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Gravidez ectópica rota / suspeita

Mulher em idade fértil com beta-hCG positivo, dor pélvica e/ou sangramento vaginal, sem gestação intrauterina confirmada. Como suspeitar de gravidez ectópica, identificar rotura e conduzir a emergência?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor pélvica/abdominal intensa de início súbito, especialmente unilateral, em mulher com beta-hCG positivo — suspeitar de rotura até prova em contrário
  • Sinais de choque hipovolêmico associados a dor abdominal e beta-hCG positivo — abdome agudo hemorrágico
  • Sinais de irritação peritoneal — sugerem hemoperitônio
  • Dor referida em ombro (sinal de Kehr) — irritação diafragmática por hemoperitônio significativo
  • Útero vazio à USTV com beta-hCG acima do limiar discriminatório — fortemente sugestivo de ectópica
  • Erro que mata: aguardar confirmação completa de localização por ultrassom antes de estabilizar e acionar a equipe cirúrgica em paciente com sinais de choque e abdome agudo
  • Erro que mata: descartar gravidez ectópica apenas porque há sangramento vaginal "tipo menstrual"
  • Erro que mata: não repetir beta-hCG seriado em paciente estável com localização indeterminada
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Beta-hCG quantitativo e ultrassom transvaginal em toda mulher em idade fértil com dor pélvica/sangramento e teste de gravidez positivo
  • Suspeitar de rotura tubária diante de dor pélvica intensa súbita associada a instabilidade hemodinâmica
  • Não esperar localização ultrassonográfica precisa da gestação ectópica para agir se houver sinais de abdome agudo hemorrágico
  • Acesso venoso calibroso, tipagem sanguínea e reserva de hemocomponentes precoce se suspeita de rotura
  • Avaliar fatores de risco (cirurgia tubária prévia, DIPA, gestação ectópica anterior, tabagismo, FIV, DIU em uso)
  • Decisão entre manejo expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico é do obstetra/ginecologista

Conduta inicial

  1. 1Em toda mulher em idade fértil com dor pélvica e/ou sangramento vaginal e beta-hCG positivo, considerar gravidez ectópica até gestação intrauterina ser confirmada por ultrassom.
  2. 2Avaliar estabilidade hemodinâmica imediatamente — sinais de choque com abdome agudo exigem acionamento imediato da equipe cirúrgica/ginecológica, sem aguardar confirmação ultrassonográfica completa.
  3. 3Se instável: dois acessos venosos calibrosos, reposição volêmica agressiva, tipagem sanguínea e reserva de hemocomponentes, encaminhamento para laparotomia/laparoscopia de urgência.
  4. 4Se estável: ultrassom transvaginal para localizar a gestação e avaliar líquido livre.
  5. 5Correlacionar beta-hCG quantitativo com achados ultrassonográficos.
  6. 6Em paciente estável com localização indeterminada, seguimento com beta-hCG seriado (a cada 48h) e ultrassom de repetição.
  7. 7Avaliar fatores de risco — reforçam a suspeita, mas a ausência não exclui o diagnóstico.
  8. 8A escolha entre manejo expectante, medicamentoso (metotrexato) e cirúrgico é decisão do ginecologista/obstetra responsável.
  9. 9Fornecer analgesia adequada e suporte enquanto se aguarda definição diagnóstica/terapêutica.

Exames

  • Beta-hCG quantitativo, seriado se necessário
  • Ultrassom transvaginal — exame de escolha para localizar a gestação e avaliar líquido livre
  • Hemograma completo e tipagem sanguínea/fator Rh
  • Coagulograma se sangramento importante ou pré-operatório de urgência
  • Função renal e hepática antes de eventual tratamento com metotrexato

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum se possibilidade de abordagem cirúrgica de urgência

Soro

  • Cristaloide IV em bólus para reposição volêmica se sinais de hemoperitônio/choque
  • Hemocomponentes conforme gravidade do sangramento e avaliação pré-operatória

Medicamentos

  • Analgesia adequada conforme intensidade da dor
  • Imunoglobulina anti-Rh se paciente Rh negativo
  • Metotrexato apenas em paciente estável que preencha critérios específicos de elegibilidade, conforme decisão do ginecologista/obstetra responsável

Recomendações

  • Monitorização hemodinâmica contínua até definição diagnóstica
  • Orientação de sinais de alarme para retorno imediato em manejo expectante/seguimento ambulatorial
  • Acionamento precoce de equipe cirúrgica se qualquer sinal de instabilidade

Exames

  • Beta-hCG seriado conforme conduta escolhida
  • Hemoglobina/hematócrito de controle se sangramento significativo

Referências

  1. [1]ACOG Practice Bulletin No. 193: Tubal Ectopic Pregnancy, American College of Obstetricians and Gynecologists, 2018
  2. [2]RCOG Green-top Guideline No. 21: Diagnosis and Management of Ectopic Pregnancy, Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, 2016
  3. [3]FEBRASGO — Manual de Orientação: Gravidez Ectópica, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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