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Cuidados paliativos no plantão — dispneia, dor e secreções no fim de vida, comunicação e proporcionalidade

Paciente em fim de vida com falta de ar e ronco de secreção — como alivio o desconforto sem exagerar e como converso com a família?

Red flags — sinais de gravidade

  • Tratar a saturação/número em vez do conforto do paciente — o objetivo no fim de vida é alívio de sintoma, não normalizar exame.
  • Deixar dispneia ou dor sem opioide por medo infundado de 'acelerar a morte': dose titulada ao sintoma é adequada e ética (duplo efeito).
  • Excesso de aspiração de vias aéreas para sororoca — costuma ser desconfortável e pouco eficaz; posicionar e orientar a família.
  • Iniciar/escalar sedação sem indicação clara (sintoma refratário) e sem comunicação — sedação paliativa tem critérios.
  • Não reavaliar após a dose: subtratamento e supertratamento ambos ocorrem se ninguém volta ao leito.
  • Sintoma novo e reversível assumido como 'fim de vida' sem avaliar (ex. globo vesical, fecaloma, dor tratável) — checar causas de conforto simples.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Identificar a meta de cuidado: já há definição de cuidados exclusivos de conforto? Há diretiva/decisão registrada com paciente e família?
  • Avaliar os sintomas prioritários: dispneia, dor, secreção de vias aéreas (sororoca), náusea, agitação/delirium, boca seca.
  • Dispneia: medir pelo relato/desconforto do paciente, não só pela saturação — o alvo é conforto.
  • Dor: usar o histórico de opioide (virgem vs. já em uso) para dosar com segurança.
  • Secreção terminal (sororoca): costuma incomodar mais a família que o paciente; explicar isso.
  • Rever medicações não essenciais e desprescrever o que não traz conforto (proporcionalidade).
  • Via de administração viável no fim de vida (VO, subcutânea, IV) — a subcutânea é muito útil.
  • Comunicação com a família: linguagem clara, checar entendimento, acolher, alinhar expectativas e o que esperar nas próximas horas.

Conduta inicial

  1. 1Dispneia: opioide é a base — no paciente virgem de opioide, iniciar morfina em dose baixa (ex. 2,5 mg VO/SC) e titular conforme resposta; se já usa opioide, aumentar a dose de base proporcionalmente.
  2. 2Medidas não farmacológicas para dispneia: posicionar sentado, ambiente arejado/ventilador de face, presença e explicação — reduzem a sensação de falta de ar.
  3. 3Oxigênio só se houver hipoxemia com desconforto; não é obrigatório se o paciente está confortável.
  4. 4Dor: seguir a escada analgésica e titular; morfina para dor moderada/intensa com dose de resgate disponível.
  5. 5Secreção terminal (sororoca): posicionar em decúbito lateral, reduzir hidratação artificial excessiva, aspiração gentil só se necessário; anticolinérgico (ex. butilescopolamina SC) pode ser tentado, mas a evidência é fraca — o foco é orientar a família.
  6. 6Agitação/delirium terminal: investigar causa reversível; se refratário e com sofrimento, considerar midazolam com a retaguarda.
  7. 7Ansiedade/desconforto associado à dispneia: benzodiazepínico (ex. midazolam) pode complementar o opioide em casos selecionados.
  8. 8Comunicação e proporcionalidade: alinhar metas com família, desprescrever o que não dá conforto, registrar decisões; reavaliar sintomas com frequência.

Exames

  • No cuidado exclusivo de conforto, minimizar exames — solicitar só o que muda a conduta de alívio.
  • Avaliar causas reversíveis simples de desconforto à beira-leito (globo vesical, fecaloma, dor localizada) sem sobrecarregar o paciente.
  • Saturação/sinais vitais interpretados pelo conforto, não como meta a normalizar.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta/hidratação conforme conforto e aceitação — não forçar via oral no fim de vida ___
  • Reavaliar hidratação artificial pela proporcionalidade (pode agravar secreção) ___

Soro

  • Hidratação artificial apenas se trouxer conforto — reavaliar volume ___
  • Via subcutânea (hipodermóclise) como alternativa quando indicada ___

Medicamentos

  • Dispneia/dor, paciente virgem de opioide: morfina ___ mg (ex. 2,5 mg) VO/SC ___/___h e titular ao sintoma
  • Paciente já em opioide: aumentar a dose de base proporcionalmente ___ e manter resgate
  • Dose de resgate de morfina para dispneia/dor irruptiva: ___ mg SC/VO se necessário
  • Sororoca: butilescopolamina ___ mg SC se optar por tentar (evidência fraca) + posicionamento ___
  • Agitação/dispneia com ansiedade refratária: midazolam ___ mg SC/IV, com a retaguarda ___
  • Antiemético/outros sintomas conforme necessidade ___

Recomendações

  • Tratar o conforto do paciente, não o número da saturação
  • Reavaliar sintomas com frequência e ajustar dose
  • Posicionar em decúbito lateral e orientar a família sobre a sororoca
  • Desprescrever medicação sem benefício de conforto (proporcionalidade)
  • Comunicação clara com a família: checar entendimento e o que esperar

Exames

  • Minimizar exames — só o que muda a conduta de alívio ___
  • Checar causas reversíveis de desconforto à beira-leito (bexiga, fecaloma) ___

Referências

  1. [1]End-of-Life Care: Managing Common Symptoms (Albert RH), American Family Physician 95(6):356-361, 2017
  2. [2]Dyspnea at End-of-Life, Palliative Care Network of Wisconsin (Fast Fact), 2021

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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