Mulher com dor pélvica, corrimento vaginal e/ou febre, com suspeita de doença inflamatória pélvica. Como confirmar o diagnóstico clínico, decidir entre tratamento ambulatorial e internação, e tratar adequadamente?
Red flags — sinais de gravidade
Dor abdominal/pélvica intensa com sinais de irritação peritoneal — risco de abscesso tubo-ovariano roto
Febre alta persistente apesar de antibioticoterapia adequada — abscesso não drenado
Massa pélvica palpável — sugere abscesso tubo-ovariano
Sinais de sepse em contexto de DIPA — possível abscesso roto com peritonite generalizada
Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis (perihepatite associada à DIPA)
Erro que mata: aguardar cultura/PCR antes de iniciar antibioticoterapia empírica
Erro que mata: não considerar gravidez ectópica como diagnóstico diferencial/concomitante
Erro que mata: dar alta ambulatorial em paciente com abscesso significativo, intolerância oral, gravidez ou sem melhora em 48-72h
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
DIPA é diagnóstico clínico — não esperar confirmação laboratorial/de imagem completa para iniciar tratamento empírico
Excluir gravidez (beta-hCG) em toda mulher em idade fértil antes de definir conduta
Antibioticoterapia empírica de amplo espectro cobrindo gonococo, clamídia e flora polimicrobiana (incluindo anaeróbios)
Investigar e tratar parceiro(s) sexual(is) recente(s) quando IST suspeitada/confirmada
Considerar abscesso tubo-ovariano e suas complicações (rotura) diante de massa pélvica palpável
Conduta inicial
1Suspeitar de DIPA em mulher sexualmente ativa com dor pélvica baixa, dor à mobilização do colo e/ou dor anexial/uterina ao exame bimanual — tratamento empírico não deve esperar confirmação laboratorial completa.
2Excluir gravidez com beta-hCG e considerar gravidez ectópica como diferencial.
3Avaliar sinais de gravidade e critérios de internação (temperatura elevada, peritonite, intolerância oral, falha ambulatorial, gravidez, abscesso tubo-ovariano).
4Iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro cobrindo gonococo, clamídia e anaeróbios — via oral em casos leves/moderados, parenteral se critério de internação.
5Solicitar ultrassom pélvico/transvaginal se suspeita de abscesso tubo-ovariano.
6Abscesso de grande volume ou refratário pode necessitar de drenagem percutânea ou cirúrgica, decisão do ginecologista.
7Reavaliar clinicamente em 48-72h — ausência de melhora exige reavaliação diagnóstica e possível internação.
8Orientar abstinência sexual até completar tratamento e oferecer testagem/tratamento ao(s) parceiro(s).
9Remover DIU apenas se não houver resposta ao tratamento em 48-72h.
Exames
Beta-hCG — excluir gravidez/ectópica
Teste para gonococo e clamídia (PCR/cultura endocervical)
Hemograma completo e PCR
Ultrassom pélvico/transvaginal — massa anexial/abscesso, espessamento tubário, líquido livre
Sorologias para outras ISTs (HIV, sífilis, hepatites B e C)
Urocultura e avaliação de apendicite como diferenciais
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Dieta oral conforme tolerância em tratamento ambulatorial; jejum se necessidade de drenagem
Soro
Hidratação venosa se intolerância oral, sinais de sepse ou necessidade de internação
Medicamentos
Esquema antibiótico combinado cobrindo gonococo, clamídia e anaeróbios, via oral ou parenteral conforme critério de internação
Analgesia conforme intensidade da dor
Tratamento do(s) parceiro(s) sexual(is) recente(s) conforme rastreio/confirmação de IST
Recomendações
Abstinência sexual até completar o tratamento e resolução dos sintomas do(s) parceiro(s)
Reavaliação clínica em 48-72h
Orientação sobre sinais de alarme para retorno
Exames
Reavaliação de PCR/hemograma se ausência de melhora clínica
Ultrassom de controle se massa anexial em acompanhamento
Referências
[1]Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021 — Pelvic Inflammatory Disease, Centers for Disease Control and Prevention (CDC), 2021
[2]FEBRASGO — Manual de Orientação: Doença Inflamatória Pélvica, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.