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Trabalho de parto prematuro / ameaça de parto prematuro

Gestante pré-termo com contrações uterinas regulares e/ou alterações cervicais. Como diferenciar ameaça de trabalho de parto prematuro de trabalho de parto prematuro estabelecido, e quais medidas são prioritárias?

Red flags — sinais de gravidade

  • Contrações regulares e dolorosas com dilatação/esvaecimento progressivo — trabalho de parto prematuro estabelecido
  • Sangramento vaginal associado a contrações — considerar DPP como diferencial/concomitante
  • Febre materna, taquicardia fetal, líquido amniótico fétido — suspeitar corioamnionite
  • Perda de líquido associada — avaliar rotura prematura de membranas
  • Cardiotocografia não tranquilizadora — pode contraindicar tocólise
  • Erro que mata: iniciar tocólise sem excluir corioamnionite, DPP ou sofrimento fetal
  • Erro que mata: não administrar corticoide por achar que "o parto não vai acontecer agora"
  • Erro que mata: confundir Braxton-Hicks com trabalho de parto verdadeiro sem reavaliação cervical seriada
  • Erro que mata: usar indometacina como tocolítico além de aproximadamente 32 semanas — risco fetal de oligoidrâmnio e fechamento precoce do ducto arterioso, exigindo escolha de outro tocolítico conforme idade gestacional
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar idade gestacional com precisão antes de definir conduta
  • Avaliar contrações uterinas e modificação cervical para diferenciar ameaça de trabalho estabelecido
  • Excluir causas que contraindiquem tocólise (corioamnionite, DPP, sofrimento fetal, RPM com infecção, óbito fetal)
  • Corticoide para maturação pulmonar fetal se dentro da janela recomendada
  • Considerar neuroproteção fetal com sulfato de magnésio se extremamente pré-termo
  • Avaliar necessidade de transferência para serviço com suporte neonatal adequado

Conduta inicial

  1. 1Confirmar idade gestacional com a maior precisão possível (DUM/ultrassom de primeiro trimestre).
  2. 2Diferenciar ameaça (sem modificação cervical progressiva) de trabalho de parto prematuro estabelecido (modificação progressiva).
  3. 3Excluir contraindicações à tocólise antes de iniciá-la.
  4. 4Avaliar bem-estar fetal com cardiotocografia.
  5. 5Se confirmado, sem contraindicações e dentro da janela de benefício: considerar tocólise (geralmente 48h) para completar corticoide e/ou transferência.
  6. 6Administrar corticoide para maturação pulmonar fetal se idade gestacional compatível e risco real de parto pré-termo iminente.
  7. 7Considerar sulfato de magnésio para neuroproteção fetal (não tocolítico) em gestação extremamente pré-termo, conforme protocolo institucional.
  8. 8Avaliar antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B conforme rastreio e parto iminente.
  9. 9Avaliar necessidade de transferência para unidade com suporte neonatal adequado antes do parto se tornar iminente.
  10. 10Decisão sobre inibir ou permitir progressão do trabalho de parto, e via de parto, é do obstetra responsável.

Exames

  • Cardiotocografia
  • Ultrassom obstétrico — biometria, posição fetal, líquido amniótico, colo uterino e placenta
  • Exame especular e toque vaginal cuidadoso
  • Fibronectina fetal ou medida do colo por USTV, se disponível
  • Hemograma, PCR, urocultura e pesquisa de vaginose/cervicite
  • Rastreio de estreptococo do grupo B, se ainda não realizado e parto iminente

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta oral conforme tolerância se ameaça de trabalho de parto prematuro sem indicação de parto iminente; jejum se trabalho de parto avançado ou via abdominal de urgência prevista

Soro

  • Hidratação venosa conforme avaliação clínica, sem uso rotineiro como tocolítico isolado

Medicamentos

  • Tocolítico (ex.: nifedipina, indometacina conforme idade gestacional) se indicado e sem contraindicações — indometacina contraindicada a partir de aproximadamente 32 semanas, pelo risco de oligoidrâmnio e fechamento precoce do ducto arterioso fetal
  • Corticoide IM para maturação pulmonar fetal (ex.: betametasona ou dexametasona) se dentro da janela recomendada
  • Sulfato de magnésio para neuroproteção fetal em gestação extremamente pré-termo, conforme protocolo específico
  • Antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B se indicada

Recomendações

  • Monitorização de contrações e vitalidade fetal contínua ou seriada
  • Avaliação de necessidade de transferência para serviço com suporte neonatal adequado
  • Repouso relativo, sem evidência de benefício de repouso estrito prolongado

Exames

  • Cardiotocografia seriada
  • Reavaliação cervical conforme evolução clínica

Referências

  1. [1]ACOG Practice Bulletin No. 171: Management of Preterm Labor, American College of Obstetricians and Gynecologists, 2016
  2. [2]NICE Guideline NG25: Preterm Labour and Birth, National Institute for Health and Care Excellence, 2015 (atualizado 2022)
  3. [3]FEBRASGO — Manual de Orientação: Prematuridade, Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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