hipertensãoHASpressão altaanti-hipertensivoIECABRAlosartanaanlodipinohidroclorotiazidameta pressóricaterapia combinadaalta do PS

Hipertensão arterial — quando iniciar anti-hipertensivo, meta pressórica e mono vs. terapia combinada

Paciente do plantão com PA persistentemente alta — começo anti-hipertensivo agora, qual classe e mono ou combinado, e qual meta oriento na alta?

Red flags — sinais de gravidade

  • Baixar PA rápido com captopril sublingual/nifedipino em paciente assintomático — queda abrupta pode causar isquemia; PA cronicamente alta se controla em dias/semanas, não em minutos.
  • PA muito alta COM lesão de órgão-alvo aguda (dor torácica, dispneia/EAP, déficit neurológico, encefalopatia, dissecção) — é emergência hipertensiva, tratamento EV monitorizado, não alta com receita.
  • Iniciar IECA/BRA sem checar creatinina/potássio, ou em gestante (contraindicado).
  • Rotular como HAS crônica um pico secundário a dor, retenção urinária, abstinência ou hipertensão do jaleco — tratar o gatilho antes.
  • Não orientar seguimento — paciente sai com receita e sem quem reavalie ajuste e adesão.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar que é hipertensão de verdade e não pico isolado por dor/ansiedade — medir corretamente, repetir e, sempre que possível, apoiar em medidas fora do consultório (MAPA/MRPA) antes de rotular.
  • Separar urgência/emergência hipertensiva (com lesão de órgão-alvo aguda) de PA cronicamente alta assintomática — a segunda não se trata com anti-hipertensivo EV nem baixa agressiva no PS.
  • Estimar o risco cardiovascular global (idade, DM, DRC, doença cardiovascular estabelecida, tabagismo) — ele define urgência de tratar e a estratégia.
  • Estagiar a PA pela diretriz brasileira SBC/SBH 2025: estágio 1 (140–159/90–99), estágio 2 (160–179/100–109), estágio 3 (≥180/110) — para decidir mono vs. combinação. Nota: ACC/AHA 2025 usa apenas 2 estágios com limiar em 130/80; o estadiamento em 3 estágios (limiar 140/90) é o adotado no Brasil.
  • Rever comorbidades que escolhem a classe: IECA/BRA em DM com albuminúria e DRC; betabloqueador se coronariopatia/IC; evitar duplo bloqueio IECA+BRA.
  • Checar função renal e potássio antes de IECA/BRA e de espironolactona.
  • Investigar causas de HAS secundária quando houver pistas (jovem, resistente, hipopotassemia, sopro abdominal).
  • Combinar seguimento ambulatorial — anti-hipertensivo iniciado no plantão precisa de reavaliação, não é conduta de dose única.

Conduta inicial

  1. 1PA elevada assintomática no PS não é emergência: o objetivo é iniciar/ajustar tratamento oral e garantir seguimento, não normalizar a PA na sala.
  2. 2Confirmado o diagnóstico, associar sempre medidas não farmacológicas (redução de sódio, peso, álcool, atividade física) ao fármaco.
  3. 3Estágio 1 com baixo risco: monoterapia ainda é aceita, mas a SBC 2025 passa a preferir combinação em dose baixa mesmo nesse cenário pelo melhor controle e adesão; estágio 1 com risco alto e estágio 2/3 iniciam com combinação de duas classes.
  4. 4Classes de primeira linha e boa combinação: IECA ou BRA + bloqueador de canal de cálcio (ex.: anlodipino) e/ou diurético tiazídico; escolher pela comorbidade.
  5. 5Reavaliar em ~2 semanas para titular (SBC 2025 recomenda primeiro retorno em até 7 dias após urgência hipertensiva tratada no PS); se não controlar com dois fármacos otimizados, avançar para tripla (IECA/BRA + BCC + tiazídico) antes de rotular como resistente.
  6. 6Meta geral de controle ambulatorial < 130/80 mmHg (a SBC 2025 tornou essa meta universal; individualizar em idosos frágeis segue prudente por tolerância — sem provocar hipotensão sintomática).
  7. 7Não usar IECA e BRA juntos; cuidado com potássio ao somar IECA/BRA + espironolactona.
  8. 8Orientar retorno/encaminhamento à atenção primária ou ambulatório para acompanhamento e reforço de adesão.

Exames

  • Avaliação inicial de rotina na HAS: creatinina com estimativa de TFG, potássio, glicemia/HbA1c, perfil lipídico, EAS, ECG.
  • Investigar lesão de órgão-alvo conforme o caso (ECG/eco para HVE, relação albumina/creatinina urinária).
  • Rastreio de HAS secundária apenas quando há pistas clínicas (início jovem, resistência, hipopotassemia espontânea).
  • MAPA/MRPA para confirmar diagnóstico e afastar hipertensão do jaleco quando disponível.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, função renal, potássio, gestação e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Redução de sódio (< 2 g de sódio/dia), padrão alimentar tipo DASH ___
  • Redução de álcool e perda de peso quando indicada ___

Medicamentos

  • IECA: enalapril ___ mg VO ou captopril ___ mg VO — OU BRA: losartana ___ mg VO 1x/dia (checar creatinina/K+; contraindicado na gestação)
  • Bloqueador de canal de cálcio: anlodipino ___ mg VO 1x/dia
  • Diurético tiazídico: hidroclorotiazida ___ mg VO 1x/dia (ou clortalidona ___ mg) pela manhã
  • Preferir iniciar combinação em dose baixa (IECA/BRA + BCC e/ou tiazídico) quando indicado, em vez de monoterapia em dose alta ___

Recomendações

  • Não normalizar PA de forma abrupta em paciente assintomático
  • Atividade física regular, cessação de tabagismo
  • Ensinar automedida domiciliar da PA e registro para o retorno
  • Retorno em até 7 dias se urgência hipertensiva tratada no PS; retorno ambulatorial em ~2 semanas nos demais casos — encaminhar para atenção primária/ambulatório ___

Exames

  • Basais: creatinina/TFG, K+, glicemia/HbA1c, lipídios, EAS, ECG ___
  • Reavaliar eletrólitos e função renal após iniciar IECA/BRA ou diurético ___

Referências

  1. [1]Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) / Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) / Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN)
  2. [2]Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020, SBC/SBH/SBN, Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2021
  3. [3]Hypertension Treatment & Management, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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