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Assistência ao parto normal e partograma
Gestante em trabalho de parto na sala de parto. Como acompanhar a progressão com o partograma, quando a evolução é normal e quando há parada de progressão?
Red flags — sinais de gravidade
BCF alterado (bradicardia, desacelerações tardias recorrentes) — ver conduta de sofrimento fetal agudo
Sangramento vaginal mais que raias de sangue com muco — pensar em DPP e placenta prévia antes de tocar
Parada de progressão real na fase ativa (dilatação estacionária por ≥ 4 h com contração adequada) ou expulsivo prolongado
Prolapso de cordão ao toque ou à rotura — emergência, elevar a apresentação e cesárea imediata
Erro que mata: usar Kristeller (pressão fúndica) — sem benefício e com risco de rotura uterina e trauma
Erro que mata: diagnosticar distocia na fase latente e indicar cesárea por 'falha de progressão' antes da fase ativa estabelecida
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Confirmar fase do trabalho de parto: fase latente (até ~5 cm) vs. fase ativa (≥ 5 cm com contrações regulares) — os limites de tempo do partograma valem para a fase ativa
Abrir o partograma/Labour Care Guide na admissão em fase ativa: dilatação, descida da apresentação, contrações, BCF, bolsa/líquido, sinais maternos
Registrar BCF de forma intermitente e sistemática no baixo risco (a cada 15-30 min na fase ativa, a cada 5-15 min no expulsivo) ou CTG contínua se indicação
Não esperar 1 cm/h como regra rígida — a OMS considera esse corte irreal para muitas mulheres; parada de progressão exige avaliação de contração, posição e proporção antes de intervenção
Evitar intervenções de rotina sem indicação: amniotomia + ocitocina precoces, episiotomia de rotina e Kristeller (proscrita)
Manejo ativo do 3º período: ocitocina profilática após o desprendimento — reduz hemorragia pós-parto
Apoio contínuo, liberdade de posição e presença de acompanhante fazem parte da assistência recomendada
Conduta inicial
1Admitir em fase ativa (≥ 5 cm com dinâmica regular) sempre que possível — admissão precoce na fase latente aumenta cascata de intervenções.
2Abrir e manter o partograma (ou WHO Labour Care Guide): dilatação e descida a cada toque (toques a cada 4 h ou se mudança clínica), BCF, dinâmica, líquido amniótico, sinais vitais maternos.
3Ausculta fetal intermitente sistemática no baixo risco; CTG contínua se fatores de risco ou alteração à ausculta.
4Diante de progressão lenta: reavaliar dinâmica, posição materna, estado da bolsa e proporção cefalopélvica antes de ocitocina; amniotomia e ocitocina são escalonadas, não simultâneas de rotina.
5No expulsivo: incentivar puxos espontâneos, posição de escolha da mulher, proteção perineal; episiotomia apenas seletiva.
6Manejo ativo do 3º período: ocitocina 10 UI IM após desprendimento, tração controlada de cordão, vigilância de tônus — prevenção de HPP.
7Pós-parto imediato: vigiar tônus uterino, sangramento e sinais vitais na primeira hora; contato pele a pele e amamentação precoce.
8Qualquer desvio do partograma (progressão, BCF, sangramento, febre) — discutir com o obstetra responsável, que decide via de parto e intervenção.
Exames
Partograma/Labour Care Guide preenchido — é o 'exame' central do trabalho de parto
BCF intermitente ou CTG conforme risco
Tipagem sanguínea e triagem infecciosa da admissão (sífilis, HIV) se pré-natal incompleto
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Dieta leve/líquidos claros no trabalho de parto de baixo risco — jejum de rotina não é recomendado
Soro
Hidratação venosa apenas se indicação (jejum prolongado, ocitocina em infusão) — não é rotina no baixo risco
Medicamentos
Ocitocina 10 UI IM após o desprendimento (manejo ativo do 3º período — prevenção de HPP)
Ocitocina em infusão para condução apenas com indicação, bomba de infusão e monitorização de dinâmica/BCF
Analgesia conforme desejo da mulher e disponibilidade: métodos não farmacológicos, opioide parenteral ou analgesia neuroaxial
Recomendações
Liberdade de posição e deambulação; acompanhante de escolha em todo o trabalho de parto (Lei 11.108/2005)
Registro no partograma a cada avaliação — documento assistencial e médico-legal
Não realizar Kristeller nem episiotomia de rotina
Exames
Vigilância de BCF e dinâmica conforme fase do parto
Referências
[1]WHO Recommendations: Intrapartum Care for a Positive Childbirth Experience, Organização Mundial da Saúde, 2018
[2]WHO Labour Care Guide: User's Manual, Organização Mundial da Saúde, 2020
[3]Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, Ministério da Saúde, 2017
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.