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Abortamento e complicações (hemorrágico/infectado)

Gestante com sangramento vaginal e/ou cólica em gestação inicial, ou com suspeita de abortamento infectado. Como classificar o tipo de abortamento e conduzir a hemorragia ou a infecção associada?

Red flags — sinais de gravidade

  • Sangramento vaginal volumoso com instabilidade hemodinâmica — abortamento hemorrágico
  • Febre, secreção vaginal fétida, dor pélvica importante e útero amolecido/doloroso — abortamento infectado, risco de sepse
  • Sinais de sepse em contexto de abortamento — abortamento séptico, emergência
  • Suspeita de perfuração uterina ou lesão de víscera associada a manipulação uterina prévia insegura
  • Colo uterino aberto com tecido visível em paciente instável
  • Erro que mata: tratar abortamento infectado apenas com antibiótico sem providenciar esvaziamento uterino
  • Erro que mata: não considerar sepse em paciente com abortamento e febre baixa/discreta
  • Erro que mata: não perguntar ativamente sobre manipulação uterina prévia
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Classificar o quadro: ameaça, inevitável, incompleto, completo, retido ou infectado
  • Avaliar estabilidade hemodinâmica antes de qualquer outra decisão se houver sangramento importante
  • Suspeitar de abortamento infectado diante de febre, secreção fétida, dor pélvica e útero amolecido/doloroso
  • Ultrassom transvaginal para confirmar viabilidade/localização e quantidade de tecido retido
  • Esvaziamento uterino (medicamentoso ou instrumental) conforme tipo e estabilidade clínica
  • Imunoglobulina anti-Rh se paciente Rh negativo

Conduta inicial

  1. 1Classificar o tipo de abortamento com base em clínica e ultrassom.
  2. 2Avaliar estabilidade hemodinâmica primeiro — se sangramento importante com instabilidade, priorizar reposição volêmica e esvaziamento uterino de urgência.
  3. 3Se suspeita de abortamento infectado: iniciar antibioticoterapia de amplo espectro precocemente e providenciar esvaziamento uterino o mais rápido possível.
  4. 4Avaliar sinais de sepse em todo abortamento infectado e manejar conforme protocolo de sepse, em paralelo ao esvaziamento uterino.
  5. 5Investigar e tratar possível perfuração uterina ou lesão visceral se história de manipulação insegura.
  6. 6Definir via de esvaziamento uterino (medicamentosa, AMIU/curetagem, ou expectante) conforme tipo, idade gestacional e preferência da paciente, sob decisão do obstetra responsável.
  7. 7Analgesia adequada em todas as etapas.
  8. 8Administrar imunoglobulina anti-Rh em toda paciente Rh negativo não sensibilizada.
  9. 9Oferecer suporte emocional e orientação de seguimento.

Exames

  • Beta-hCG quantitativo, seriado se dúvida diagnóstica
  • Ultrassom transvaginal — viabilidade, localização, tecido retido e líquido livre
  • Hemograma completo — anemia e leucocitose
  • Tipagem sanguínea e fator Rh
  • PCR e lactato se suspeita de infecção/sepse
  • Cultura de secreção vaginal/endometrial se abortamento infectado, sem retardar antibiótico
  • Função renal se sinais de sepse

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum se necessidade de esvaziamento uterino instrumental/cirúrgico

Soro

  • Cristaloide IV para reposição volêmica conforme sangramento/sinais de sepse
  • Hemocomponentes se anemia significativa ou sangramento importante

Medicamentos

  • Antibioticoterapia de amplo espectro precoce se abortamento infectado/sepse
  • Misoprostol para esvaziamento medicamentoso, conforme tipo e idade gestacional
  • Analgesia conforme intensidade da dor
  • Imunoglobulina anti-Rh se paciente Rh negativo
  • Uterotônico (ocitocina) se sangramento importante após esvaziamento

Recomendações

  • Monitorização de sinais vitais e sangramento até estabilização
  • Avaliação seriada de sinais de sepse em abortamento infectado
  • Orientação sobre sinais de alarme e seguimento ambulatorial após alta

Exames

  • Hemoglobina de controle pós-esvaziamento se sangramento significativo
  • Ultrassom de controle se suspeita de tecido retido após o procedimento

Referências

  1. [1]ACOG Practice Bulletin No. 200: Early Pregnancy Loss, American College of Obstetricians and Gynecologists, 2018
  2. [2]WHO Abortion Care Guideline, Organização Mundial da Saúde, 2022
  3. [3]FEBRASGO — Manual de Orientação: Abortamento, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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