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Sofrimento fetal agudo — cardiotocografia (categorias I, II e III)

CTG alterada durante o trabalho de parto. Como classificar o traçado em categorias I, II e III, o que fazer de ressuscitação intrauterina e quando o parto precisa ser expedito?

Red flags — sinais de gravidade

  • Bradicardia fetal sustentada ou desaceleração prolongada — checar prolapso de cordão ao toque, DPP, rotura uterina e hipotensão materna
  • Variabilidade ausente com desacelerações recorrentes ou padrão sinusoidal (categoria III) — risco de acidemia fetal
  • CTG alterada + sangramento vaginal + hipertonia uterina — DPP até prova em contrário
  • CTG alterada + dor súbita + perda de apresentação + choque em paciente com cesárea prévia — rotura uterina
  • Erro que mata: manter ocitocina correndo com traçado categoria II/III e taquissistolia
  • Erro que mata: tratar categoria III como 'observar mais um pouco' — não responsiva à ressuscitação intrauterina, o parto deve ser expedito
  • Erro que mata: confiar em traçado de má qualidade (captando FC materna) — confirmar com sonar/Pinard ou eletrodo
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Ler o traçado sistematicamente: linha de base, variabilidade, acelerações, desacelerações e dinâmica uterina
  • Categoria I (normal): linha de base 110-160 bpm, variabilidade moderada, sem desacelerações tardias/variáveis — seguir cuidado de rotina
  • Categoria II (indeterminada): tudo que não é I nem III — o grupo mais comum; exige ressuscitação intrauterina e reavaliação seriada
  • Categoria III (anormal): variabilidade ausente COM desacelerações tardias recorrentes, variáveis recorrentes ou bradicardia; ou padrão sinusoidal — preparar parto expedito
  • Ressuscitação intrauterina: decúbito lateral, bólus de cristaloide, suspender ocitocina, corrigir hipotensão (pós-analgesia), tocolítico se taquissistolia
  • Sempre procurar a causa: taquissistolia, hipotensão materna, prolapso de cordão, DPP, rotura uterina, febre
  • Documentar categoria, hora, condutas e comunicação com o obstetra — traçado é documento médico-legal

Conduta inicial

  1. 1Classificar o traçado (nomenclatura NICHD/ACOG): categoria I — rotina; categoria II — ressuscitação intrauterina + reavaliação; categoria III — ressuscitação enquanto prepara parto expedito.
  2. 2Ressuscitação intrauterina imediata: decúbito lateral, bólus de cristaloide IV, suspender/reduzir uterotônico, corrigir hipotensão materna com volume/vasopressor se pós-neuroaxial.
  3. 3Taquissistolia (> 5 contrações/10 min) com traçado alterado: suspender uterotônico e considerar tocolítico de resgate (terbutalina SC).
  4. 4Toque vaginal na desaceleração prolongada: afastar prolapso de cordão e avaliar descida rápida; se prolapso, elevar a apresentação e cesárea de emergência.
  5. 5Reavaliar o traçado em 20-30 min após medidas na categoria II; melhora → manter vigilância; persistência ou piora → discutir via de parto com o obstetra.
  6. 6Categoria III não responsiva: parto pela via mais rápida (cesárea ou vaginal instrumentado se condições plenas) — decisão do obstetra responsável.
  7. 7Preparar recepção neonatal (pediatra na sala) em todo parto por traçado alterado; colher gasometria de cordão ao nascimento.

Exames

  • Cardiotocografia contínua — o próprio exame; garantir qualidade do sinal (diferençar FC materna)
  • Gasometria de cordão umbilical ao nascimento — documenta o estado ácido-base fetal
  • Exames dirigidos à causa suspeita (hemograma/coagulograma se DPP, lactato materno se sepse)

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum a partir de traçado categoria II persistente ou III — possibilidade de cesárea

Soro

  • Bólus de cristaloide IV como parte da ressuscitação intrauterina

Medicamentos

  • Suspender ocitocina em traçado categoria II/III
  • Terbutalina SC como tocolítico de resgate se taquissistolia com traçado alterado
  • Efedrina/fenilefrina se hipotensão pós-analgesia neuroaxial, conforme anestesia

Recomendações

  • Decúbito lateral materno
  • Reavaliação do traçado em 20-30 min após cada medida e documentação seriada
  • Comunicação imediata com obstetra e preparo de sala/equipe neonatal se não houver melhora

Exames

  • Gasometria de cordão ao nascimento

Referências

  1. [1]Intrapartum Fetal Heart Rate Monitoring: Interpretation and Management, ACOG Clinical Practice Guideline, American College of Obstetricians and Gynecologists, 2025
  2. [2]ACOG Practice Bulletin No. 106: Intrapartum Fetal Heart Rate Monitoring — Nomenclature, Interpretation, and General Management Principles (nomenclatura NICHD), American College of Obstetricians and Gynecologists, 2009

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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