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Mastite e abscesso mamário puerperal

Puérpera em amamentação com dor, hiperemia e febre na mama. Mastite ou abscesso?

Red flags — sinais de gravidade

  • Suspender amamentação por conta da mastite — medida errada, piora estase e retenção
  • Não considerar drenagem quando há área de flutuação — antibiótico isolado não resolve abscesso
  • Febre persistente após 48-72h de antibiótico sem reavaliar coleção
  • Sinais de sepse (taquicardia, hipotensão, confusão) não reconhecidos a tempo
  • Mastite recorrente ou refratária sem investigar carcinoma inflamatório (raro, mas descartar)
  • Escolha de antibiótico sem cobertura para S. aureus (incluindo MRSA conforme perfil local)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar puerpério/lactação: mastite é quase sempre associada a amamentação
  • Sintomas: dor localizada, hiperemia em cunha, calor, edema mamário, febre e mal-estar
  • Diferenciar ingurgitamento mamário (bilateral, sem febre alta) de mastite (unilateral, febril)
  • Palpar em busca de área de flutuação — sugere abscesso, muda conduta para drenagem
  • USG mamária indicada se dúvida clínica de coleção/abscesso
  • Reforçar que amamentação deve continuar/ser estimulada, inclusive na mama afetada
  • Investigar fissura mamilar como porta de entrada — orientar correção da pega

Conduta inicial

  1. 1Manter/estimular amamentação frequente na mama afetada, ou esvaziamento manual/bomba se dor limitar.
  2. 2Antibioticoterapia empírica com cobertura para S. aureus assim que houver sinais de infecção (não apenas ingurgitamento).
  3. 3Analgesia e anti-inflamatório compatíveis com lactação.
  4. 4Compressas frias entre mamadas para conforto; calor local antes de amamentar pode ajudar no fluxo.
  5. 5Se área de flutuação/coleção confirmada: drenagem (punção guiada por USG ou incisão) — antibiótico isolado não trata abscesso.
  6. 6Reavaliar em 48-72h; ausência de melhora reforça investigação de coleção não drenada.

Exames

  • USG mamária se suspeita de coleção
  • Hemograma e PCR se toxemia/febre alta
  • Cultura de leite/secreção se refratário ou hospitalar

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Livre, sem restrição — manter hidratação

Soro

  • Não indicado de rotina, salvo sinais de toxemia/desidratação

Medicamentos

  • Antibiótico com cobertura antiestafilocócica compatível com lactação
  • Analgésico/anti-inflamatório compatível com lactação

Recomendações

  • Manter amamentação/esvaziamento frequente da mama afetada
  • Compressas frias entre mamadas

Exames

  • USG mamária se dúvida de coleção/abscesso

Referências

  1. [1]Academy of Breastfeeding Medicine Clinical Protocol #36 — The Mastitis Spectrum, Revised 2022

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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