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Diarreia por Clostridioides difficile — diarreia pós-antibiótico, vancomicina oral e colite fulminante

Paciente internado que tomou antibiótico e agora tem diarreia líquida abundante — quando penso em C. difficile e como trato sem piorar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Colite fulminante: hipotensão/choque, íleo ou megacólon tóxico — emergência, envolver cirurgia precocemente, não é caso de tratar e observar em enfermaria simples.
  • Distensão abdominal com parada de eliminação de fezes/gases (íleo): a via oral pode não chegar ao cólon — associar vancomicina retal e metronidazol IV, avaliar cirurgia.
  • Sinais de perfuração/peritonite ou lactato elevado: avaliação cirúrgica urgente.
  • Loperamida/antiperistáltico usado na fase aguda: pode precipitar megacólon tóxico — evitar.
  • Piora clínica apesar de tratamento adequado: reavaliar gravidade, imagem (TC de abdome) e cirurgia.
  • Recorrência tratada de forma idêntica sem rever estratégia (fidaxomicina, esquema em pulsos/desmame, transplante de microbiota) — discutir com a retaguarda.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Diarreia (≥3 evacuações amolecidas/líquidas em 24h) com uso de antibiótico recente (até ~8–12 semanas) ou internação — o gatilho clássico.
  • Antibióticos de maior risco: clindamicina, cefalosporinas, fluoroquinolonas, penicilinas de amplo espectro — checar o que o paciente recebeu.
  • Testar fezes só de paciente com diarreia (não formada) — não testar assintomático nem 'cura' com exame; teste em fezes moldadas dá falso rótulo.
  • Estratificar gravidade: leucócitos e creatinina (não grave x grave: leucocitose ≥15.000 ou creatinina ≥1,5).
  • Sinais de fulminante: hipotensão/choque, íleo, megacólon tóxico, distensão e dor abdominal importantes.
  • Suspender, se possível, o antibiótico desencadeante e evitar antiperistálticos (loperamida) na fase aguda.
  • Revisar uso de inibidor de bomba de prótons e outros fatores de risco.
  • Precaução de contato com higiene das mãos com água e sabão (álcool gel não elimina esporos) e quarto/coorte adequado.

Conduta inicial

  1. 1Suspender, quando possível, o antibiótico desencadeante e evitar antiperistálticos na fase aguda.
  2. 2Episódio inicial não grave ou grave: vancomicina 125 mg VO 6/6h por 10 dias; fidaxomicina 200 mg VO 12/12h por 10 dias é preferida quando disponível (menos recorrência) — IDSA/SHEA 2021.
  3. 3Colite fulminante: vancomicina 500 mg VO/SNG 6/6h + metronidazol IV 500 mg 8/8h; se íleo, acrescentar vancomicina por via retal — e avaliação cirúrgica precoce.
  4. 4Hidratação e correção de distúrbios hidroeletrolíticos; monitorar leucócitos, creatinina, lactato e o abdome.
  5. 5Precaução de contato; higiene das mãos com água e sabão (esporos resistem ao álcool); limpeza de superfície com esporicida.
  6. 6Não solicitar teste de controle de cura — a toxina/PCR pode permanecer positiva sem doença ativa.
  7. 7Primeira recorrência: fidaxomicina ou vancomicina em esquema prolongado/pulsos; recorrências múltiplas: considerar transplante de microbiota fecal — decidir com a retaguarda.
  8. 8TC de abdome se suspeita de megacólon/complicação; cirurgia (colectomia) se fulminante refratário/perfuração.

Exames

  • Teste de fezes para C. difficile apenas em diarreia não formada (ex.: GDH + toxina, ou NAAT/PCR conforme o laboratório).
  • Hemograma (leucócitos), creatinina e lactato para estratificar gravidade.
  • Eletrólitos e função renal — perdas e desidratação.
  • TC de abdome quando suspeita de colite fulminante, íleo, megacólon tóxico ou perfuração.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta conforme tolerância; hidratação reforçada ___

Soro

  • Reposição volêmica/hidroeletrolítica conforme perdas: soro fisiológico 0,9% ___ mL, gotejamento ___
  • Repor potássio/eletrólitos conforme dosagem ___

Medicamentos

  • Episódio inicial (não grave/grave): vancomicina 125 mg VO 6/6h por 10 dias ___
  • Preferível se disponível: fidaxomicina 200 mg VO 12/12h por 10 dias ___
  • Colite fulminante: vancomicina 500 mg VO/SNG 6/6h + metronidazol 500 mg IV 8/8h; se íleo, vancomicina 500 mg em ___ mL SF por via retal 6/6h ___
  • Suspender antibiótico desencadeante quando possível ___
  • Evitar loperamida/antiperistálticos na fase aguda ___

Recomendações

  • Precaução de contato; higiene das mãos com água e sabão (álcool não mata esporos)
  • Não solicitar teste de cura
  • Monitorar leucócitos, creatinina, lactato e o abdome; retornar se distensão, dor forte, febre ou hipotensão
  • Recorrência: rever estratégia (fidaxomicina/pulsos/transplante de microbiota) com a retaguarda

Exames

  • Teste de fezes para C. difficile só se diarreia não formada ___
  • Hemograma, creatinina, lactato e eletrólitos ___
  • TC de abdome se suspeita de fulminante/megacólon ___

Referências

  1. [1]Clinical Practice Guideline by IDSA and SHEA: 2021 Focused Update Guidelines on Management of Clostridioides difficile Infection in Adults, Clinical Infectious Diseases 73(5):e1029, 2021
  2. [2]Clostridioides difficile Colitis, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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