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Síndrome de realimentação — quem está em risco, fósforo e tiamina, e como reintroduzir a dieta devagar

Vou realimentar um paciente muito desnutrido/em jejum longo — como faço para não desabar o fósforo e provocar a síndrome de realimentação?

Red flags — sinais de gravidade

  • Hipofosfatemia grave sintomática (fraqueza muscular respiratória, arritmia, rabdomiólise): emergência, repor fósforo IV e reduzir/pausar aporte calórico.
  • Sinais de encefalopatia de Wernicke (confusão, oftalmoplegia, ataxia): tiamina parenteral em dose alta imediatamente, antes de glicose.
  • Arritmia/parada por hipopotassemia ou hipomagnesemia profundas durante a realimentação.
  • Avançar calorias rápido em paciente de altíssimo risco: erro que precipita a síndrome — ir mais devagar.
  • Sobrecarga de volume/insuficiência cardíaca com a realimentação, sobretudo em cardiopata.
  • Infundir glicose/dextrose sem repor tiamina antes em paciente de risco (alcoolista, desnutrido).
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Identificar quem é de risco: IMC baixo, perda de peso importante, jejum/pouca ingesta por vários dias, alcoolismo, anorexia, pós-bariátrica, câncer, desnutrição.
  • Critérios de alto risco (tipo NICE): IMC muito baixo, perda ponderal marcada, ingesta mínima prolongada, ou eletrólitos já baixos antes de alimentar.
  • Dosar fósforo, potássio e magnésio ANTES de iniciar calorias e monitorar de perto nos primeiros dias.
  • A síndrome se define por queda de fósforo/potássio/magnésio (e/ou disfunção orgânica/deficiência de tiamina) em até ~5 dias da reintrodução calórica (critério ASPEN 2020).
  • Repor tiamina ANTES de qualquer solução com glicose/dextrose (o carboidrato consome tiamina e pode precipitar Wernicke).
  • Não iniciar com a meta calórica cheia — começar baixo e avançar devagar.
  • Vigiar sinais clínicos: fraqueza, arritmia, insuficiência cardíaca/respiratória, confusão, edema, rabdomiólise.
  • Rever medicações e perdas que agravam distúrbio eletrolítico (diuréticos, diarreia, vômitos).

Conduta inicial

  1. 1Antes de calorias, no paciente de risco: repor tiamina (ex. 100 mg, dose maior se suspeita de Wernicke) e corrigir/monitorar fósforo, potássio e magnésio.
  2. 2Iniciar aporte calórico reduzido em paciente de alto risco (começar bem abaixo da meta) e avançar gradualmente ao longo de dias conforme eletrólitos e tolerância.
  3. 3Se os eletrólitos caem, reduzir ou segurar o avanço calórico e repor antes de progredir — não parar necessariamente a nutrição, mas ir devagar.
  4. 4Repor fósforo, potássio e magnésio de forma proativa conforme os níveis; via IV se grave/sintomático, VO se leve.
  5. 5Manter tiamina diária durante a fase de risco; continuar reposição de complexo B/multivitamínico conforme o caso.
  6. 6Monitorar eletrólitos com frequência (ex. diariamente) nos primeiros dias e depois espaçar conforme estabilidade.
  7. 7Controlar balanço hídrico e de sódio, atenção a sobrecarga em cardiopata/idoso.
  8. 8Envolver equipe de nutrição/EMTN para desenhar a progressão da dieta (oral, enteral ou parenteral).

Exames

  • Fósforo, potássio, magnésio, sódio e glicemia basais e seriados nos primeiros dias.
  • Função renal, cálcio e gasometria conforme o quadro.
  • ECG se distúrbio eletrolítico significativo (risco de arritmia).
  • Avaliar CK se suspeita de rabdomiólise por hipofosfatemia.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Iniciar aporte calórico reduzido (bem abaixo da meta) em alto risco e avançar gradualmente conforme eletrólitos ___ kcal/kg/dia
  • Progressão desenhada com nutrição/EMTN (oral/enteral/parenteral) ___

Soro

  • Reposição de fósforo IV se hipofosfatemia grave/sintomática ___ (ajustar por nível e função renal)
  • Cuidado com volume/sódio em cardiopata — soro conforme balanço ___

Medicamentos

  • Tiamina ___ mg (ex. 100 mg) ANTES de solução com glicose; dose maior se suspeita de Wernicke ___
  • Reposição de potássio conforme nível ___ e magnésio conforme nível ___
  • Reposição de fósforo VO se leve / IV se grave ___
  • Multivitamínico/complexo B durante a fase de risco ___

Recomendações

  • Não iniciar com meta calórica cheia — subir devagar
  • Repor tiamina antes de glicose no paciente de risco
  • Monitorar fósforo/potássio/magnésio diariamente nos primeiros dias
  • Reduzir/segurar avanço calórico se os eletrólitos caírem
  • Controlar balanço hídrico; atenção a sobrecarga em cardiopata

Exames

  • Fósforo, potássio, magnésio, sódio, glicemia seriados ___
  • ECG se distúrbio eletrolítico relevante ___
  • CK se suspeita de rabdomiólise ___

Referências

  1. [1]ASPEN Consensus Recommendations for Refeeding Syndrome (da Silva JSV et al.), Nutrition in Clinical Practice 35(2):178-195, 2020
  2. [2]Refeeding Syndrome, StatPearls (NCBI Bookshelf), 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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