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Medicamentos na gestação — o que dá para prescrever no plantão
Gestante no plantão precisando de analgesia, antibiótico ou sintomático. Quais medicamentos são considerados seguros, quais são proibidos e como raciocinar quando não há certeza?
Red flags — sinais de gravidade
Gestante hipertensa em uso prévio de IECA/BRA — trocar imediatamente (metildopa, nifedipina, hidralazina são as opções usuais)
Anticoagulação com varfarina em gestante — embriopatia; conversão para heparina/HBPM com staff
Epiléptica em uso de ácido valproico — não suspender abruptamente no plantão, mas acionar ajuste especializado precoce
AINE prescrito no 3º trimestre — risco de fechamento prematuro do canal arterial e oligoâmnio
Erro que mata: negar tratamento necessário à gestante 'por medo' — infecção não tratada, dor não controlada e doença descompensada também causam dano fetal
Erro que mata: prescrever misoprostol para outra finalidade sem checar gestação
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
As categorias FDA A/B/C/D/X foram abolidas (PLLR, 2015) — raciocinar por evidência de risco e trimestre, não por letra
Analgesia: paracetamol é o analgésico/antitérmico de escolha em qualquer trimestre
AINEs: evitar a partir de 20 semanas (oligoâmnio/lesão renal fetal) e contraindicados no 3º trimestre (fechamento do canal arterial)
Antibióticos usualmente seguros: penicilinas (± clavulanato), cefalosporinas, azitromicina, fosfomicina; nitrofurantoína com ressalvas de trimestre
Evitar: quinolonas, tetraciclinas, sulfametoxazol-trimetoprim no 1º trimestre e próximo ao termo, aminoglicosídeos (relativos)
Sintomáticos seguros: dimenidrinato, metoclopramida, ondansetrona (ressalva 1º tri), omeprazol, loratadina; heparinas não cruzam a placenta
Na dúvida: checar fonte atualizada ou discutir — nunca prescrever 'porque sempre foi usado'
Conduta inicial
1Confirmar idade gestacional — o risco é trimestre-dependente (organogênese no 1º tri; canal arterial e kernicterus no 3º).
2Analgesia/febre: paracetamol em dose plena; dipirona é de uso corrente no Brasil mas com recomendação de evitar no 3º trimestre; opioide (tramadol/morfina) por curto período se dor forte, com ressalva de uso próximo ao parto (depressão neonatal).
3Infecção: escolher dentro dos grupos seguros (penicilinas, cefalosporinas, azitromicina, fosfomicina) conforme o foco; ajustar apenas o necessário, sem subdose.
4Náusea/dispepsia: dimenidrinato, metoclopramida, ondansetrona (ver verbete de hiperêmese), omeprazol.
5Hipertensão: metildopa, nifedipina e hidralazina; suspender IECA/BRA no diagnóstico da gestação.
6Anticoagulação: HBPM (enoxaparina) é a escolha — não cruza a placenta; varfarina é teratogênica.
7Corticoide sistêmico quando indicado pela doença materna (asma, doença autoimune) não deve ser negado por gestação; betametasona/dexametasona são as que cruzam a placenta (maturação fetal).
8Registrar no prontuário o racional da escolha na gestante — segurança clínica e médico-legal.
Exames
βhCG/confirmação de gestação em mulher em idade fértil antes de prescrever teratogênico conhecido
Função renal quando o fármaco exigir ajuste
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Medicamentos
Analgesia/antitérmico: paracetamol VO em dose habitual — escolha em qualquer trimestre
Antibióticos de uso comum: cefalexina, amoxicilina ± clavulanato, azitromicina, fosfomicina — conforme foco
Náusea: dimenidrinato ou metoclopramida; ondansetrona se refratária
Checar idade gestacional e alergias antes de qualquer prescrição
Preferir monoterapia e menor dose eficaz pelo menor tempo necessário
Orientar a gestante sobre o racional — adesão melhora quando a segurança é explicada
Referências
[1]FDA Pregnancy and Lactation Labeling Rule (PLLR), U.S. Food and Drug Administration, 2015
[2]Manual de Gestação de Alto Risco, Ministério da Saúde, 2022
[3]The Management of Nausea and Vomiting of Pregnancy and Hyperemesis Gravidarum, Green-top Guideline No. 69, Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, 2024 (antieméticos na gestação)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.