Gestante em trabalho de parto com febre, ou puérpera com febre/mal-estar após o parto. Como reconhecer corioamnionite e sepse puerperal precocemente e iniciar o tratamento sem demora?
Hipotensão, taquipneia, alteração do nível de consciência, oligúria em puérpera com febre — sepse puerperal
Dor pélvica importante, útero subinvoluído e doloroso, lóquios fétidos — endometrite puerperal
Sinais de fasceíte necrosante em ferida operatória — emergência cirúrgica
Ausência de melhora após 24-48h de antibioticoterapia adequada — investigar foco não controlado
Erro que mata: aguardar hemocultura antes de iniciar antibioticoterapia empírica em paciente com sinais de sepse
Erro que mata: não considerar sepse puerperal em paciente com febre "baixa" nos primeiros dias
Erro que mata: tratar corioamnionite apenas com antibiótico sem comunicar o obstetra sobre a condução do trabalho de parto
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Suspeitar de corioamnionite em gestante com febre intraparto, especialmente se RPM prolongada, taquicardia materna/fetal ou líquido fétido
Suspeitar de sepse puerperal em puérpera com febre, taquicardia, hipotensão ou alteração mental
Iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediatamente após reconhecimento
Reposição volêmica precoce guiada por parâmetros clínicos se sinais de sepse/choque
Identificar e controlar o foco infeccioso
Avaliar repercussão fetal em corioamnionite intraparto
Conduta inicial
1Suspeitar de corioamnionite em gestante com febre intraparto, especialmente com RPM prolongada e múltiplos toques vaginais.
2Suspeitar de sepse puerperal em puérpera com febre associada a disfunção orgânica, especialmente após manipulação uterina, cesárea ou trabalho de parto prolongado.
3Iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro imediatamente após reconhecimento da suspeita.
4Em sinais de sepse/choque: reposição volêmica guiada por parâmetros clínicos e considerar vasopressor se hipotensão refratária.
5Em corioamnionite intraparto: comunicar imediatamente o obstetra — o controle definitivo do foco depende da resolução do parto.
6Em sepse puerperal pós-parto: investigar e tratar o foco específico (endometrite, infecção de ferida/episiorrafia, mastite com abscesso, foco urinário ou pulmonar).
7Reavaliar a resposta clínica em 24-48h — ausência de melhora exige reavaliação de imagem.
8Manter vigilância fetal contínua em corioamnionite intraparto.
9Manter alto índice de suspeita para deterioração rápida, reavaliando sinais vitais com frequência maior do que em sepse não obstétrica.
Exames
Hemograma completo, PCR e lactato
Hemoculturas antes do antibiótico, se possível sem atrasar a primeira dose
Cultura de líquido amniótico/secreção vaginal ou de lóquios/ferida operatória, conforme foco
Função renal e hepática
Gasometria arterial/venosa
Ultrassom pélvico ou TC de abdome/pelve se suspeita de abscesso, tecido retido ou trombose séptica
Cardiotocografia contínua se corioamnionite intraparto
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Jejum se sepse grave/choque séptico ou necessidade de intervenção cirúrgica iminente (ex.: drenagem de abscesso, revisão de cavidade uterina); dieta oral conforme tolerância nos demais casos estáveis
Soro
Cristaloide IV em bólus guiado por parâmetros clínicos se sinais de sepse/choque, seguido de manutenção
Medicamentos
Antibioticoterapia empírica de amplo espectro cobrindo flora polimicrobiana incluindo anaeróbios, iniciada o mais precocemente possível
Antitérmico para controle da febre
Vasopressor se hipotensão refratária à reposição volêmica, com monitorização adequada
Uterotônico (ocitocina) se endometrite associada a sangramento/subinvolução uterina
Recomendações
Monitorização contínua de sinais vitais, diurese e perfusão
Reavaliação seriada do foco infeccioso e resposta ao tratamento em 24-48h
Em corioamnionite intraparto, comunicação imediata com o obstetra sobre a condução do trabalho de parto
Exames
Hemograma, PCR e lactato seriados conforme evolução
Reavaliação de imagem se ausência de melhora clínica em 24-48h
Referências
[1]ACOG Committee Opinion No. 712 — Intrapartum Management of Intraamniotic Infection, American College of Obstetricians and Gynecologists, 2017
[2]SMFM Consult Series #67 — Maternal Sepsis, Society for Maternal-Fetal Medicine, 2023
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.