Sangramento uterino anormal agudo (fora da gestação)
Mulher não gestante com sangramento uterino agudo e volumoso. Como excluir gravidez, avaliar gravidade e conduzir o controle da hemorragia até a investigação etiológica?
Red flags — sinais de gravidade
Sangramento volumoso com instabilidade hemodinâmica — hemorragia uterina aguda grave
Anemia importante sintomática associada a sangramento prolongado
Sangramento intenso desde a menarca, história familiar de coagulopatia, sangramento em outros sítios — suspeitar coagulopatia, especialmente em adolescentes
Sangramento pós-menopausa — sempre investigar malignidade endometrial até exclusão
Massa pélvica palpável associada
Erro que mata: tratar sem excluir gravidez primeiro — ectópica ou abortamento podem se apresentar de forma semelhante
Erro que mata: assumir causa hormonal disfuncional sem investigar coagulopatia em adolescentes
Erro que mata: não investigar endométrio antes de tratamento hormonal prolongado em mulher com fatores de risco
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Excluir gravidez (beta-hCG) em toda mulher em idade fértil antes de qualquer outra definição diagnóstica
Avaliar gravidade da perda sanguínea e estabilidade hemodinâmica como primeira prioridade
Investigar causas pela classificação PALM-COEIN
Considerar coagulopatia, especialmente em adolescentes com sangramento intenso desde a menarca
Tratamento hormonal em altas doses como primeira linha para controle agudo
Investigação de malignidade/hiperplasia endometrial em mulheres com fatores de risco antes de tratamento hormonal prolongado
Conduta inicial
1Excluir gravidez com beta-hCG em toda mulher em idade fértil, antes de avançar na investigação.
2Avaliar a gravidade da perda sanguínea e a estabilidade hemodinâmica como prioridade.
3Para controle agudo do sangramento volumoso sem instabilidade que exija cirurgia imediata: tratamento hormonal em altas doses costuma ser a primeira linha.
4Ácido tranexâmico pode ser usado isoladamente ou associado ao tratamento hormonal.
5Investigar a causa estrutural ou não estrutural seguindo a classificação PALM-COEIN.
6Considerar investigação de coagulopatia em pacientes com sangramento intenso desde a menarca ou história familiar sugestiva, especialmente adolescentes.
7Em mulheres com fatores de risco para hiperplasia/malignidade endometrial, investigar o endométrio antes ou em paralelo ao tratamento hormonal prolongado.
8Se sangramento refratário ao tratamento clínico, considerar curetagem uterina diagnóstica e terapêutica.
9Casos refratários e com risco de vida podem exigir intervenção mais invasiva (embolização, ablação, histerectomia), conforme decisão do ginecologista.
10Repor ferro e tratar anemia conforme gravidade.
Exames
Beta-hCG — exclusão de gravidez, sempre prioritário
Hemograma completo
Coagulograma e rastreio para doença de von Willebrand e outras coagulopatias, especialmente em adolescentes
Biópsia endometrial se fatores de risco para hiperplasia/malignidade ou sangramento pós-menopausa
Tipagem sanguínea se sangramento volumoso com possível necessidade transfusional
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Dieta oral conforme tolerância; jejum se sangramento volumoso com instabilidade hemodinâmica ou indicação de curetagem/intervenção cirúrgica iminente
Soro
Cristaloide IV em bólus se instabilidade hemodinâmica por sangramento volumoso
Hemocomponentes se anemia grave sintomática ou sangramento agudo significativo
Medicamentos
Tratamento hormonal em altas doses (estrogênio conjugado IV ou progestagênio/combinado oral em altas doses) para controle agudo, na ausência de contraindicação
Ácido tranexâmico isolado ou associado ao tratamento hormonal
Reposição de ferro (oral ou IV conforme gravidade da anemia e tolerância)
Analgesia conforme necessidade
Recomendações
Monitorização de sinais vitais e quantificação do sangramento durante o controle agudo
Investigação etiológica estruturada (PALM-COEIN) após estabilização
Orientação sobre seguimento ginecológico ambulatorial para tratamento de manutenção
Exames
Hemoglobina de controle após tratamento agudo
Biópsia endometrial conforme indicação por fator de risco
Referências
[1]ACOG Practice Bulletin No. 128 — Diagnosis of Abnormal Uterine Bleeding in Reproductive-Aged Women (classificação FIGO PALM-COEIN), American College of Obstetricians and Gynecologists, 2012
[2]ACOG Committee Opinion No. 557 — Management of Acute Abnormal Uterine Bleeding in Nonpregnant Reproductive-Aged Women, American College of Obstetricians and Gynecologists, 2013
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.