lesão por pressãoúlcera de decúbitoescaraescala de Bradenestadiamentoprevençãomudança de decúbitocurativocolchão de pressão alternadaacamado

Lesão por pressão — estadiamento, prevenção com escala de Braden e manejo na enfermaria

Paciente acamado com vermelhidão no sacro que não some — que estágio é esse, como classifico e o que faço para não piorar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Sinais de infecção sistêmica a partir da lesão (febre, leucocitose, celulite extensa, crepitação): pensar em osteomielite ou sepse, avaliar antibiótico e avaliação cirúrgica.
  • Escara seca e estável em calcâneo: não desbridar às cegas — remover só com avaliação; desbridar úmido/infectado é diferente de estável.
  • Lesão tissular profunda que evolui rápido para necrose extensa em dias.
  • Não confundir lesão por pressão com dermatite associada à umidade/incontinência — o manejo é diferente.
  • Piora apesar de cuidado adequado: reavaliar nutrição, perfusão (doença arterial), diabetes e superfícies de apoio.
  • Deixar de reavaliar o risco (Braden) e o dispositivo médico como causa — lesões sob sonda/máscara passam despercebidas.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Localização sobre proeminência óssea (sacro, calcâneo, trocânter, occipital) ou sob dispositivo médico (sonda, máscara, cateter).
  • Aplicar a escala de Braden na admissão e reavaliar: quanto menor o escore, maior o risco (subescalas percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição, fricção/cisalhamento).
  • Estadiar: 1 — eritema não branqueável com pele íntegra; 2 — perda parcial com derme exposta (bolha/abrasão); 3 — perda total com gordura visível; 4 — músculo/osso/tendão expostos.
  • Não estadiável — base coberta por esfacelo/escara; lesão tissular profunda — pele intacta/bolha com leito escuro vinhoso.
  • Teste do branqueamento: eritema que não some à digitopressão sugere lesão estágio 1 (cuidado em pele escura, onde a cor muda pouco).
  • Estado nutricional e proteico, hidratação e controle glicêmico — pesam na cicatrização.
  • Umidade/incontinência, fricção e cisalhamento (cabeceira muito elevada, arrastar o paciente).
  • Dor associada e sinais de infecção do leito (eritema perilesional, exsudato purulento, odor, febre).

Conduta inicial

  1. 1Prevenção é o principal: reposicionamento programado (padrão a cada ~2h no leito, individualizar), evitar apoiar sobre a lesão existente.
  2. 2Superfície de redistribuição de pressão (colchão de espuma de alta especificidade ou pressão alternada) para paciente de risco/acamado.
  3. 3Proteger calcâneos suspendendo-os (coxim sob a panturrilha), manter cabeceira ≤30° quando possível para reduzir cisalhamento.
  4. 4Manejar umidade: pele limpa e seca, creme barreira em incontinência, trocas frequentes.
  5. 5Otimizar nutrição — aporte proteico-calórico adequado, avaliar suplementação e acompanhamento nutricional; hidratar.
  6. 6Curativo conforme o estágio e o leito: estágio 2 mantém meio úmido (hidrocoloide/espuma); lesões com exsudato pedem espuma/alginato; desbridar tecido inviável (autolítico/enzimático/cirúrgico) quando indicado.
  7. 7Analgesia antes de trocas de curativo dolorosas e para a dor de base.
  8. 8Registrar estágio, medidas, aspecto do leito e Braden; reavaliar periodicamente e acionar equipe de estomaterapia/curativos.

Exames

  • Diagnóstico e estadiamento são clínicos (inspeção e teste do branqueamento).
  • Avaliar marcadores nutricionais (albumina/pré-albumina como tendência, não isolados) e glicemia/HbA1c em diabéticos.
  • Cultura do leito só orienta antibiótico em infecção clínica — evitar swab de rotina de ferida colonizada.
  • Imagem (RM) e avaliação para osteomielite se lesão profunda que não cicatriza ou suspeita de acometimento ósseo.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta hiperproteica/hipercalórica conforme avaliação nutricional ___
  • Suplemento oral proteico se aporte insuficiente ___

Soro

  • Hidratação venosa se aporte oral insuficiente ___

Medicamentos

  • Analgesia para dor de base e antes das trocas: dipirona ___ mg ou paracetamol ___ mg até ___/___h ___
  • Creme barreira/óxido de zinco na pele perilesional em incontinência ___
  • Desbridante enzimático (ex. colagenase) no leito com tecido inviável, se indicado ___
  • Antibiótico sistêmico apenas se infecção clínica/celulite/osteomielite — conforme cultura ___

Recomendações

  • Reposicionamento programado (~2h, individualizar) e não apoiar sobre a lesão
  • Superfície de redistribuição de pressão adequada ao risco
  • Suspender calcâneos e manter cabeceira ≤30° quando possível
  • Manter pele limpa, seca e protegida; trocar curativo conforme estágio/exsudato
  • Reavaliar escala de Braden e envolver estomaterapia/nutrição

Exames

  • Reavaliação periódica de Braden e do estágio da lesão ___
  • Avaliação nutricional e glicemia/HbA1c ___
  • Cultura/RM se suspeita de infecção profunda/osteomielite ___

Referências

  1. [1]Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline, EPUAP/NPIAP/PPPIA (International Guideline), 2019
  2. [2]Pressure Injuries (Pressure Ulcers) and Wound Care, StatPearls (NCBI Bookshelf), 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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