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Placenta prévia com sangramento

Gestante no 2º/3º trimestre com sangramento vaginal vermelho-vivo, indolor. Como diferenciar placenta prévia de DPP, o que NUNCA fazer e como estabilizar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Sangramento volumoso ou recorrente com instabilidade — cesárea de emergência independente da idade gestacional
  • Prévia + cesárea(s) prévia(s) — suspeitar de espectro acreta; parto deve ser programado em centro com banco de sangue e equipe experiente
  • Sofrimento fetal na vigência de sangramento — pode indicar descolamento associado ou vasa prévia (sangue fetal: deterioração rápida do BCF com pouco sangue)
  • Erro que mata: toque vaginal em sangramento de 3º trimestre sem localização placentária conhecida
  • Erro que mata: alta precoce de sangramento 'que parou' sem US, tipagem e observação adequada — ressangramento é a regra
  • Erro que mata: subestimar perda por hipervolemia gravídica — hipotensão é achado tardio
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Sangramento indolor, vermelho-vivo, útero relaxado e BCF geralmente normal — padrão de prévia (DPP: dor, hipertonia, sofrimento fetal)
  • NÃO fazer toque vaginal antes de conhecer a localização placentária — risco de precipitar hemorragia maciça
  • Checar o pré-natal/US prévios pela localização placentária antes de qualquer exame de trajeto
  • Exame especular gentil é permitido para quantificar sangramento e afastar causa local
  • US (transvaginal é seguro e mais acurado para localizar a placenta) confirma o diagnóstico
  • Estabilizar como hemorragia: acessos calibrosos, tipagem + reserva, avaliar Rh (anti-D se negativo)
  • Rastrear acretismo se prévia + cesárea anterior — maior risco de hemorragia maciça no parto

Conduta inicial

  1. 1Proibir toque vaginal até localizar a placenta (US); exame especular gentil permitido.
  2. 2Estabilização materna: dois acessos calibrosos, cristaloide, tipagem sanguínea com prova cruzada e reserva de hemocomponentes, monitorização materna e fetal contínuas.
  3. 3US obstétrico com avaliação de inserção placentária — transvaginal se necessário (seguro na prévia) — e rastreio de acretismo se cesárea anterior.
  4. 4Imunoglobulina anti-D se gestante Rh negativo não sensibilizada com sangramento.
  5. 5Sangramento controlado + feto pré-termo: conduta expectante hospitalar, corticoide para maturação pulmonar (24-34 semanas), vigilância seriada.
  6. 6Sangramento maciço, instabilidade materna ou sofrimento fetal: cesárea de emergência — via de parto da prévia oclusiva é sempre cesárea.
  7. 7Prévia estável assintomática: programar cesárea eletiva conforme protocolo (em geral 36-37 semanas; antes se acretismo), decisão do obstetra responsável.
  8. 8Tocólise apenas em cenário selecionado (sangramento leve + prematuridade extrema + estabilidade) e por decisão do staff — nunca com instabilidade.

Exames

  • US obstétrico (transabdominal + transvaginal) para localização placentária e distância do orifício interno
  • US com Doppler ± RM se suspeita de espectro acreta (prévia + cesárea anterior)
  • Hemograma, tipagem com prova cruzada, coagulograma
  • Cardiotocografia para vigilância fetal
  • Teste de Coombs indireto se Rh negativo

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum na admissão com sangramento ativo — possibilidade de cesárea de emergência

Soro

  • Cristaloide IV conforme perda e resposta hemodinâmica
  • Hemocomponentes conforme sangramento e protocolo de hemorragia obstétrica

Medicamentos

  • Corticoide para maturação pulmonar fetal (betametasona IM) se 24-34 semanas e risco de parto
  • Imunoglobulina anti-D se Rh negativo não sensibilizada
  • Sulfato de magnésio para neuroproteção fetal se parto iminente < 32 semanas, conforme protocolo

Recomendações

  • Repouso hospitalar com sangramento recente; nada por via vaginal (sem toques, sem relação)
  • Vigilância de novo sangramento com monitorização materno-fetal
  • Parto em centro com banco de sangue; se acretismo, equipe multidisciplinar programada

Exames

  • Hemograma seriado e CTG diária/conforme protocolo durante internação

Referências

  1. [1]Placenta Praevia and Placenta Accreta: Diagnosis and Management, Green-top Guideline No. 27a, Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, 2018
  2. [2]Manual de Gestação de Alto Risco, Ministério da Saúde, 2022

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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