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Síndrome do intestino irritável (SII) — diagnóstico (critérios de Roma IV) e manejo ambulatorial
Paciente com dor abdominal recorrente e alteração do hábito intestinal, sem sinais de alarme — como fechar o diagnóstico de SII pelos critérios de Roma IV e conduzir o tratamento?
Red flags — sinais de gravidade
Sangramento retal, anemia ferropriva, emagrecimento não intencional
Início dos sintomas após os 50 anos, história familiar de câncer colorretal ou DII
Massa abdominal palpável, diarreia noturna que desperta o paciente, febre
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Aplicar critérios de Roma IV: dor abdominal recorrente, em média ≥1x/semana nos últimos 3 meses, associada a ≥2 de: relação com evacuação, mudança na frequência das evacuações, mudança na forma das fezes
Classificar o subtipo predominante (SII-C constipação, SII-D diarreia, SII-M misto, SII-não classificado) pela escala de Bristol
Rastrear sinais de alarme antes de assumir diagnóstico positivo (não é diagnóstico de exclusão, mas exige triagem)
Investigar história familiar de doença inflamatória intestinal, doença celíaca ou câncer colorretal
Avaliar impacto de dieta, estresse e comorbidades funcionais (ansiedade, fibromialgia, enxaqueca) associadas
Conduta inicial
1Fazer diagnóstico positivo pelos critérios de Roma IV em vez de diagnóstico de exclusão — reduz investigação desnecessária
2Triagem básica para excluir doença celíaca e, quando indicado por sintomas ou subtipo, calprotectina fecal para afastar DII
3Orientar dieta com restrição breve de FODMAP como primeira linha para sintomas globais, seguida de reintrodução guiada
4Considerar terapia comportamental/psicoterapia direcionada ao intestino (gut-directed) para sintomas persistentes
5Tratamento farmacológico dirigido ao subtipo predominante: fibra solúvel para sintomas globais (recomendação forte da ACG 2021 — antiespasmódico tem evidência mais fraca); rifaximina para SII-D; secretagogos para SII-C (recomendação forte; laxante osmótico/PEG tem evidência mais fraca para sintomas globais), conforme resposta e disponibilidade
Exames
Hemograma e sorologia para doença celíaca (anti-transglutaminase IgA)
Calprotectina fecal quando houver dúvida com DII, principalmente em SII-D
Colonoscopia reservada para sinais de alarme, idade de rastreio ou dúvida diagnóstica — não rotineira em SII típica sem alarme
Prescrição-modelo
Plano em rascunho — confirmar subtipo predominante, ausência de sinais de alarme e triagem básica antes de escalonar tratamento farmacológico.
Dieta
Restrição breve de FODMAP com reintrodução guiada (idealmente com apoio nutricional) — ___
Medicamentos
Fibra solúvel se dor predominante (ACG 2021: recomendação forte; antiespasmódico é opção de evidência mais fraca, ACG recomenda contra uso rotineiro dos disponíveis) — ___
Conforme subtipo (SII-C: secretagogo — recomendação forte da ACG; laxante osmótico/PEG tem evidência mais fraca para sintomas globais; SII-D: rifaximina ou antidiarreico) — ___
Recomendações
Critérios de Roma IV preenchidos: ___
Subtipo (Bristol): ___
Sinais de alarme: ___
Triagem para celíaca/DII realizada: ___
Exames
Investigação complementar indicada: ___
Referências
[1]ACG Clinical Guideline: Management of Irritable Bowel Syndrome — Lacy BE et al., American Journal of Gastroenterology, 2021;116(1):17-44
[2]Critérios diagnósticos de Roma IV para distúrbios da interação intestino-cérebro (Rome Foundation, 2016)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.