Gestante ou puérpera com hipertensão e suspeita de pré-eclâmpsia grave, ou em crise convulsiva. Como confirmar gravidade, prevenir/tratar a convulsão e conduzir até a decisão obstétrica?
Red flags — sinais de gravidade
PA gravemente elevada (≥ 160/110 mmHg sustentada — corte convencional ACOG/ISSHP para "severe range", individualizar conforme quadro clínico) — risco de hemorragia cerebral
Sintomas premonitórios de eclâmpsia: cefaleia intensa persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica/em barra, hiper-reflexia
Convulsão tônico-clônica em gestante/puérpera com hipertensão — eclâmpsia até prova em contrário
Sinais de síndrome HELLP: dor em hipocôndrio direito, náusea/vômitos, plaquetopenia, elevação de transaminases, hemólise
Oligúria, edema agudo de pulmão, dor torácica — disfunção de órgão-alvo grave
Erro que mata: tratar a convulsão eclâmptica como crise epiléptica comum em vez de sulfato de magnésio
Erro que mata: reduzir a PA de forma abrupta e excessiva, comprometendo a perfusão placentária e cerebral materna
Erro que mata: não considerar eclâmpsia/pré-eclâmpsia grave no puerpério
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Confirmar critérios de gravidade (PA muito elevada, sintomas premonitórios, alterações laboratoriais ou de órgão-alvo)
Sulfato de magnésio para prevenção/tratamento de convulsão em todo caso de pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia
Controle da PA grave com anti-hipertensivo de ação rápida, com meta de redução controlada
Avaliar bem-estar fetal sem retardar o tratamento materno
Avaliar sinais de síndrome HELLP (hemólise, elevação de enzimas hepáticas, plaquetopenia)
Decisão sobre momento e via do parto é do obstetra responsável
2Iniciar sulfato de magnésio (dose de ataque + manutenção) em toda pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia — anticonvulsivante de escolha.
3Se convulsão em curso: proteger via aérea, posição lateral, oxigênio suplementar, administrar sulfato de magnésio; benzodiazepínico apenas como adjuvante em convulsão refratária ao magnésio.
4Controlar a PA grave (≥ 160/110 mmHg) com anti-hipertensivo de ação rápida (ex.: hidralazina, labetalol ou nifedipina), idealmente em até 15-60 minutos, com redução controlada e gradual.
5Monitorizar magnesemia clinicamente (reflexos, FR, diurese) durante a infusão, com gluconato de cálcio disponível como antídoto.
6Avaliar bem-estar fetal assim que a paciente estiver estabilizada, sem retardar a estabilização materna.
7Investigar síndrome HELLP e outras complicações com exames laboratoriais e reavaliação seriada.
8A decisão sobre momento e via do parto é do obstetra responsável, conforme idade gestacional, gravidade materna e bem-estar fetal.
9Manter vigilância no puerpério imediato, mantendo sulfato de magnésio por período determinado conforme protocolo.
Exames
Hemograma completo com plaquetas — plaquetopenia e hemólise (esquizócitos)
Transaminases (TGO/TGP), LDH e bilirrubinas — rastreio de síndrome HELLP
Função renal e proteinúria — critérios diagnósticos e de gravidade
Coagulograma se plaquetopenia importante ou suspeita de coagulopatia
Cardiotocografia e ultrassom obstétrico com Doppler
Fundo de olho se sintomas visuais
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Jejum em vigência de instabilidade aguda ou convulsão recente, até reavaliação
Soro
Cristaloide IV com controle estrito de volume infundido, pelo risco de edema agudo de pulmão
Diluição padronizada de sulfato de magnésio conforme protocolo institucional para dose de ataque e manutenção
Medicamentos
Sulfato de magnésio IV (dose de ataque + manutenção) — anticonvulsivante de escolha
Anti-hipertensivo de ação rápida (hidralazina, labetalol ou nifedipina) para PA gravemente elevada (≥ 160/110 mmHg), com meta de redução controlada em até 15-60 minutos
Gluconato de cálcio disponível à beira-leito como antídoto para intoxicação por magnésio
Corticoide para maturação pulmonar fetal se idade gestacional compatível e parto pré-termo iminente
Recomendações
Monitorização contínua de PA, reflexos, frequência respiratória e diurese durante infusão de magnésio
Avaliação seriada de sinais premonitórios e bem-estar fetal
Exames
Hemograma, transaminases, LDH, bilirrubinas e função renal seriados
Cardiotocografia seriada conforme gravidade e idade gestacional
Referências
[1]ACOG Practice Bulletin No. 222: Gestational Hypertension and Preeclampsia, American College of Obstetricians and Gynecologists, 2020
[2]ISSHP Classification, Diagnosis and Management Recommendations for Hypertensive Disorders of Pregnancy, International Society for the Study of Hypertension in Pregnancy, 2018
[3]Manual de Gestação de Alto Risco, Ministério da Saúde, 2022
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.