gastroenterologiaambulatoriodrgerefluxoazia refratariaibpinibidor de bomba de protonspirose persistente
DRGE refratária — reavaliação e manejo ambulatorial após falha de IBP em dose padrão
O paciente já usa IBP em dose padrão e continua com sintomas. É DRGE refratária de verdade ou outra causa? Como investigar e ajustar o tratamento no ambulatório?
Red flags — sinais de gravidade
Disfagia progressiva, odinofagia ou impactação alimentar — investigar via endoscopia antes de qualquer ajuste empírico
Emagrecimento não intencional, sangramento digestivo ou anemia ferropriva
Início de sintomas após os 50-60 anos ou sintomas noturnos/atípicos importantes (rouquidão, tosse crônica, dor torácica) sem investigação prévia
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Confirmar adesão real e técnica de uso do IBP (horário, jejum, dose dobrada já tentada?)
Reforçar diagnóstico prévio de DRGE — houve endoscopia ou pHmetria documentando doença antes de rotular como refratária?
Rastrear sintomas de alarme (disfagia, emagrecimento, sangramento, anemia, idade de início tardia)
Perguntar sobre fatores agravantes: obesidade, tabagismo, álcool, hérnia de hiato, uso de AINE
Conduta inicial
1Excluir má adesão e erro de técnica antes de qualquer escalonamento — causa mais comum de 'refratariedade' aparente
2Se ainda não fez, solicitar endoscopia digestiva alta para excluir esofagite erosiva relevante, esôfago de Barrett e diagnósticos diferenciais
3Se endoscopia normal e sintomas persistem com IBP otimizado, considerar pHmetria/impedanciometria com o paciente em uso do IBP para diferenciar DRGE verdadeira de hipersensibilidade esofágica ou pirose funcional
4Otimizar o IBP antes de trocar de classe: dose correta 30-60 min antes da primeira refeição, considerar dose dobrada (2x/dia) por tempo limitado
5Tratar fatores associados: perda de peso se sobrepeso/obesidade, elevar cabeceira, evitar gatilhos alimentares individuais
6Discutir avaliação cirúrgica (fundoplicatura) ou terapias endoscópicas em casos com DRGE objetivamente confirmada e refratária a tratamento clínico otimizado
Exames
Endoscopia digestiva alta
pHmetria de 24h (com ou sem impedanciometria), preferencialmente em uso do IBP para avaliar refratariedade verdadeira
Manometria esofágica de alta resolução se suspeita de distúrbio motor associado
Prescrição-modelo
Plano em rascunho — confirmar adesão prévia, achados endoscópicos, resultado de pHmetria quando disponível e ausência de sinais de alarme antes de escalonar.
Medicamentos
IBP em dose otimizada (revisar horário/adesão antes de trocar) — ___
Considerar baclofeno em casos selecionados, sob orientação especializada — ___
Recomendações
Adesão/técnica de uso do IBP confirmada: ___
Achado endoscópico prévio: ___
Sinais de alarme: ___
Fatores associados (peso, tabagismo, hérnia de hiato): ___
Exames
Investigação complementar indicada: ___
Referências
[1]Diretriz Brasileira de Conduta Terapêutica na Doença do Refluxo Gastroesofágico — Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Arquivos de Gastroenterologia, 2024;61:e23154
[2]Consenso de Lyon 2.0 — atualização de critérios diagnósticos de DRGE, 2023 (Gyawali CP et al., Gut)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.