular: transaminases (TGO/TGP) muito elevadas, geralmente desproporcionais às canaliculares — sugere lesão de hepatócito (viral, tóxica, isquêmica).
Pródromo viral (mal-estar, náusea, anorexia, febre, mialgia) seguido de icterícia, colúria e acolia.
Exposições: água/alimento (A e E), sexual/percutânea/sangue (B e C), álcool, paracetamol e outras drogas/hepatotóxicos, fitoterápicos.
Sorologias de triagem da fase aguda: anti-HAV IgM, HBsAg + anti-HBc IgM, anti-HCV (e HCV-RNA se disponível), considerar anti-HEV conforme contexto.
Bilirrubinas (direta/indireta), fosfatase alcalina e GGT para caracterizar o padrão.
Coagulação (TP/INR) e albumina — marcam função de síntese hepática; INR alargado é sinal de gravidade.
Nível de consciência: qualquer alteração cognitiva/sonolência levanta encefalopatia hepática.
1A maioria das hepatites virais agudas é autolimitada e o manejo é de suporte: hidratação, repouso relativo, controle de náusea e analgesia cautelosa.
2Evitar hepatotóxicos: suspender/evitar álcool, revisar paracetamol e demais drogas de metabolismo hepático; cuidado com doses.
3Solicitar sorologias virais (anti-HAV IgM, HBsAg, anti-HBc IgM, anti-HCV) e função hepática completa com TP/INR.
4Estratificar gravidade pelo INR, bilirrubina e estado mental — a decisão de internar depende disso, não só do valor da transaminase.
5Sinais de fulminante (encefalopatia + coagulopatia): internação, suporte e contato precoce com centro de transplante hepático.
6Suspeita de causa tóxica (paracetamol): iniciar N-acetilcisteína conforme protocolo sem aguardar sorologia.
7Notificar (hepatites virais são de notificação compulsória) e orientar medidas de prevenção conforme a via (higiene/água para A e E; parceria/contatos para B e C).
8Orientar retorno imediato se sonolência/confusão, sangramento, vômitos incoercíveis ou piora da icterícia.
Exames
TGO/TGP, bilirrubinas total e frações, fosfatase alcalina, GGT — caracterizar padrão hepatocelular x colestático.
TP/INR e albumina — função de síntese; INR é o marcador precoce de gravidade.
Glicemia, função renal e eletrólitos; ultrassom de abdome se dúvida entre hepatite e obstrução biliar; nível/dosagem de paracetamol se suspeita.
Prescrição-modelo
Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.
Dieta
Dieta conforme aceitação; sem restrição proteica de rotina, ajustar se encefalopatia ___
Suspender álcool ___
Soro
Hidratação venosa se via oral comprometida/desidratação: soro fisiológico 0,9% ou ringer ___ mL, gotejamento ___
Corrigir hipoglicemia se presente (glicose ___) — comum na falência hepática
Medicamentos
Antiemético para náusea/vômito (ex.: metoclopramida ___ mg ou ondansetrona ___ mg) ___