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Descolamento prematuro de placenta (DPP)

Gestante com sangramento vaginal, dor abdominal súbita e/ou hipertonia uterina. Como suspeitar de descolamento prematuro de placenta, avaliar gravidade materna e fetal, e conduzir a emergência?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor abdominal súbita e intensa com hipertonia uterina ("útero em madeira") — mesmo sem sangramento vaginal visível importante
  • Sangramento vaginal escuro de início súbito — atenção: ausência de sangramento não exclui DPP (hematoma retroplacentário oculto)
  • Alteração aguda da vitalidade fetal — sofrimento fetal agudo ou óbito
  • Sinais de choque hipovolêmico desproporcionais ao sangramento visível
  • Sinais de coagulopatia (queda de fibrinogênio, plaquetopenia) — DPP é causa clássica de CIVD
  • Hipertensão/pré-eclâmpsia, trauma abdominal, uso de cocaína/crack, RPM e polidrâmnio com descompressão rápida — fatores de risco relevantes
  • Erro que mata: aguardar confirmação ultrassonográfica antes de agir — o USG tem sensibilidade limitada para DPP
  • Erro que mata: subestimar a perda sanguínea pela quantidade visível
  • Erro que mata: não investigar coagulopatia precocemente em DPP extenso
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Suspeitar de DPP diante de dor abdominal súbita, sangramento vaginal (pode estar ausente) e hipertonia/hipersensibilidade uterina
  • Avaliar vitalidade fetal imediatamente
  • Avaliar estabilidade hemodinâmica materna — perda pode ser maior que o sangramento visível
  • Investigar coagulopatia (DPP é causa clássica de CIVD na gestação)
  • Acesso venoso calibroso, tipagem sanguínea e reserva de hemocomponentes precoce
  • Decisão sobre momento e via do parto é do obstetra responsável

Conduta inicial

  1. 1Suspeitar de DPP diante de dor abdominal/lombar súbita, hipertonia ou hipersensibilidade uterina, com ou sem sangramento visível.
  2. 2Avaliar a vitalidade fetal imediatamente com cardiotocografia.
  3. 3Avaliar estabilidade hemodinâmica materna com atenção à hemorragia oculta.
  4. 4Garantir dois acessos venosos calibrosos, reposição volêmica conforme necessário, tipagem sanguínea e reserva de hemocomponentes precocemente.
  5. 5Investigar coagulopatia com coagulograma incluindo fibrinogênio — sinal precoce e sensível de CIVD.
  6. 6Avaliar a extensão do descolamento (clínica e, quando possível, ultrassom) e correlacionar com gravidade materna e fetal.
  7. 7A decisão sobre momento e via do parto é do obstetra responsável, considerando gravidade materna, sofrimento fetal e idade gestacional.
  8. 8Em óbito fetal confirmado associado a DPP extenso, priorizar estabilização materna, incluindo correção agressiva de coagulopatia.
  9. 9Reavaliação contínua de sinais vitais maternos, vitalidade fetal e parâmetros de coagulação.

Exames

  • Cardiotocografia — avaliação imediata da vitalidade fetal
  • Ultrassom obstétrico — pode identificar hematoma retroplacentário, mas tem sensibilidade limitada
  • Hemograma completo, coagulograma com fibrinogênio
  • Tipagem sanguínea e prova cruzada
  • Função renal
  • Teste de Kleihauer-Betke (se disponível) em caso de trauma abdominal associado

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum, pela possibilidade de resolução cirúrgica de urgência

Soro

  • Cristaloide IV em bólus para reposição volêmica conforme gravidade do quadro
  • Hemocomponentes (concentrado de hemácias, plasma fresco congelado, crioprecipitado/concentrado de fibrinogênio, plaquetas) guiados por sangramento ativo e coagulograma, com protocolo de transfusão maciça se necessário

Medicamentos

  • Imunoglobulina anti-Rh se paciente Rh negativo
  • Corticoide para maturação pulmonar fetal se idade gestacional compatível e estabilidade que permita
  • Uterotônico (ocitocina) no manejo pós-parto, pelo risco aumentado de atonia/HPP associado a DPP

Recomendações

  • Monitorização contínua materna e fetal (quando aplicável) até resolução do quadro
  • Reavaliação seriada de coagulograma durante o manejo
  • Acionamento precoce de equipe multiprofissional

Exames

  • Coagulograma e hemoglobina seriados durante e após o tratamento
  • Cardiotocografia contínua enquanto a conduta expectante for mantida (se aplicável)

Referências

  1. [1]RCOG Green-top Guideline No. 63 — Antepartum Haemorrhage, Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, 2011 (atualizado 2024)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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